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Baleias beeem de pertinho

Post reescrito

4 de setembro de 2008.

A Península Valdéz era um dos nossos principais destinos da viagem. Ela fica totalmente fora do roteiro, distante de todos os outros locais que iríamos passar, mas a grande razão para incluí-la na viagem era a possibilidade de ver de perto e naturalmente, uma das maiores biodiversidades marinhas do mundo. O local é o favorito para reprodução de diversas espécies marinhas, em especial a Baleia Franca Austral. Pinguins, lobos e elefantes marinhos, orcas e golfinhos também fazem parte do ecossistema, além de espécies terrestres, como guanacos, maras, ñandus, flamingos, etc. O local oferece, entre outras atividades, passeios de barco mar adentro para visualizar as baleias o mais próximo possível. E era isso que queríamos. A Península Valdéz é patrimônio mundial da Unesco. Charles Darwin passou ali por volta de 1847, e ficou maravilhado com as novas espécies que encontrou. E também contam que Antoine de Saint Exupéry, aquele do Pequeno Príncipe, também sobrevoou e conheceu o local. Tanto que há uma ilha ali no istmo que inspirou o aviador e lhe rendeu um desenho no famoso livro. Lenda ou não, a ilha parece mesmo com a jibóia que engoliu um elefante, ou um chapéu, dependendo de quem vê.😉

Ilha que inspirou Saint Exupéry

Ilha que inspirou Saint Exupéry

Saímos bem cedo do Hostel, por volta das 7 horas da manhã. E fomos de microbus até a Península, nosso guia foi o Hugo, um simpático argentino que foi uma grande companhia para o dia e nos servia o tradicional mate o tempo todo para aquecer. Na verdade ficamos na expectativa se iria sair ou não, pois a previsão era de chuva para o dia, caso chovesse, não seria possível ver as baleias de barco. Por sorte o passeio começou, mas ainda não era garantido que conseguiríamos adentrar o mar para a “avistaje de ballenas”.

A primeira parada foi em El Doradillo, uma praia de pedras e areia grossa e escura, onde as baleias mamães trazem seus filhotes para protejê-los dos machos predadores da mesma espécie, além de garantir uma temperatura mais amena para os filhotes. Por conta disso, é possível vê-las mais próximo que na praia central. Tão próximo que se fosse quente, seria possível entrar na água e tocá-las. Ficamos maravilhados.

Praia de El Doradillo

Praia de El Doradillo

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A segunda parada foi no Centro de Visitantes Istmo Ameghino. Uma espécie de centro didático e museu com muita informação interessante sobre a fauna local, animais empalhados e esqueletos, os mais impressionante são os das baleias, obviamente, pelo tamanho. O lugar é passagem obrigatória para quem deseja visitar a Península Valdez. Um importante centro de informações e atendimento aos visitantes, dispõe de bons banheiros e alimentação. Nesse ponto, aos arredores, avistamos dois grupos de animais bastante comuns na patagonia: ovelhas (de criação) e maras (selvagens). Dali foi possível também ter uma boa ideia da vegetação patagônica que iríamos ver pelos próximos 20 dias (era setembro, fim do inverno e começo da primavera): arbustos baixos, quase secos, marrons, vegetação rasteira, terrenos praticamente desérticos, planos, muitas pedras e vastidão.

Esqueleto completo de uma Baleia Franca Austral

Esqueleto completo de uma Baleia Franca Austral

Barba de Baleia Franca Austral

Barba de Baleia Franca Austral

Paisagem patagônica e um grupo de maras.

Paisagem patagônica e um grupo de maras.

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A próxima parada foi em Punta Cantor. O local é uma praia onde os Elefantes Marinhos costumam repousar. Infelizmente só avistamos 1 deles por ali, mas já valeu a pena. Ele estava saindo do mar com a dificuldade de locomoção terrestre natural de sua anatomia, e deu seus “urros” altos e abafados.

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Punta Cantor

Punta Cantor

Elefante Marinho

Elefante Marinho

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A parada seguinte foi Punta Delgada, essa praia é maior e a preferida para procriação dos elefantes marinhos, vimos fotos dessa praia e documentários sobre ela, que aparecia lotada de elefantes e leões marinhos. Só que nesse dia da visita ainda não devia estar totalmente na época do acasalamento/procriação, porque a praia parecia começo de festa, só uns 10 elefantes marinhos espalhados se espreguiçando ao sol… meio decepcionante, para quem escolheu a dedo a época do ano para viajar e ver o espetáculo ao vivo. Também esperávamos ver os pinguins que migram do polo sul para essa região no final do inverno… também não vimos um único adiantadinho se quer… os guias ficavam se desculpando pelo insucesso da nossa excursão com relação aos elefantes, lobos e pinguins. Mas não nos abalamos com isso. É a natureza. Já nos consideramos felizes e com sorte por ter encontrado animais tão diferentes e grandes vivendo em seus habitats naturais.

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Punta Delgada quase vazia

Punta Delgada quase vazia

Elefantas marinhas e suas crias.

Elefantas marinhas e suas crias.

Por fim chegamos a Puerto Pirâmides, de onde saem os barcos para avistar as baleias no mar (somente de junho a dezembro). Houve uma parada para o almoço e aguardamos a confirmação se iríamos ou não para o barco. Finalmente o tempo começou a limpar e embarcamos. Continuava muito frio, principalmente à beira-mar, onde estávamos. Havia um casal de brasileiros que iria entrar no mesmo barco que o nosso, eram jovens, pareciam recém casados, mas a cara deles é de quem não tinha a menor ideia do que estavam fazendo ali, como se eles tivessem ganhado uma Lua de Mel para um lugar surpresa e foram parar ali. Eles não estavam nem um pouco felizes, estavam com uma cara bem “whatever”. Talvez fosse por causa do frio, perguntamos de onde eles eram, eram de algum lugar do nordeste brasileiro. Ela estava com um casaco que era modinha na época, uma jaqueta de nylon, curta, com um elástico largo na altura da cintura e uma gola com capuz cheia de pelos sintéticos, por conta disso, a barriga ficava de fora. Definitivamente não era a roupa apropriada para o frio que fazia.

O bote que nos levou para o mar

O bote que nos levou para o mar

Se nada mais tinha dado muito certo até então nesse passeio, a parte do barco para avistar as baleias compensou tudo. É algo realmente emocionante, empolgante e espetacular. Ficamos muito próximos às baleias, elas estavam em grupos de 3, 4, até 6 baleias juntas e cada uma devia medir cerca de 18 metros de comprimento. Na época, algumas estavam em vias de acasalamento (não dava para identificar sobre a água, mas os guias nos disseram). O barco ficava desligado, à deriva. Tinha momentos em que estávamos em silêncio, o mar azul e calmo à frente e de repente surgia a cabeça da baleia para fora da água, bem ali pertinho do barco e em seguida faziam aquele jato de ar típico das baleias. Outras tantas vezes, mais bonito ainda, surgia a cauda delas para fora. Um dos momentos mais lindos que eu tive o prazer de ver, foi quando eu subi nos bancos do centro do barco, para ver mais de cima, nessa hora uma baleia emergiu, logo após afundou e passou por baixo do nosso barco, ela era imensa! e eu consegui vê-la por baixo da água, foi incrível!

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Não sei quanto tempo passamos ali junto a elas, mas pareceu ser bastante. E o tempo, por sinal, estava lindo. Quando finalmente o guia começou a nos levar de volta para a margem, olhamos um para o outro e rimos, nossa alegria era tanta, como se tivéssemos visto algo mágico e único. Nos sentimos realmente privilegiados e agradecidos.

Ao norte da Península Valdez, na Punta Norte, ainda é possível visualizar as Orcas, elas chegam à margem da praia, mas infelizmente é para caçar os filhotes de leões marinhos dando bobeira por ali, dizem que é um comportamento atípico dessa espécie, e só acontece ali. A presença das orcas na margem geralmente ocorre no verão, segundo nos informamos. Mas ainda assim parece que não é algo tão fácil de se ver, como você poderá acompanhar nessa reportagem do Globo Repórter sobre o local.

Por fim, gostaria de salientar a você que leu esse enorme post até aqui, que ao contrário do que você possa estar imaginando, não se trata de um zoológico. Há exploração turística sim, mas é consciente e limitada. Há guarda faunas protegendo os locais das colônias, se você se aventurar de carro sozinho, certamente será abordado por eles. Sentimos um respeito muito grande dos argentinos em relação a fauna e a flora desse local. Lógico, é um berçário de diversas espécies marinhas e patrimônio da Unesco. Mas é tudo muito bem cuidado, não há lixo no chão, nem nas margens das estradas. As praias são exclusivas para os animais, os guias não jogam comida para atrair as baleias, nem outros animais da costa. É como um território sagrado.

Voltamos no final da tarde para o Hostel. Não dormimos outra noite ali, tinhamos que ir para a rodoviária, nosso transporte para Comodoro Rivadavia sairia por volta da meia noite e dormiríamos essa noite no ônibus, ou não…


Post original:

“Na quinta feira, fomos a uma excursão pela Península Valdez, em Puerto Madryn. Estava previsto vermos Baleias, Elefantes Marinhos, Guanacos, Maras e, com sorte, Flamingos e Pinguins. Infelizmente não tivemos sorte com os Pinguins, e os Flamengos, só de binóculos.

Pra compensar, as baleias foram um show à parte.
Abaixo, seguem fotos das baleias, que estavam tão perto da gente como jamais estarão. Chegavam a tocar no barco. Um espetáculo inesquecível.”

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