Presos no aeroporto por conta do Vulcão

Depois de um mês de férias muito bem curtidas, estamos de volta ao nosso amado Brasil. Nossa volta foi conturbada em função das cinzas (tardias) do vulcão da Islândia. E fomos dois dentre as centenas de brasileiros presos em Lisboa sem expectativa de voo para voltar ao Brasil. Sem expectativa de retorno, sem o mínimo de conforto, sem informações concisas e com muita falta de respeito. A TAP deixou muita gente P da vida com esse episódio. Vou descrever aqui como foi nossa experiência desagradável de fim de viagem.

Sairíamos às 19 horas do dia 10 de maio, de Roma com destino a Lisboa. Fomos para o aeroporto já as 11h30 da manhã. Esperamos até as 19 horas para saber que nosso voo sairía atrasado, a cada 30 minutos o voo era atrasado um pouco mais. Resultado, saímos de lá as 23h30, sendo que nosso voo para o Brasil, em Lisboa, sairía as 23h50.

Chegamos em Lisboa às 2h30 da manhã do dia seguinte. Na saída do avião fomos avisados que passageiros com conexão para outros locais deveriam procurar um funcionário TAP para fazer a transferência. Quando entramos no aeroporto nos dirigimos ao setor de transferência. Que tinha uma fila relativamente curta e um único funcionário. A fila simplesmente não andava, ficamos cerca de 1 hora na fila e fomos informados pelo funcionário (que por sinal estava louco para ir embora e se livrar daquele povo todo), que ele não poderia fazer o nosso check in para o próximo voo, pois nossos nomes não constavam na lista. Fomos orientados a nos dirigir ao Centro de Atendimento ao Consumidor da Tap, para conseguir hotel e o novo check in, e quanto as malas, poderíamos deixar elas aos cuidados deles que elas seriam transferidas automaticamente ao Brasil no nosso próximo voo.

Na saída desse setor, a passagem é obrigatória pelo setor de esteiras/retirada de bagagem. Ficamos boquiabertos com a quantidade de pessoas nesse saguão, e mais ainda com a quantidade de malas abandonadas por todos os lados, sobre as esteiras ou no corredor. A nossa sorte foi que nesse momento o alto falante anunciou que as bagagens do voo com destino a Guarulhos estariam disponíveis para os passageiros na esteira X. Nos encontrávamos ao lado dela, e logo em seguida pegamos nossa bagagem. Foi nossa sorte, pois quase metade dos passageiros que vieram conosco no voo ao Brasil perderam suas bagagens.

Depois dali nos dirigimos a Central de Atendimento ao Consumidor da TAP. Encontramos facilmente, o difícil foi encontrar o final da fila, que dava voltas e mais voltas no aeroporto. Sem exageros, devia ter próximo de 700 pessoas naquela fila imensa. Naquele momento, às 4 da manhã, foi quando uma única funcionária da TAP chegou à Central de Atendimento para atender todas aquelas pessoas, que já estavam esperando ali desde a meia-noite. Ficamos nessa fila até as 8h30 da manhã, quando descobrimos que não havia solução nenhuma por parte da TAP. Sem previsão de voos, sem explicações, sem ajuda, sem hotel para nos hospedar. O único “conforto” que nos proporcionaram foram vouchers individuais de 16 euros em alimentação para passarmos o dia.

Os Brasileiros chamaram a televisão. Alguns tentaram contatar a embaixada e o consulado brasileiro em Lisboa, sem resultados. O problema pareceu ser só com os voos com destino ao Brasil. Brasileiros revoltados começaram a se manifestar e exigir alguma explicação. Unidos, invadiram a fila de check-in da TAP, do guichê 84 a 89, como forma de precionar os funcionários da companhia aérea. Aos poucos o boca-a-boca fez unir todos os brasileiros nessa área. A TAP nos prometeu dar alguma resposta até as 11 horas da manhã. Por volta das 11h30 tivemos o comunicado de que sairia um voo com destino ao Rio de Janeiro às 15h30 da tarde. Sob palmas quase metade dos brasileiros se dirigiu a fila de check-in para esse voo. A medida acalmou os outros brasileiros, esperançosos de ter seu voo para São Paulo e Brasília saindo nas próximas horas. Mas aos poucos todos acabaram tendo o mesmo sentimento que eu, de que a saída do voo para o RJ foi um “cala boca” para acalmar os ânimos e ganhar tempo enquanto se tomava alguma providência.

Nesse interim, começaram a abrir voos (de rotina) para Salvador, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte. Nós não entendíamos, tampouco alguém nos explicava, o por quê de saírem voos para esses lugares e não para São Paulo e Brasília, sendo que, teoricamente, a rota sobre o Atlântico até Recife, é a mesma para qualquer um dos voos.

Sem resposta por mais 1h30, os brasileiros encontraram um dos funcionários da companhia e ameaçaram, se dentro de meia hora não tivéssemos alguma resposta, invadiríamos mais 10 guichês da TAP, impedindo que qualquer outro cliente fizesse check-in. Em meia hora nos foi dado a notícia de um vôo extra para São Paulo, que sairia as 18 horas da tarde. E o voo para Brasília não sairia, mas os passageiros seriam alocados no voo do Rio de Janeiro.

Após o check-in nos dirigimos ao portão de embarque e lá esperamos até as 19h30 horas para começar a embarcar. No mesmo voo foram incluídos muitos passageiros com destino a Brasília, cujos voos haviam sido cancelados desde sábado. O voo para São Paulo saiu de Lisboa por volta das 20 horas (horário de Lisboa) e chegou ao Brasil às 2h30 da manhã (horário de Brasília – considerando a diferença de fuso horário de 4 horas). Em Guarulhos tivemos que esperar até o primeiro voo para Curitiba, entrando em fila de espera e conseguindo, com sorte, uma vaga para esse voo. Resultado da jornada, chegamos em Joinville às 11h30 da manhã, 24 horas de atraso, 2 dias sem banho, 2 dias sem dormir, 2 dias só entre aeroportos e aeronaves e muito, muito cansados.

Contudo, isso não apagou nem diminui todas as boas e maravilhosas experiências que passamos nesses 30 dias de viagem. Por falta de tempo e dificuldades de acesso, o blog não teve atualizações constantes e nos dias previstos, mas de agora em diante iremos continuar a descrever (espero) o restante da viagem, aos poucos e com todo carinho. Acompanhe e aproveite!

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