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Das coisas que acontecem pelo caminho

{16 de abril de 2012}

De Rouen, pegamos um trêm para Paris, que era conexão para Bruges. Após uma espera gelada na estação de Rouen, chegamos a Paris na Gare de Lyon, e precisamos fazer uma conexão dessa estação à Estação Gare du Nord. Na hora de comprar os tickets do metrô, fomos abordados por um pedinte pedindo dinheiro. Falava francês, mas quando respondemos em português que não estávamos entendendo, ele repetiu a pergunta em inglês… (mendigo europeu, outro nível…).

Paris estava parecendo mais suja do que da vez anterior que estivemos ali. Ao pegar o metrô, outra desagradável surpresa. Uma mulher com uma garrafa de bebida alcóolica (cana, pinga, birita, 51? no baby, Champagne…) na mão e visivelmente embriagada, cantava e cambaleava no vagão. Lá pelas tantas, resolveu sair na estação onde o metrô parou, mas não saiu totalmente, ficou com metade do corpo pra fora, a outra metade pra dentro (pernas pra fora, cabeça pra dentro). E o metrô deu o sinal de partir e fechar as portas, nessa hora bateu o desespero em alguns passageiros, uns ficaram apavorados e começaram a gritar para a mulher sair, outros gritavam dizendo para deixá-la, que se virasse, outros já estavam prestes a apertar o botão de emergência… {Minuto de tensão!} Por fim, ela saiu do vagão cambaleando de costas, o metrô seguiu viagem e nós ficamos com aquela cara de susto olhando um para o outro.

Ao esperar o trem na Gare du Nord, resolvi dar uma passada no McDonalds que ficava bem próximo e comprei alguns macarons (McDonalds francês, fino….)
E então, finalmente, pegamos o trêm com destino a Bruges.

A viagem foi agradável e tranquila. Chegamos em Bruges por volta das 21h, já estava escuro. Mas resolvemos ir a pé mesmo até o nosso B&B. O local era perto, mas tivemos que passar por um parque, que em circunstâncias iguais no Brasil, jamais teríamos coragem de passar, escuro, a noite e sem policiamento. Mas lá foi tranquilo.

Parque que atravessamos para chegar no B&B, só que a noite.

Havíamos feito a reserva no Het Colettientje, um Bed & Breakfast comandado por uma senhora chamada Maria. Gostamos das referências encontradas sobre o local, por ser uma casa, e pela hospitalidade. Ao encontrarmos a casa, que ficava numa ruazinha parecida com  um condomínio fechado (mas sem ser fechado) de casas geminadas, avistamos um bilhete na porta. O bilhete dizia assim:

bilhete da Maria

“Olá Caio, eu não estou em casa. A chave está sobre o buxinho à esquerda. Seus quartos são no primeiro piso (as portas estão abertas). Eu retorno às 10h esta noite. O café da manhã é as 9h. Desculpe, Maria.”

Ficamos tão de cara com a confiança dela que começamos a rir (segurança européia, invejável…). E nessa ela nos ouviu e abriu a porta, já havia voltado do seu compromisso.

O condomínio onde ficava nosso B&B

O condomínio onde ficava nosso B&B

A Maria foi a pessoa mais marcante da nossa viagem. Uma pessoa gentil e acolhedora. Mas com uma personalidade forte, de quem já viveu muito e tem muita autoconfiança e autoridade. Falava muito, numa mistura de idiomas: inglês, francês, italiano e holandês. Ela literalmente mandava na gente, como se fosse nossa mãe: “agora vocês vão lá comer!”, “agora vocês vão sair”, “passem lá nessa cervejaria e tomem uma cerveja por mim!”, “saiam, saiam”, “sentem aqui agora”, “limpem o banheiro depois de tomar banho”, “não batam a porta” e assim por diante.

Mas ela foi uma ótima anfitriã e cicerone. Nos indicando restaurantes, chocolaterias e cervejarias, fora do eixo turístico, tudo através do mapinha que ela tinha em mãos, anotando tudo a caneta enquanto tagarelava sem parar.

Mapa com as orientações da Maria

A Maria.

Sua primeira indicação foi um sucesso entre a gente, e voltamos lá algumas vezes durante nossa estadia em Bruges. A cervejaria Cambrinus, um local com mais de 200 tipos de cervejas belgas e comida farta e saborosa.

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Na ida até o Cambrinus, atravessamos o pequeno centro histórico e praça central da cidade, e já ficamos impressionados com a beleza do local. Os prédios históricos iluminados e os canais nos deixaram encantados. Poucas cidades que já visitamos valorizam tão bem seus monumentos e prédios históricos a noite como Bruges.

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Nossa intenção era passar o dia seguinte em Bruges e no outro dia, seguir para Bruxelas. Mas depois das valiosas dicas da Maria, além do que vimos e adoramos na cidade, resolvemos passar mais um dia lá e dispensar o visita à Bruxelas.

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