Hostel em Puerto Madryn

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O hostel que ficamos em Puerto Madryn foi o El Gualicho. Um hostel bonitinho na recepção. Mas os quartos eram beeeem simplinhos. Nesse hostel foi o único em que ficamos num quarto compartido. Dividimos com um espanhol e um suíço. Pensa eu dormindo com 3 homens no mesmo quarto. Minha mãe me mata! rs.. Enfim, foi bem ruim e a partir daí decidimos que não iriamos mais pegar quartos compartidos. O banheiro coletivo era horrível tb, só um banheiro para todas as mulheres do hostel. Sem condições.
O que salvou o hostel foi o guia da excursão para a Penínsulo Valdez, o Hugo, super gente boa!
E o gato muito do fofo que pedinchava carinho e comida dos hóspedes. rs

Baleias beeem de pertinho

Post reescrito

4 de setembro de 2008.

A Península Valdéz era um dos nossos principais destinos da viagem. Ela fica totalmente fora do roteiro, distante de todos os outros locais que iríamos passar, mas a grande razão para incluí-la na viagem era a possibilidade de ver de perto e naturalmente, uma das maiores biodiversidades marinhas do mundo. O local é o favorito para reprodução de diversas espécies marinhas, em especial a Baleia Franca Austral. Pinguins, lobos e elefantes marinhos, orcas e golfinhos também fazem parte do ecossistema, além de espécies terrestres, como guanacos, maras, ñandus, flamingos, etc. O local oferece, entre outras atividades, passeios de barco mar adentro para visualizar as baleias o mais próximo possível. E era isso que queríamos. A Península Valdéz é patrimônio mundial da Unesco. Charles Darwin passou ali por volta de 1847, e ficou maravilhado com as novas espécies que encontrou. E também contam que Antoine de Saint Exupéry, aquele do Pequeno Príncipe, também sobrevoou e conheceu o local. Tanto que há uma ilha ali no istmo que inspirou o aviador e lhe rendeu um desenho no famoso livro. Lenda ou não, a ilha parece mesmo com a jibóia que engoliu um elefante, ou um chapéu, dependendo de quem vê. 😉

Ilha que inspirou Saint Exupéry

Ilha que inspirou Saint Exupéry

Saímos bem cedo do Hostel, por volta das 7 horas da manhã. E fomos de microbus até a Península, nosso guia foi o Hugo, um simpático argentino que foi uma grande companhia para o dia e nos servia o tradicional mate o tempo todo para aquecer. Na verdade ficamos na expectativa se iria sair ou não, pois a previsão era de chuva para o dia, caso chovesse, não seria possível ver as baleias de barco. Por sorte o passeio começou, mas ainda não era garantido que conseguiríamos adentrar o mar para a “avistaje de ballenas”.

A primeira parada foi em El Doradillo, uma praia de pedras e areia grossa e escura, onde as baleias mamães trazem seus filhotes para protejê-los dos machos predadores da mesma espécie, além de garantir uma temperatura mais amena para os filhotes. Por conta disso, é possível vê-las mais próximo que na praia central. Tão próximo que se fosse quente, seria possível entrar na água e tocá-las. Ficamos maravilhados.

Praia de El Doradillo

Praia de El Doradillo

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A segunda parada foi no Centro de Visitantes Istmo Ameghino. Uma espécie de centro didático e museu com muita informação interessante sobre a fauna local, animais empalhados e esqueletos, os mais impressionante são os das baleias, obviamente, pelo tamanho. O lugar é passagem obrigatória para quem deseja visitar a Península Valdez. Um importante centro de informações e atendimento aos visitantes, dispõe de bons banheiros e alimentação. Nesse ponto, aos arredores, avistamos dois grupos de animais bastante comuns na patagonia: ovelhas (de criação) e maras (selvagens). Dali foi possível também ter uma boa ideia da vegetação patagônica que iríamos ver pelos próximos 20 dias (era setembro, fim do inverno e começo da primavera): arbustos baixos, quase secos, marrons, vegetação rasteira, terrenos praticamente desérticos, planos, muitas pedras e vastidão.

Esqueleto completo de uma Baleia Franca Austral

Esqueleto completo de uma Baleia Franca Austral

Barba de Baleia Franca Austral

Barba de Baleia Franca Austral

Paisagem patagônica e um grupo de maras.

Paisagem patagônica e um grupo de maras.

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A próxima parada foi em Punta Cantor. O local é uma praia onde os Elefantes Marinhos costumam repousar. Infelizmente só avistamos 1 deles por ali, mas já valeu a pena. Ele estava saindo do mar com a dificuldade de locomoção terrestre natural de sua anatomia, e deu seus “urros” altos e abafados.

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Punta Cantor

Punta Cantor

Elefante Marinho

Elefante Marinho

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A parada seguinte foi Punta Delgada, essa praia é maior e a preferida para procriação dos elefantes marinhos, vimos fotos dessa praia e documentários sobre ela, que aparecia lotada de elefantes e leões marinhos. Só que nesse dia da visita ainda não devia estar totalmente na época do acasalamento/procriação, porque a praia parecia começo de festa, só uns 10 elefantes marinhos espalhados se espreguiçando ao sol… meio decepcionante, para quem escolheu a dedo a época do ano para viajar e ver o espetáculo ao vivo. Também esperávamos ver os pinguins que migram do polo sul para essa região no final do inverno… também não vimos um único adiantadinho se quer… os guias ficavam se desculpando pelo insucesso da nossa excursão com relação aos elefantes, lobos e pinguins. Mas não nos abalamos com isso. É a natureza. Já nos consideramos felizes e com sorte por ter encontrado animais tão diferentes e grandes vivendo em seus habitats naturais.

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Punta Delgada quase vazia

Punta Delgada quase vazia

Elefantas marinhas e suas crias.

Elefantas marinhas e suas crias.

Por fim chegamos a Puerto Pirâmides, de onde saem os barcos para avistar as baleias no mar (somente de junho a dezembro). Houve uma parada para o almoço e aguardamos a confirmação se iríamos ou não para o barco. Finalmente o tempo começou a limpar e embarcamos. Continuava muito frio, principalmente à beira-mar, onde estávamos. Havia um casal de brasileiros que iria entrar no mesmo barco que o nosso, eram jovens, pareciam recém casados, mas a cara deles é de quem não tinha a menor ideia do que estavam fazendo ali, como se eles tivessem ganhado uma Lua de Mel para um lugar surpresa e foram parar ali. Eles não estavam nem um pouco felizes, estavam com uma cara bem “whatever”. Talvez fosse por causa do frio, perguntamos de onde eles eram, eram de algum lugar do nordeste brasileiro. Ela estava com um casaco que era modinha na época, uma jaqueta de nylon, curta, com um elástico largo na altura da cintura e uma gola com capuz cheia de pelos sintéticos, por conta disso, a barriga ficava de fora. Definitivamente não era a roupa apropriada para o frio que fazia.

O bote que nos levou para o mar

O bote que nos levou para o mar

Se nada mais tinha dado muito certo até então nesse passeio, a parte do barco para avistar as baleias compensou tudo. É algo realmente emocionante, empolgante e espetacular. Ficamos muito próximos às baleias, elas estavam em grupos de 3, 4, até 6 baleias juntas e cada uma devia medir cerca de 18 metros de comprimento. Na época, algumas estavam em vias de acasalamento (não dava para identificar sobre a água, mas os guias nos disseram). O barco ficava desligado, à deriva. Tinha momentos em que estávamos em silêncio, o mar azul e calmo à frente e de repente surgia a cabeça da baleia para fora da água, bem ali pertinho do barco e em seguida faziam aquele jato de ar típico das baleias. Outras tantas vezes, mais bonito ainda, surgia a cauda delas para fora. Um dos momentos mais lindos que eu tive o prazer de ver, foi quando eu subi nos bancos do centro do barco, para ver mais de cima, nessa hora uma baleia emergiu, logo após afundou e passou por baixo do nosso barco, ela era imensa! e eu consegui vê-la por baixo da água, foi incrível!

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Não sei quanto tempo passamos ali junto a elas, mas pareceu ser bastante. E o tempo, por sinal, estava lindo. Quando finalmente o guia começou a nos levar de volta para a margem, olhamos um para o outro e rimos, nossa alegria era tanta, como se tivéssemos visto algo mágico e único. Nos sentimos realmente privilegiados e agradecidos.

Ao norte da Península Valdez, na Punta Norte, ainda é possível visualizar as Orcas, elas chegam à margem da praia, mas infelizmente é para caçar os filhotes de leões marinhos dando bobeira por ali, dizem que é um comportamento atípico dessa espécie, e só acontece ali. A presença das orcas na margem geralmente ocorre no verão, segundo nos informamos. Mas ainda assim parece que não é algo tão fácil de se ver, como você poderá acompanhar nessa reportagem do Globo Repórter sobre o local.

Por fim, gostaria de salientar a você que leu esse enorme post até aqui, que ao contrário do que você possa estar imaginando, não se trata de um zoológico. Há exploração turística sim, mas é consciente e limitada. Há guarda faunas protegendo os locais das colônias, se você se aventurar de carro sozinho, certamente será abordado por eles. Sentimos um respeito muito grande dos argentinos em relação a fauna e a flora desse local. Lógico, é um berçário de diversas espécies marinhas e patrimônio da Unesco. Mas é tudo muito bem cuidado, não há lixo no chão, nem nas margens das estradas. As praias são exclusivas para os animais, os guias não jogam comida para atrair as baleias, nem outros animais da costa. É como um território sagrado.

Voltamos no final da tarde para o Hostel. Não dormimos outra noite ali, tinhamos que ir para a rodoviária, nosso transporte para Comodoro Rivadavia sairia por volta da meia noite e dormiríamos essa noite no ônibus, ou não…


Post original:

“Na quinta feira, fomos a uma excursão pela Península Valdez, em Puerto Madryn. Estava previsto vermos Baleias, Elefantes Marinhos, Guanacos, Maras e, com sorte, Flamingos e Pinguins. Infelizmente não tivemos sorte com os Pinguins, e os Flamengos, só de binóculos.

Pra compensar, as baleias foram um show à parte.
Abaixo, seguem fotos das baleias, que estavam tão perto da gente como jamais estarão. Chegavam a tocar no barco. Um espetáculo inesquecível.”

Puerto Madryn

Post reescrito:

De Buenos Aires até Puerto Madryn leva em torno de 15 horas de viagem, de ônibus. Saímos de BUA por volta das 15h e chegamos por volta das 7h do dia seguinte. Pegamos um ônibus leito, e ficamos bem impressionados com nosso lanchinho de viagem, tinha Alfajor, olha que chique. No caminho o ar condicionado do ônibus deu pane algumas vezes, ele super aquecia, tinha horas que estávamos suando. Por volta da 1 hora da madrugada, o motorista deu uma parada numa lanchonete de beira de estrada, para quem quisesse usar o banheiro ou comprar um lanche. Era um boteco mesmo. Eu e Caio resolvemos descer para esticar as pernas e quase congelamos de frio. Estava muito, mas muito frio mesmo.

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Quando descemos na rodoviária de Puerto Madryn não estava diferente, o frio era congelante e intenso, acompanhado de um vento constante que vinha do mar. Na rodoviária mesmo tinha um elefante marinho gigante empalhado. Devia ter uns 3 metros de comprimento. Ficamos empolgados.

Depois de nos acomodarmos no Hostel e nos informarmos sobre o passeio para a Península Valdez, saímos para conhecer a cidade. É uma cidade praiana, uma bahia, e tem um píer bastante comprido adentrando ao mar. Fomos caminhando através dele, estava um vento tão gelado e cortante, que nossos gorros, luvas e cachecóis não davam conta. Mas aí veio a surpresa maior, a gente sabia que iria encontrar baleias na Península Valdez, mas não imaginava que as encontraria logo ali na praia de Puerto Madryn, devia ter pelo menos 3 delas… era só parar um tempinho e contemplar o horizonte que você via a cauda delas saindo para fora da água. Lindo, lindo, lindo de se ver. A natureza selvagem, os animais convivendo com os homens, elas não estavam sofrendo, encalhadas na areia, sendo pescadas… estavam ali, vivendo no lugar delas, livres e com respeito. Foi a primeira vez vimos baleias na vida. E não era no Sea World, era na casa delas. Foi tão emocionante.

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Calçadão

Calçadão

Vista do pier de Puerto Madryn

Vista do pier de Puerto Madryn

Andando no pier

Andando no pier

Vista da cidade a partir do pier

Vista da cidade a partir do pier

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2 baleias

2 baleias

Voltamos para a praia e ligamos para as famílias para contar a novidade.

Falando com a família

Falando com a família

Enquanto falávamos com a família, baleia lá na praia

Enquanto falávamos com a família, baleia lá na praia

Almoçamos um nhoque, ele foi servido nessas panelas de ferro, para se manter quentinho. Achamos uma graça.

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Como só iríamos fazer o passeio no dia seguinte, aproveitamos a tarde para visitar um dos mais bonitos museus da cidade, o Museu de Ciência Natural e Oceanográfico – Museo del Hombre y el Mar. Foi muito interessante, pois foi a primeira vez que vimos muitos dos animais originários da Patagônia, ainda que empalhados: ñandu, mara, zorro, zorrino, centolla, etc, além de um esqueleto de baleia completo e achados arqueológicos. A escadaria que leva ao farol é linda, assim como a vista lá de cima.

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Esqueleto de baleia e filhote de baleia suspensos dentro do Museu

Esqueleto de baleia e filhote de baleia suspensos dentro do Museu

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Escadaria do farol

Escadaria do farol

Vista do farol

Vista do farol

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À noite jantamos no Hostel e dormimos no quarto compartilhado com os suíço e o espanhol – no qual falo num post adiante. O suíço estava trocando de roupas e ficou de cueca numa boa na minha frente… Caio só falava: “não se vira, não se vira….” ronco e chulé completaram a noite… Mas serviu de experiência e de lição, foi o primeiro e único quarto compartilhado que pegamos na viagem. O barato não compensa, nesse caso, quando se está em casal. Mas para quem é solteiro e está viajando com amigos, achamos uma ótima oportunidade para socializar com outros viajantes e economizar.

No dia seguinte acordamos super cedo para pegar a excursão até a Península Valdez…

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Post original:

“Chegamos a Puerto Madryn hoje pela manha. No ônibus a temperatura estava normal, mas foi só descer na rodoviária pra sentir a diferença. Colocamos tudo o que podíamos de tocas e cachecóis e luvas pra suportar o vento gelado que faz aqui.

Mas a maior surpresa de toda nao foi essa, foi caminhar até a praia, q é no centro da cidade, e lá avistar pelo menos 3 BALEIAS!!! Assim, simples, passeando ali na beirinha da praia, como se fosse um cardume de peixes. Muito massa!”

O que sabemos sobre Puerto Madryn antes de viajar.



Puerto Madryn é uma cidade que fica na província de Chubut, é uma cidade litorânea, a leste da Argentina. Tem mais de 57 mil habitantes, com praias e muita atividade turística. Na verdade, não é a cidade em si que iremos visitar, mas a Península Valdez. Puerto Madryn é a porta de entrada para essa Península, que foi tombada como Patrimonio Natural da Humanidade (desde 1999).
A Península Valdez é um santuário de animais marinhos comuns na região austral. Podem-se observar baleias francas entre os meses de junho a dezembro. Em outras regiões da Península, há pinguineiras (como chama-se o local onde ficam os pinguins), loberias (onde ficam os lobos marinhos), elefantes marinhos, aves marinhas, guanacos, flamingos e até orcas (outubro a abril).