Caímos de amores por Bruges

{17 e 18 de abril de 2012}

Nossa primeira manhã na casa da Maria foi uma atração à parte. Ela nos preparou um café da manhã delicioso e caprichado, escolhendo especialmente os pães e a louça. Degustamos um omelete saboroso, café ou chá a nossa escolha, ao som de Je T’Aime (de Serge Gainsbourg), e nos embalos suaves dos quadris da simpática senhora ao preparar nossos omeletes. Depois do café, hora da nossa anfitriã nos indicar onde ir na cidade. Não pedimos, mas ela prontamente nos auxiliou, indicando o melhor roteiro, chocolaterias, cafés e restaurantes. Foi de uma gentileza imensa e extremamente útil, já que nosso guia (livro) não tinha informações tão boas quanto as dela.

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E então saímos para conhecer Bruges. Saindo da nossa casinha no Colettijnenhof passamos pelo Minnewaterpark, que estava todo florido com tulipas. Um belo lugar de passeio e com um lago charmoso.  Fomos em direção ao Begijnhof, local com casas históricas do século 13, que abrigava freiras. Visitamos a pequena igreja do local, onde acendemos uma vela em homenagem a uma outra Maria, nossa avó, que havia falecido 5 dias antes.

Dali em diante, “nos perdemos” pelas ruelas, vias e pontes sobre os canais da cidade, até chegar a Praça Burg. “Nos perder” é uma coisa que adoramos fazer nas cidades que visitamos. Sempre encontramos coisas especiais pelo caminho, é como aguardar uma surpresa a cada esquina, e assim também foi em Bruges, essa cidade medieval, linda e conservada. Com suas lojas de rendas, charretes, aldravas, pontes, canais, prédios e lojas de chocolate (nhami!)

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Visitamos o Markt, o Belfort (a torre do sino, onde foi filmada a cena final do filme “Em Bruges”), passamos pelas lojas de souvenir, pelas chocolaterias e nos deliciamos com o legítimo chocolate belga.  Por fim, voltamos a dar uma passadinha no Cambrinus, para jantar e conhecer mais algumas cervejas belgas.

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Achamos a cidade tão linda e tão agradável, que tivemos dó de ficar somente um dia para conhê-la. Decidimos ficar. Cancelamos nosso passeio em Bruxelas no dia seguinte, para aproveitar um pouco mais da cidade, e da hospitalidade da Maria.

A café da manhã do segundo dia na casa da Maria foi acompanhado do seu relato de como ela deixou de ser uma viajante para ser uma hospedeira de viajantes. Como ela perdeu seu amado esposo e companheiro, e como chegamos naquele dia ali, Brasileiros, hospedados na casa de uma Belga. Foi tão emocionante que eu chorei.

Aproveitamos a manhã desse dia para comprar as passagens de trêm para voltar à Paris. Demos mais algumas voltas pela cidade e andamos por um dos trechos mais bonitos, o Canal Steenhouwersdijk e Gronerei. Fomos ainda até os moinhos, que não são lá tão interessantes como os Holandeses. E na nossa volta até o Burg, caiu uma super chuva com vento que não deixou inteiro um só guarda-chuva de qualquer turista. Aí o negócio pegou, esfriou muito mesmo! A temperatura despencou, baixou de uns 5 ou 6 graus para abaixo de zero. Tentamos nos aquecer em bares e cafeterias, mas acabamos voltando para casa da Maria,  para nos agasalhar melhor antes de sair novamente para jantar a noite.

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Para saber um pouco mais de Bruges e algumas dicas do que visitar, recomendamos esse link aqui.

 

Das coisas que acontecem pelo caminho

{16 de abril de 2012}

De Rouen, pegamos um trêm para Paris, que era conexão para Bruges. Após uma espera gelada na estação de Rouen, chegamos a Paris na Gare de Lyon, e precisamos fazer uma conexão dessa estação à Estação Gare du Nord. Na hora de comprar os tickets do metrô, fomos abordados por um pedinte pedindo dinheiro. Falava francês, mas quando respondemos em português que não estávamos entendendo, ele repetiu a pergunta em inglês… (mendigo europeu, outro nível…).

Paris estava parecendo mais suja do que da vez anterior que estivemos ali. Ao pegar o metrô, outra desagradável surpresa. Uma mulher com uma garrafa de bebida alcóolica (cana, pinga, birita, 51? no baby, Champagne…) na mão e visivelmente embriagada, cantava e cambaleava no vagão. Lá pelas tantas, resolveu sair na estação onde o metrô parou, mas não saiu totalmente, ficou com metade do corpo pra fora, a outra metade pra dentro (pernas pra fora, cabeça pra dentro). E o metrô deu o sinal de partir e fechar as portas, nessa hora bateu o desespero em alguns passageiros, uns ficaram apavorados e começaram a gritar para a mulher sair, outros gritavam dizendo para deixá-la, que se virasse, outros já estavam prestes a apertar o botão de emergência… {Minuto de tensão!} Por fim, ela saiu do vagão cambaleando de costas, o metrô seguiu viagem e nós ficamos com aquela cara de susto olhando um para o outro.

Ao esperar o trem na Gare du Nord, resolvi dar uma passada no McDonalds que ficava bem próximo e comprei alguns macarons (McDonalds francês, fino….)
E então, finalmente, pegamos o trêm com destino a Bruges.

A viagem foi agradável e tranquila. Chegamos em Bruges por volta das 21h, já estava escuro. Mas resolvemos ir a pé mesmo até o nosso B&B. O local era perto, mas tivemos que passar por um parque, que em circunstâncias iguais no Brasil, jamais teríamos coragem de passar, escuro, a noite e sem policiamento. Mas lá foi tranquilo.

Parque que atravessamos para chegar no B&B, só que a noite.

Havíamos feito a reserva no Het Colettientje, um Bed & Breakfast comandado por uma senhora chamada Maria. Gostamos das referências encontradas sobre o local, por ser uma casa, e pela hospitalidade. Ao encontrarmos a casa, que ficava numa ruazinha parecida com  um condomínio fechado (mas sem ser fechado) de casas geminadas, avistamos um bilhete na porta. O bilhete dizia assim:

bilhete da Maria

“Olá Caio, eu não estou em casa. A chave está sobre o buxinho à esquerda. Seus quartos são no primeiro piso (as portas estão abertas). Eu retorno às 10h esta noite. O café da manhã é as 9h. Desculpe, Maria.”

Ficamos tão de cara com a confiança dela que começamos a rir (segurança européia, invejável…). E nessa ela nos ouviu e abriu a porta, já havia voltado do seu compromisso.

O condomínio onde ficava nosso B&B

O condomínio onde ficava nosso B&B

A Maria foi a pessoa mais marcante da nossa viagem. Uma pessoa gentil e acolhedora. Mas com uma personalidade forte, de quem já viveu muito e tem muita autoconfiança e autoridade. Falava muito, numa mistura de idiomas: inglês, francês, italiano e holandês. Ela literalmente mandava na gente, como se fosse nossa mãe: “agora vocês vão lá comer!”, “agora vocês vão sair”, “passem lá nessa cervejaria e tomem uma cerveja por mim!”, “saiam, saiam”, “sentem aqui agora”, “limpem o banheiro depois de tomar banho”, “não batam a porta” e assim por diante.

Mas ela foi uma ótima anfitriã e cicerone. Nos indicando restaurantes, chocolaterias e cervejarias, fora do eixo turístico, tudo através do mapinha que ela tinha em mãos, anotando tudo a caneta enquanto tagarelava sem parar.

Mapa com as orientações da Maria

A Maria.

Sua primeira indicação foi um sucesso entre a gente, e voltamos lá algumas vezes durante nossa estadia em Bruges. A cervejaria Cambrinus, um local com mais de 200 tipos de cervejas belgas e comida farta e saborosa.

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Na ida até o Cambrinus, atravessamos o pequeno centro histórico e praça central da cidade, e já ficamos impressionados com a beleza do local. Os prédios históricos iluminados e os canais nos deixaram encantados. Poucas cidades que já visitamos valorizam tão bem seus monumentos e prédios históricos a noite como Bruges.

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Nossa intenção era passar o dia seguinte em Bruges e no outro dia, seguir para Bruxelas. Mas depois das valiosas dicas da Maria, além do que vimos e adoramos na cidade, resolvemos passar mais um dia lá e dispensar o visita à Bruxelas.

Gauleses, Normandos e outros povos do passado

Esses dois aí de cima são o Asterix e o Obelix (aliás, o Obelix está segurando o mascote Ideafix), como a maioria deve saber. Esses personagens tão famosos das histórias em quadrinhos são guerreiros gauleses, cujas histórias se passam por volta do ano 50 a.C. Eles moram numa aldeia situada na península Armórica, ao norte da antiga Gália.

Gália, é o termo antigo usado para designar o atual território francês e Armórica é a região que constitui a atual península Bretanha. A Bretanha fica no noroeste da França, banhada pelo Canal da Mancha e o Oceano Atlântico. Uma das cidades dessa região banhadas pelo Canal da Mancha, é Saint-MaloSaint-Malo é uma comuna francesa na região da Bretanha, é quase divisa com a região da Normandia.

Normandia também fica no noroeste da França, colonizada pelos Normandos, é uma região conhecida pela II Guerra Mundial, a Batalha do Dia D, pelo queijo Camembert e pelos lindos castelos e cidades medievais, campos e falésias.

E aí você se pergunta: “Tá, e daí?”. E então eu te respondo: Saint Malo é a nossa porta de entrada para a Normandia, nosso destino de viagem em 2012. Sim, vamos para o tão lindo e almejado interior da França, onde maravam Asterix e Obelix.

Mas nem só isso, vamos começar por Londres, Stonehenge, e depois passamos pela Bélgica, em duas cidades e fechamos com a nossa querida Cidade Luz, que sempre vale a pena visitar.

A viagem desse ano será mais curta, só 15 dias. Mas será em dobro, com meu irmão e minha cunhada para nos fazer companhia.

Portanto, esteja de olho nos próximos posts, porque a aventura vai recomeçar.

 

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O dia em que quase nos perdemos na Europa.

Saímos super cedo de Amsterdã, as ruas ainda estavam bem vazias, com exceção de algumas pessoas montando suas barraquinhas de brechó nos melhores pontos (esquinas e pontes) das ruas centrais. Pelo que ouvimos, essas barraquinhas são tradicionais no Queen’s Day.

Os moradores de Amsterdã são muito queridos e receptivos, os funcionários do metrô estavam inconformados com nossa partida justamente no Dia da Rainha. E nos recomendavam retornar a Amsterdã no futuro. Adoramos a simpatia.

A viagem de volta foi demorada, mas bem mais confortável, pois o ônibus estava praticamente vazio. Um episódio que marcou nossa volta foi a paradinha para o lanche no horário do almoço.

O motorista do ônibus parou num posto de beira de estrada e simplesmente saiu em direção a lanchonete, sem dar aviso nenhum. Os passageiros olharam uns para os outros, sem entender, e resolveram descer também, inclusive nós. Ótimo para comprar um lanchinho e dar uma passadinha no banheiro. Detalhe número 1, todos desceram do ônibus e deixaram suas bolsas e bagagens lá, inclusive nós, o que confesso, não foi nem um pouco confortável para mim, que fiquei angustiadíssima em saber que nossas câmeras fotográficas, ipods, e diversas outras coisas de valor ficaram lá, disponíveis para algum batedor de carteira ou cleptomaníamo que estivesse passando por perto. Mas pelo que vi, para os europeus, não há problema nenhum em abandonar os seus pertencer a própria sorte. Por que afinal, cada um respeita o seu limite e não sai roubando as coisas alheias por puro prazer (mesmo que seja um objeto perdido).

Continuando, até sermos atendidos e entendidos pela funcionária do estabelecimento, já havia passado uns 10 minutos. Muitos resolveram comer seus lanches por ali mesmo, inclusive meu marido, mas eu não, aquela sensação de perder nossas coisas no ônibus não saia da minha cabeça e isso serviu para alguma coisa. Decidi voltar. Cheguei no ônibus e verifiquei às pressas se as coisas continuavam por lá. Por sorte estavam. Mas eis que o motorista ligou o ônibus e começou a andar! Aaaah bonito! Recupero as câmeras fotográficas e perco o marido num posto de estrada em algum lugar entre Amsterdã e Bruxelas??? Corri até o motorista e pedi para ele esperar um minutinho pois meu marido ainda não havia voltado… e fiquei naquela situação: “desço pra buscá-lo e corro o risco de perder toda a nossa bagagem, ou espero e torço para o motorista ter paciência?”

Por muita sorte, lá veio o Caio, com mais um casal de “atrasados”. Foi só o tempo do último colocar o pé dentro de ônibus que o motorista partiu, ficamos chocados e começamos a reparar nos acentos em volta para conferir se todos os nossos companheiros de viagem estavam por lá. Demos por falta de pelo menos dois deles, dois homens que pareciam turcos. Que assim como todos os outros, deixaram seus pertences dentro do ônibus e que a essa altura, ainda estavam lá… Chocados elevados ao cubo! O motorista simplesmente foi embora, não avisou ninguém, não contou, não conferiu se estavam todos ali. Ninguém se manifestou. E lá se foram, duas bolsas viajando sozinhas entre dois países. E dois extrangeiros perdidos na estrada.

Chegando em Bruxelas, houve a troca de motoristas. O motorista deu uma passada geral pra conferir os passageiros e encontrou as bolsas perdidas. Só então perguntou de quem eram. E algumas pessoas, eu inclusive, muito indignada, falei que eram dos “dois pobres coitados que você deixou na estrada!” (Não falei exatamente assim, mas gostaria de ter falado!) E ele recolheu as bolsas.

O segundo motorista então continuou a viagem até Paris. E aí eu me pergunto até hoje: e as possíveis bagagens dos indivíduos que estavam no porta malas do ônibus, foram até Paris?? E os caras conseguiram recuperar essas bagagens? E o que eles fizeram quando perceberam que o ônibus havia partido? E O QUE A GENTE FARIA SE EU NÃO TIVESSE VOLTADO ANTES PARA O ÔNIBUS?

Essa história se passou em 30 de abril de 2010.