Cotia e Embu das Artes

{7 de dezembro de 2014}

No domingo tomamos o café da manhã numa padaria bonitinha na região onde minha irmã mora, e fomos em direção a Cotia, queríamos visitar o templo Budista Zu Lai, com raíz no Budismo Mahayana. É relativamente perto de São Paulo, se você considerar o trânsito de domingo, em 20 minutos estávamos lá. Estava um lindo dia de sol e o templo ficou ainda mais bonito por conta disso. Estava acontecendo uma cerimônia lá, os mantras cantados a múltiplas vozes emanavam pelo local, criando uma atmosfera de paz e tranquilidade. Lugar lindo para se visitar. Nos fundos há o Jardim Japonês do templo, com um lago cheio de tartarugas (mais de 40, fácil), ponte, trilha na mata. Local muito bonito e agradável. Se não fosse o resto da nossa programação para o dia, teria passado mais tempo ali, relaxando.

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Dali seguimos caminho para a cidade de Embu das Artes. A cidade tem como principal atrativo turístico sua fama artística, conquistada ao longo dos anos com importantes artistas premiados e reconhecidos internacionalmente (Cássio M’Boy, Sakai de Embu, Solano Trindade) e também por sua Feira de Artes e Artesanato nos finais de semana, iniciada com os hippies desde o final da década de 1960.

É uma cidade cuja origem foi uma aldeia indígena, que posteriormente foi “dominada” pelos jesuítas e mais tarde, pelos bandeirantes. É uma cidade antiga e tem seus casarios arcaicos embelezando as ruelas do centro histórico. Fazia tempo que estava na minha lista de “Lugares Para Eu Conhecer na Vida”. Finalmente surgiu a oportunidade com minha querida irmã, que a uns 6 anos resolveu se mudar para São Paulo e por lá foi ficando. A cidade é lindinha, como eu disse, casas antigas, coloridas, ladeiras, luminárias bonitas, aroma gostoso de comida no ar… aquela cara de Brasil clássico, cara de interior de Minas Gerais (ainda está na minha lista). E para mim (e quase todas as mulheres que eu conheço) que amam artesanato, é de ficar doidinha querendo descobrir tudo. Mas não é lugar para crianças pequenas na idade do Gael. Muita gente circulando pela feira, tem que ficar de olho constantemente, pois se não está mexendo em algo que possivelmente quebre, está sumindo. E haja coração pra tanto susto que levamos. Entre vários “Cadê o Gael” e “Gael, não mexe!” o cansaço foi tomando conta do pobre menino e ele adormeceu no colo do pai. Que também já estava de saco cheio de tanto perambular pelas lojinhas e resolveu sentar-se com ele num banquinho enquanto eu e minha irmã andamos só mais um pouquinho.

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Em certo momento Caio sentou-se numa praça com o Gael no colo, para nos esperar e ele dormir num local mais fresco, já que estava fazendo muito calor. Tinha uma banda tocando uns chorinhos e ele achou que seria um bom som para embalar o sono dele. Mas aconteceu de alguém notar um pássaro diferente nos galhos da árvore acima deles e começaram a apontar e se admirar, nisso foi juntando mais gente, e mais falação, e mais muvuca, todos em volta do lugar onde estava sentado. Quando finalmente o tal pássaro voou e a turba se dispersou, a banda resolveu tocar o parabéns pra você para alguém, e voltou a bagunça novamente, foi quando ele desistiu do local. E nós também, resolvemos ir embora.

Chegando novamente em São Paulo, no apartamento da minha irmã, ainda era dia. Como estávamos todos bem cansados, resolvemos passar o resto do dia em casa. Aproveitamos para ficar com o pequeno na brinquedoteca do condomínio. Era final da tarde quando resolvemos levá-lo até a piscina, só para molhar os pés. Era uma piscina infantil, a empolgação foi tomando conta dele e ele se divertiu mais ali do que em qualquer lugar no fim de semana inteiro. Foi a maior festa. Tiramos ele quando começou a ventar muito e o sol se pôr, mas ele foi aos prantos até o chuveiro.

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Voltamos para nossa cidade na manhã do dia seguinte. Felizes por nossa primeira viagem em família, cheia de novas exigências e experiências, mas com muitas boas lembranças e histórias para contar. Hoje, passados 9 meses da viagem, Gael lembra de muito pouca coisa, a não ser olhando as fotos. Mas nós três, pais e Dinda, lembramos de tudo com muito carinho.

Mini-férias em São Paulo

{ 4 a 6 de dezembro de 2014] 

Nossa primeira viagem nacional em família foi um fim de semana prolongado em São Paulo. Foi o primeiro voo de avião do nosso pequeno novo acompanhante.

Gael sempre foi entusiasmado com avião, entrar na aeronave, sentar-se, olhar pela janela e dizer tchau para a vovó Ciça foi tudo bem. Quando o avião se posicionou para a decolagem, ligou as turbinas e pegou aquela velocidade típica, ele sentiu medo, arregalou os olhos, fez cara de sério e se agarrou no meu pescoço. Aos pouquinhos se soltou e ficou comigo observando a terra lá em baixo ficar cada vez mais longe. Quando notou a altura, bateu outro medo, queria sair de perto da janela. Não queria nem olhar para ela. Ficou no colo do pai folhando uma revista. Tentei chamar atenção dele mais de uma vez para olhar pela janela e ver as nuvens por cima, todas sem sucesso. Ele definitivamente não achou nada daquilo interessante. Fora a parte de olhar pela janela e notar que estávamos literalmente voando, os acentos do avião se tornaram um playground. Bebês de até dois anos não pagam passagem aérea, mas também não têm direito a acento na aeronave. Por sorte o voo estava bem vazio e conseguimos sentar na última fileira de poltronas, com uma delas vaga entre nós dois, assim ele pôde explorar toda a energia latente de um bebê de um ano e sete meses que precisa ficar parado por quase uma hora.

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Chegando em São Paulo, ficamos hospedados na casa da Dinda Tati (madrinha do Gael e minha irmã). Antes de ir para sua casa, jantamos em uma panificadora. Em São Paulo é bem típico ter panificadoras que são verdadeiros restaurantes e ficam abertos até tarde da noite. Nessa, além do buffet de comida quente, havia ainda buffet de sopas e pizza à la carte, que foi nossa opção e que estava deliciosa. Tudo era festa para o nosso pequeno viajante.

No dia seguinte era sexta-feira. Dinda Tati pegou o dia de folga e programamos de ir até o Aquário de São Paulo. O Aquário é um lugar muito bacana para se visitar, seja para adultos ou acompanhados de crianças. Eu já estive lá em outra oportunidade, sem criança, só com meus irmãos, cunhada e minha mãe, e foi também muito legal. Mas logicamente, com criança, a diversão é muito maior. Poder ensinar algo para uma criança e ver suas reações ao ver pela primeira vez algum animal ou objeto, é um prazer sem igual. Passamos um bom tempo lá, e pelo que eu soube, de lá pra cá ele já mudou, passou por reforma e ampliação. Mas na oportunidade, Gael gostou de ver o jabuti comendo banana, adorou o enorme aquário dos tubarões e arraias que se parece com um submarino, se impressionou e ficou um pouco assustado com o dinossauro mecânico (acho que esse é um setor que não tem mais no museu), não deu a mínima para os morcegos, preferiu brincar na rampa que havia nesta sala, não deu bola para os pinguins (que eu jurava que daria) e o que ele mais gostou mesmo foi do Leão Marinho empalhado. Mas ele se divertiu muito de qualquer forma, e nós também. O aquário não é tão impressionante como o de Lisboa, mas é uma ótima opção de passeio em São Paulo ainda assim. Gael saiu de lá exausto e com fome.

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Olha, o Nemo!

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Aí vem o detalhe prático dessa nossa mini-férias em São Paulo, nós estávamos nos locomovendo de carona com minha irmã e ela havia conseguido uma cadeirinha infantil para o Gael, isso facilitou muito nossa vida e nos deu agilidade e segurança. Além do fato importantíssimo de ele poder dormir no carro, pois ainda é bebê e necessita dos cochilos diurnos. Andar pela cidade de carro é algo muito diferente do que costumávamos fazer em nossas viagens, pelo menos com essa idade dele, carro e cadeirinha foram essenciais.

Nesse dia ainda havíamos planejado ir no Zoológico (sim, eu sou empolgada), mas realiza meu bem, estávamos em São Paulo, numa sexta feira, trânsito do inferno e longas distâncias, após esse passeio pelo aquário e o almoço que fizemos num shopping, tentamos ir até o zoo, mas ainda estávamos presos no trânsito quando demos conta de que já era quatro horas da tarde, e o zoo fechava as cinco. Desistimos de ir nesse dia e deixamos o passeio lá para o dia seguinte.

No dia seguinte, acordamos cedo e fomos para o zoológico. E quando a gente está com criança, precisa ser muito prático, pois o cedo pode acabar se tornando tarde, por exemplo, nesse dia, acabamos chegando ao zoo já era onze horas da manhã. São Paulo tem dois zôos, o Safari e o Zoológico de São Paulo. O Safari você faz a visita de carro, e é bem legal também, você faz no seu ritmo, visualiza os animais de perto, alguns até você interage, dando ração e eles comem na sua mão, o avestruz chega até a colocar a cabeça para dentro do seu carro. E na parte dos macacos eles te obrigam a fechar as janelas, caso contrário, você é bem capaz de levar um macaquinho de brinde, ou ele te “furtar” alguma coisa… mas lógico, os mais “perigosos” ainda estão atrás de cercas, como o Leão e os Tigres. Mas com o Gael não fomos nesse não, fomos no zoológico tradicional, que percorre-se a pé. O Zoo de São Paulo, tenho que tirar o chapéu, é um dos mais bonitos e com melhor estrutura para os animais que nós já visitamos. – Não que tenhamos visitado muitos, até por que não somos muito de acordo com a situação encarcerada dos animais. Mas ali a gente ficou feliz em ver que a maioria deles está vivendo numa área grande e de acordo com sua origem. Além do mais, era a primeira vez que o Gael veria ao vivo os animais que já faziam parte da sua infância desde que nasceu e de seu vocabulário desde que aprendeu a falar. Não sei quem estava mais entusiasmado, ele ou nós três adultos babões.

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Hipopótamo

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É lindo de se ver a reação dos pequenos ao ver ao vivo, pela primeira vez, seus bichinhos favoritos. Quando viu a Girafa ele falou: “gaaaaandii”. E quando viu o elefante ficou rindo de alegria. Leão ficou de boca aberta. E assim por diante. Foi muito divertido. Ele adorou o passeio, estava um dia quente, mas o passeio está repleto de árvores. O local é muito bem servido de lanchonetes e restaurantes, eu diria que é até um exagero, parece que o povo fica faminto, sei lá… mas também não há do que se queixar a respeito dos banheiros, tem muitos deles espalhados pelo espaço. O zoo é muito grande, não levamos carrinho para andar com ele, e decidimos não fazer a visita completa, por conta do tempo e do cansaço, ainda faltou vários animais para visitar.

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fazendo amigos pelo caminho

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Viu o elefante

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Dalí fomos até o Mercado Municipal para almoçar o famoso sanduíche de mortadela. Enfrentamos aquela fila enorme até vagar uma mesa. Não conseguimos comer todo o sanduíche e mais 3 bolinhos de bacalhau, era muita comida. Fizemos umas comprinhas básiquinhas por ali, demos uma voltinha pelo mercado e já era 16h30 da tarde! Pagamos uma fortuna no estacionamento e queríamos ir dali até o Museu do Catavento, um museu de ciências todo interativo, que ficava a poucas quadras. Decidimos ir de carro, mas dar a volta em meia dúzia de quadras até chegar ao museu, levou 20 minutos. Chegamos lá faltava poucos minutos para as 17 horas e fomos barrados no estacionamento, o guarda nos avisou que o museu já estava fechado. Só se quiséssemos ver a parte externa. Concordamos, e ele nos avisou que teria que pagar o estacionamento, mas ao invés dos 10 reais normais, sairia 15 reais, para deixar o carro ali. – What? pagar mais caro para estacionar e ainda ver o museu só pelo lado de fora? Indignados, saímos dali. Ficamos com pena, pois era um lugar que queríamos muito conhecer, mas teve que ficar para outra oportunidade.

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Mas o dia ainda não tinha acabado, resolvemos ir até o Bairro da Liberdade, também na mesma região de São Paulo, e que eu sempre amo ir. Como era sábado, tinha feira, e foi divertido. Pegamos até um desile/apresentação cultural japonesa. Gael ficou bem interessado com o colorido das fantasias e a música.

IMG_2404 IMG_2420Dali tivemos a ideia de passear de Metrô com o Gael. Ele estava aficionado por trens, mas nunca tinha visto um trem ao vivo, era a oportunidade. Descemos à Estação da Liberdade, pegamos o metrô, fomos até a Estação da Luz e subimos até as plataformas dos trens. A Estação da Luz é uma das mais antigas estações ferroviárias de São Paulo, sua estrutura atual foi construída em 1900. Sua arquitetura é linda e dali você pode conhecer o Museu da Língua Portuguesa e a Pinacoteca do Estado, dois importantes museus da cidade (e do Brasil). Mas ficamos só nos trens mesmo. Gael ficou um pouco assustado com a novidade. Se impressionou com a velocidade do metrô, e ficou bem apreensivo dentro dele. Mas se sentiu muito feliz ao caminhar “sozinho” entre uma entrada de linha para outra, no meio daquela multidão de gente tranquila de sábado a tarde, (logicamente, com 3 pares de olhos atentos sobre ele).

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Nesse período estava acontecendo na Pinacoteca a exposição de esculturas gigantes do australiano Ron Mueck, que eu estava louca pra ver. Mas depois de conferir o tamanho da fila que dava volta na quadra, desistimos.

Para terminar o dia, fomos até o Parque do Ibirapuera. Como era época de Natal, acontece ali o Show das Águas no lago principal, após anoitecer. Chegamos cedo, pegamos um ótimo lugar e o Gael ainda brincou bastante na grama com a gente. Ao cair a noite, as árvores ao nosso redor se assenderam, cobertas de luzes de natal, houve um coro de óóóhhh! Foi lindo. Quando começou o show, ele fez amizade com uma menina de uns 5 anos que estava do lado dele e lhe tinha oferecido pipoca. Ele se apaixonou por ela, e segurou sua mão enquanto ambos assistiam o show das águas, na verdade ele não tinha mais olhos para as águas, só para ela. Chorou por ter que ir embora.

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