Barcelona, 4º dia

No nosso penúltimo dia em Barcelona, fomos até mais uma casa do Gaudí, a Casa Vicens. Essa é uma daquelas casas menos conhecidas, mas não menos interessante, ela foi a primeira obra importante do arquiteto, construída entre 1883 e 1888. Ela foi feita sob encomenda para um empresário árabe do ramo de azulejos, Manuel Vicens Montaner. Por isso ela foi construída com estilo mudéjar, ou seja, árabe muçulmano, e é quase completamente coberta por azulejos e mosaicos. Ela foi feita antes das casas Milá e Batló, portanto, antes da influência marcante do estilo Art Nouveau, carregado de escultura orgânicas. Diferente das outras casas do arquiteto, essa não chega a ser um ponto turístico, afinal, ainda há moradores nela. Tampouco veem-se turistas ao redor dela tirando fotos. Além de nós dois, só um outro casal estava lá para tirar fotos e admirar a beleza.

Como essa casa fica num bairro, antes de entrar novamente na estação do metrô, encontramos uma loja ‘mára’ de bolsas e acessórios. Compramos presentinhos por lá por um preço bem mais em conta que as lojas do centro.

De lá, fomos até o famoso Hospital de La Santa Creu i Sant Pau, que é conhecido pela sua arquitetura. Ele ocupa uma quadra inteira , são 48 pavilhões e os prédios estão na diagonal (45 graus), ao invés de alinhados com as ruas. Os portões principais de entrada são lindos, e a fachada principal é imponente. Bem de frente a essa fachada, se você olhar para o lado oposto, em direção à rua, surpresa! A igreja da Sagrada família, distante só algumas quadras, bem ali, como se estivesse no meio da rua.

Fomos novamente em direção ao bairro gótico e resolvemos procurar uma loja que encontramos por lá outro dia, para comprar uns posters de Barcelona, que achamos lindos. Demos umas voltas a mais por ali, sempre bonito, e partimos então em direção a Barceloneta, que eu ainda não conhecia. A Barceloneta é um bairro antigo da cidade, primeiramente dedicado aos pescadores e revitalizado com o passar dos anos, ao lado do porto e da Praia. Os edifícios interligados formam túneis para a passagens dos carros e a área é repleta de restaurantes típicos e praças, parece uma cidadezinha de praia. Ali encontramos (numa papelaria) um tubo de papelão para levarmos os posters… que por sinal, descobri que em espanhol, se chama TUBO também.

Ruas do Barri Gótic

Iluminação Pública, Plaça de Sant Jaume

Iluminação Pública, Plaça de Sant Jaume

Bairro Gótico - galeria de arte

Veleiros em uma marina no Port Vell

Barceloneta

Barceloneta

O dia estava nublado e feio. Mesmo assim, a praia estava bem movimentada. Ficamos ali um tempo, sentados, apreciando o movimento e a areia da praia.. mal se via a água, por causa da neblina que vinha do mar. Mesmo assim, não é sempre que você está numa praia banhada pelo Mar Mediterrâneo, então aproveitamos até quando começamos a espirrar e fungar, daí achamos melhor voltar.

um singelo calçadão...

é... nem todos os dias são de sol nas nossas férias...

Para fechar a noite, não podíamos ir a Espanha e deixar de comer uma legítima Paella. Fomos a um Pub, onde estava passando o jogo do Barcelona contra o Inter de Milão. Foi interessante ver os torcedores de Barcelona torcerem pelo seu time.

E antes de ir para o Hostel, passamos novamente no Passeig de Grácia para tirar fotos da Casa Batló a noite, que fica linda.

A Barcelona de Gaudí.

19 de Abril, segunda, foi o dia de visitar as principais atrações – do meu ponto de vista – de Barcelona, as obras do Gaudí: Casa Milá, Casa Batló e a Igreja da Sagrada Família. Começamos já meio tarde, é verdade, pois primeiro tentamos providenciar as passagens para Paris, já que os aeroportos estavam fechados, tentamos ir até a estação de trens, para tentar conseguir uma passagem por lá. Não foi surpresa encontrar uma estação simplesmente lotada de pessoas tentando conseguir um trem para algum lugar. Trens para Paris estavam impossíveis, se quer para comprar passagens antecipadamente. Nossa viagem para Paris seria somente na quinta, queriamos tentar comprar passagens para esse dia, em substituição às passagens aéreas que já haviamos comprado e o hostel que já estava reservado. Mas só havia passagens para o sábado. Um dos funcionários nos indicou comprar passagens rodoviárias (assim como indicou para mais umas 200 pessoas). Fomos até lá (era do outro lado da rua), mas estava mais lotado que terminal urbano em horário de rush. No way!

Decidimos relaxar e curtir o dia vendo o que faz de Barcelona ser tão conhecida. A primeira casa de Gaudí que visitamos foi a Casa Batló. Ela fica no meio da quadra, ao lado de duas outras casas também de arquitetura singular, mas não tão famosas e com entradas não tão caras quanto a Batló, esse conjunto de três casas é conhecido também como Manzana de la Discòrdia. (acredito que seja por causa da ousadia na arquitetura da época). Batló é uma casa típica do estilo Art Nouveau, na minha opinião, o exemplar mais expressivo do movimento artístico. Ela é extravagante por fora e ainda mais por dentro. Infelizmente o preço estava muito salgado para conferir se realmente ela era extravagante por dentro, mas para mim valeu a pena a visão que tive por fora. Diferente da Casa Milá, ela é colorida e vibrante.

Continuando no Passeig de Gràcia, umas duas quadras acima, você chega na Casa Milá. Mas nosso mapa estava levemente errado, e indicava a localização da casa em outra rua… O Caio já havia visitado a Casa na outra vez que ele foi para Barcelona, mas não havia entrado no prédio e tampouco lembrava da localização exata. Minha ansiedade em ver a casa dos meus sonhos era grande, e eu pedi ao Caio que chegasse por uma rua que desse de frente para ela, e não pelo lado, para que a minha primeira visão da casa fosse assim como eu a vi outras vezes, em meus sonhos e por fotos. – Abrindo um parentes aqui, antes de entrar na faculdade eu sonhei diversas vezes com um prédio muito maluco, que ficava numa esquina, o terraço dele era diferente de tudo o que eu tinha visto, sinuoso, com torres que lembravam estátuas, o prédio era cheio de passagens secretas e uma escadaria em caracol… quando eu vi a foto da Casa Milá pela primeira vez, em uma aula de História da Arte lá pelo primeiro ano da faculdade, eu me arrepiei: era a casa com que eu havia sonhado.)  Por isso eu tenho esse fascínio pelas obras do Gaudí e por isso que nossa gata se chama Milá, isso realmente me impressionou.

Enfim, roda e roda, finalmente chegamos a ela. E foi assim como eu queria, de frente, de esquina. Emocionante como imaginei que seria. Estava de óculos de sol e o Caio não percebeu, mas meus olhos se encheram de lágrimas (ok, pode parecer bobo para você, mas para mim foi um momento especial da viagem). Eu tirei muitas, muitas fotos da casa. Logicamente não da para postar todas aqui, e olha, foi bem difícil fazer essa seleção. Mas aqui vai como eu e Caio vivemos esse momento.

Dalí fomos para outra imponente construção do arquiteto, a Igreja da Sagrada Família. A Igreja é algo tão marcante para Barcelona quanto a Eiffel é para Paris. Ela é visível em quase todos os pontos mais altos da cidade. De perto ela é como uma pintura complexa, que você pode passar horas admirando e lendo cada detalhe, cada escultura.  A Sagrada Família tem dois lados distintos, a fachada da Natividade, do lado leste, e a fachada da Paixão, do lado oeste. A fachada da Natividade (onde está representado o nascimento de Cristo), foi a parte em que o arquiteto trabalhou, começou a construir. Infelizmente, ele faleceu (atropelado por um bonde! – morte estúpida) antes de concluir sua obra. A Igreja foi iniciada em 1882, com o arquiteto Francisco de Paula del Villar, mas em 1883, passou aos cuidados de Gaudí, que trabalho nela até o fim da sua vida (1926). Após sua morte, a construção foi interrompida, sem estar se quer pela metade. Nos anos 50 começou sua reconstrução, que dura até hoje. E os guindastes em volta dela simplesmente fazem parte da paisagem a anos. Caio esteve lá a 3 anos atrás e as fotos que ele tirou na época também saíram com os benditos guindastes.  Fazer o quê?! faz parte do show. Quem sabe quando nossos filhos ou netos visitarem Barcelona, poderão dizer: “nossos pais estiveram aqui na época da construção da Sagrada Família!” (vamos ver o lado positivo, né?)

Concluindo, a construção é impressionante, eu fique muito tempo olhando para tudo aquilo. A fachada da Natividade é muito mais bonita que a fachada da Paixão, mas temos de respeitar essa diferença. A única coisa que não toleramos foi o preço abusivo da entrada, 17 euros!! E o nosso tal Barcelona Card nos dava incrível 1 euro de desconto para essa entrada… ficou pro próximo dia e em horário de missa. O dia começou a nublar e a chuva estava chegando, resolvemos voltar para o Hostel. Achou pouco para um dia só? Ah, não se engane… leva tempo para visitar as obras desse arquiteto.

Montjuïc

Tulipas nos Jardins de Montjuïc

No nosso segundo dia em Barcelona fomos ao Montjuïc (eu acho esse nome tão lindo, acho que vou guardá-lo para meu próximo pet). Essa bairro, ao lado do porto, possui um dos mais importantes parques de Barcelona, conhecido como Montjuïc, mas que reune em uma extensa área, 2 jardins, 1 parque, o complexo olímpico das Olimpíadas de 1992 e diversos museus, além do Castell de Montjuïc e o cemitério de Montjuïc. Ufa! coisas para andar um dia inteiro!

Nesse dia andamos muito muito mesmo. Pegamos o funicular, que por sorte ficava na estação de metro mais próxima do hostel. Logo que você chega no alto do funicular já tem uma vista linda da cidade e da Igreja da Sagrada Família. Alí há duas opções para chegar ao Castell, nosso primeior distino, ou iríamos de teleférico (caro) ou a pé (cansativo, pois ainda tem bastante coisa para subir). Decidimos ir a pé, pois eu sou uma acrofóbica assumida e tenho aversão a teleféricos. Foi ótimo, pois passamos pelos jardins lindos e cobertos de tulipas que se extendem até o Castell.

Vista a partir do Montjuïc, depois que descemos do funicular.

O Castell é uma construção imponente, e a vista de lá para o mar, o porto e a cidade de Barcelona, vale muito a pena. Mas eu achei que ele não tinha a mesma áurea histórica, medieval e pitoresca que os outros dois castelos que havíamos visitado em Portugal. Ele me pareceu quase urbano demais.

Descemos então em direção ao complexo olímpico, passando novamente pelos jardins e pelo jardim botânico. Como era domingo, havia muita gente brincando, fazendo pic nic e aproveitando a tarde de sol nos parques. Fomos até o Estádio Olímpico, uma construção imponente, por sorte encontramos os portões abertos e deu pra tirar uma fotos legais de seu interior. Continuando na parte olímpica, fomos até a praça do Palau Sant Jordi, onde tem o monumento da tocha olímpica. Foi muito legal ver de perto uma coisa que eu só vi pela televisão quando ainda era criança. Desse ponto dá para ver o cemitério de Montjuïc, que até parece uma cidadela em cima da colina. Segundo nosso guia, bem antes dos romanos construirem seu santuário a Júpiter (Jovis), povos da pré-história estabeleceram-se nessa região e ali já enterravam seus mortos. “A atribuição tradicional da etimología de Montjuic é a de “Monte dos judeus”, supostamente do catalão medieval, motivada pela existência, confirmada pelos documentos e a arqueologia, de um cemitério judeu na montanha.” Infelizmente só tiramos fotos de longe, hoje, pesquisando a respeito eu concluo que o cemitério vale uma visita.

Estádio Olímpico

Palau San Jordit

Aos fundos, Cemitério de Montjuïc

De lá continuamos descendo até o Poble Espanhol, cuja entrada é bem carinha e o tal do Barcelona Pass dá míseros 2 euros de desconto. Ficamos sabendo, que na verdade ela é a reconstrução de uma vila medieval catalã, o que, convenhamos, parece ser um engana turista. Achamos melhor deixar para uma próxima. O Caio já tinha visitado e não me pareceu muito entusiasmado para ver novamente. Passamos então pelos jardins do Museu Nacional de Arte da Catalúnia, que é magnífico e enorme. O prédio e os jardins são lindos, não entramos por que não conhecemos muito sobre a arte catalã e preferimos seguir adiante para conhecer os lugares que realmente interessavam.

Museu Nacional de Arte da CAtalúnia

De lá pegamos um metrô e fomos até a Finca Güell, que era uma das casas de Gaudí que eu fazia questão de conhecer. A Finca Güell fica na região universitária de Barcelona, e naquele domingo estava bem deserta. Apesar de só poder vê-la por fora, eu adorei! A fantástica escultura de dragão no portão é uma obra de arte.

Finca Güell

Para fechar o dia, pegamos outro metrô e fomos até o esperadíssimo queridíssimo Parque Güell (também do Gaudí). A estação de metro mais perto fica, digamos, bem longinha, e tivemos que ir a pé até lá, subindo uma baita escadaria, que só na Europa mesmo, era formada por escadas rolantes, tinham bem uns 4 ou 5 lances de escadas rolantes, e mais uns 2 ou 3 de escadas fixas. Era fim de tarde, solzinho fraco se pondo, domingo, o parque lotado, músicos tocando gaita e aquele exemplar único de arquitetura orgânica do Gaudí fechando o charme e a atmosfera deliciosa do lugar. Simplesmente adorei! Fotos e mais fotos para conferir.

Uma das vistas do Parque Güell

Se você ainda não percebeu, Gaudí é meu arquiteto favorito e simplesmente sou apaixonada pelas obras dele. Barcelona, para mim, foi a realização do sonho de conhecer de perto suas obras. No Parque Güell há uma lojinha (lógico), vendendo diversos artigos relacionados. Compramos um livro dele por lá. Aí nesse Parque também há o Museu Casa Gaudí, que me perdoem os mantenedores desse Museu, mas é a coisa mais decepcionante relacionada ao Gaudí que eu já vi na vida. Uma casa onde ele morou por poucos anos, cujo arquiteto é um pupilo dele. Dentro, pouquíssimas peças de uso pessoal dele, algumas peças que ele desenhou para outros locais e estão ali totalmente mal ambientadas, uma lojinha e vários funcionários emburrados, além de uma entrada ridiculamente injusta.

Museu Cada Gaudí

Voltamos para o Hostel no fim da tarde (9 da noite), e para jantar, Pizza no Domini que ficava na esquina da rua do Hostel. \o/

E então, fomos para Barcelona

Apesar do início da disseminação das cinzas do Vulcão Eyjafjallajökull (aquele mesmo, da Islândia) pela Europa e o fechamento de muitos aeroportos, o aeroporto de Lisboa e de Barcelona, mais ao sul, não chegaram a ser afetados nesse dia. Graças a isso, conseguimos seguir viagem e chegar a Barcelona no dia 17 de abril, sábado.

Barcelona já é uma cidade agitada por si só, mas no sábado, pareceu mais agitada ainda. Depois de devidamente instalados no Hostel Mambo Tango, saímos a andar e caímos nas Ramblas, a avenida mais famosa de Barcelona. Essa avenida é uma loucura, movimentadíssima, centenas de artistas de rua imitando estátuas, bares com suas mesas espalhadas na ilha central das ramplas, servindo a famosa sangria de vinho, bancas de souvenirs, flores e pequenos animais sendo vendidos deliberadamente. Além dos milhares de turistas se esbarrando para poder caminhar.

Descemos até o cais, onde o agito toma conta e os barceloneses passam as tardes nos gramados, alimentando os peixes ou andando de roller. Aí compramos o Barcelona Card, que depois descobrimos não valer muito a pena, a não ser pela passagem de metrô livre durante os 4 dias que é válido o cartão.

Na volta, subimos em direção ao bairro gótico e fomos até a Catedral de Barcelona. O bairro gótico é como uma área medieval no centro de uma cidade cosmopolita. Apesar das centenas de turistas antando por ali naquele sábado movimentado, havia um certo ar nostálgico ao andar por aquelas ruas carregadas de história. Prédios históricos, ruas estreitas e becos, com a cor ocre das paredes e alguns antiquários completam o cenário. Andamos também por aquela praça onde foi filmado Albergue Espanhol e onde há os lampeões criados por Gaudí, a Praça Real, .

A Catedral de Barcelona, cujo nome na verdade é Catedral de Santa Eulália, é muito linda. Ela foi construída sobre uma antiga basília romana, a construção começou no final do século XIII e foi concluída somente no século XIX. Em estilo gótico catalão, a iluminação, as colunas e arcos góticos, os vitrais e as diversas capelas nas laterais da nave, fazem dessa Catedral um local único e admirável. No momento em que a visitamos estava acontecendo uma missa, o que me chamou a atenção nessa igreja é que a missa era transmitida em diversos televisores de LCD espalhados pela igreja.  Na praça em frente a ela nos deparamos com uma daquelas situações inusitadas, estava acontecendo a tradicional Sardana, uma dança típica de Barcelona, onde pessoas de todas as idades – a maioria da terceira – dançam em roda, com as mãos dadas e levantadas, fazendo passinhos coordenados com os pés, ao sons de uma banda. É muito divertido, dá vontade de entrar na dança com eles.

Por fim, entramos novamente nas Ramblas e encontramos o mercado público municipal, que é coloridamente lindo. Fiquei super entusiasmada com tantas frutas, docinhos, sementes e frutos do mar tão apetitosamente arrumados. Tirei algumas fotos, mas acho que os espanhóis não gostaram muito, e acabei por achar mais prudente guardar a câmera antes de ser expulsa dali.

Para jantar, comemos as tradicionais tapas em um restaurante brasileiro.