Presos no aeroporto por conta do Vulcão

Depois de um mês de férias muito bem curtidas, estamos de volta ao nosso amado Brasil. Nossa volta foi conturbada em função das cinzas (tardias) do vulcão da Islândia. E fomos dois dentre as centenas de brasileiros presos em Lisboa sem expectativa de voo para voltar ao Brasil. Sem expectativa de retorno, sem o mínimo de conforto, sem informações concisas e com muita falta de respeito. A TAP deixou muita gente P da vida com esse episódio. Vou descrever aqui como foi nossa experiência desagradável de fim de viagem.

Sairíamos às 19 horas do dia 10 de maio, de Roma com destino a Lisboa. Fomos para o aeroporto já as 11h30 da manhã. Esperamos até as 19 horas para saber que nosso voo sairía atrasado, a cada 30 minutos o voo era atrasado um pouco mais. Resultado, saímos de lá as 23h30, sendo que nosso voo para o Brasil, em Lisboa, sairía as 23h50.

Chegamos em Lisboa às 2h30 da manhã do dia seguinte. Na saída do avião fomos avisados que passageiros com conexão para outros locais deveriam procurar um funcionário TAP para fazer a transferência. Quando entramos no aeroporto nos dirigimos ao setor de transferência. Que tinha uma fila relativamente curta e um único funcionário. A fila simplesmente não andava, ficamos cerca de 1 hora na fila e fomos informados pelo funcionário (que por sinal estava louco para ir embora e se livrar daquele povo todo), que ele não poderia fazer o nosso check in para o próximo voo, pois nossos nomes não constavam na lista. Fomos orientados a nos dirigir ao Centro de Atendimento ao Consumidor da Tap, para conseguir hotel e o novo check in, e quanto as malas, poderíamos deixar elas aos cuidados deles que elas seriam transferidas automaticamente ao Brasil no nosso próximo voo.

Na saída desse setor, a passagem é obrigatória pelo setor de esteiras/retirada de bagagem. Ficamos boquiabertos com a quantidade de pessoas nesse saguão, e mais ainda com a quantidade de malas abandonadas por todos os lados, sobre as esteiras ou no corredor. A nossa sorte foi que nesse momento o alto falante anunciou que as bagagens do voo com destino a Guarulhos estariam disponíveis para os passageiros na esteira X. Nos encontrávamos ao lado dela, e logo em seguida pegamos nossa bagagem. Foi nossa sorte, pois quase metade dos passageiros que vieram conosco no voo ao Brasil perderam suas bagagens.

Depois dali nos dirigimos a Central de Atendimento ao Consumidor da TAP. Encontramos facilmente, o difícil foi encontrar o final da fila, que dava voltas e mais voltas no aeroporto. Sem exageros, devia ter próximo de 700 pessoas naquela fila imensa. Naquele momento, às 4 da manhã, foi quando uma única funcionária da TAP chegou à Central de Atendimento para atender todas aquelas pessoas, que já estavam esperando ali desde a meia-noite. Ficamos nessa fila até as 8h30 da manhã, quando descobrimos que não havia solução nenhuma por parte da TAP. Sem previsão de voos, sem explicações, sem ajuda, sem hotel para nos hospedar. O único “conforto” que nos proporcionaram foram vouchers individuais de 16 euros em alimentação para passarmos o dia.

Os Brasileiros chamaram a televisão. Alguns tentaram contatar a embaixada e o consulado brasileiro em Lisboa, sem resultados. O problema pareceu ser só com os voos com destino ao Brasil. Brasileiros revoltados começaram a se manifestar e exigir alguma explicação. Unidos, invadiram a fila de check-in da TAP, do guichê 84 a 89, como forma de precionar os funcionários da companhia aérea. Aos poucos o boca-a-boca fez unir todos os brasileiros nessa área. A TAP nos prometeu dar alguma resposta até as 11 horas da manhã. Por volta das 11h30 tivemos o comunicado de que sairia um voo com destino ao Rio de Janeiro às 15h30 da tarde. Sob palmas quase metade dos brasileiros se dirigiu a fila de check-in para esse voo. A medida acalmou os outros brasileiros, esperançosos de ter seu voo para São Paulo e Brasília saindo nas próximas horas. Mas aos poucos todos acabaram tendo o mesmo sentimento que eu, de que a saída do voo para o RJ foi um “cala boca” para acalmar os ânimos e ganhar tempo enquanto se tomava alguma providência.

Nesse interim, começaram a abrir voos (de rotina) para Salvador, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte. Nós não entendíamos, tampouco alguém nos explicava, o por quê de saírem voos para esses lugares e não para São Paulo e Brasília, sendo que, teoricamente, a rota sobre o Atlântico até Recife, é a mesma para qualquer um dos voos.

Sem resposta por mais 1h30, os brasileiros encontraram um dos funcionários da companhia e ameaçaram, se dentro de meia hora não tivéssemos alguma resposta, invadiríamos mais 10 guichês da TAP, impedindo que qualquer outro cliente fizesse check-in. Em meia hora nos foi dado a notícia de um vôo extra para São Paulo, que sairia as 18 horas da tarde. E o voo para Brasília não sairia, mas os passageiros seriam alocados no voo do Rio de Janeiro.

Após o check-in nos dirigimos ao portão de embarque e lá esperamos até as 19h30 horas para começar a embarcar. No mesmo voo foram incluídos muitos passageiros com destino a Brasília, cujos voos haviam sido cancelados desde sábado. O voo para São Paulo saiu de Lisboa por volta das 20 horas (horário de Lisboa) e chegou ao Brasil às 2h30 da manhã (horário de Brasília – considerando a diferença de fuso horário de 4 horas). Em Guarulhos tivemos que esperar até o primeiro voo para Curitiba, entrando em fila de espera e conseguindo, com sorte, uma vaga para esse voo. Resultado da jornada, chegamos em Joinville às 11h30 da manhã, 24 horas de atraso, 2 dias sem banho, 2 dias sem dormir, 2 dias só entre aeroportos e aeronaves e muito, muito cansados.

Contudo, isso não apagou nem diminui todas as boas e maravilhosas experiências que passamos nesses 30 dias de viagem. Por falta de tempo e dificuldades de acesso, o blog não teve atualizações constantes e nos dias previstos, mas de agora em diante iremos continuar a descrever (espero) o restante da viagem, aos poucos e com todo carinho. Acompanhe e aproveite!

Aprenda a estacionar com os Romanos

Antes que essa nossa vigem acabe, faltou falar de uma peculiaridade a mais a respeito de Roma.

Não pudemos deixar de notar o jeito caprichoso dos Romanos na hora de dirigir. Os carros são impecáveis, nenhum arranhão, muita paciência no trânsito e muita habilidade na hora de estacionar. São realmente exemplares. Como vocês poderão notar abaixo. #sendoirônica

Mesmo assim, a gente ama Roma!

🙂

Só mais um pouquinho

No nosso quarto dia em Roma, o tempo já estava bem melhor, deu até um calorzinho. Fomos para a zona sul de Roma, em direção à Trastevere. Descemos até o Teatro di Marcello, em ruinas, e logo depois, até o Tempio di Vesta e o Tempio della Fortuna Virilis.

Teatro di Marcello

Tempio della Fortuna Virilis

Tempio di Vesta

Fomos então à Igreja Santa Maria in Cosmedin, que é a uma antiga igreja medieval e que contém os restos de um antigo templo grego do século VIII, além dos possíveis restos mortais de São Valentim. O local é bastante singelo, mas o que mais atrai os turistas é a famosa Boca della Veritá, uma pedra esculpida com o deus do mar Oceanus. A escultura fica no pórtico da Igreja, é possivelmente do primeiro século da antiga Roma quando, na verdade, tratava-se de uma tampa de esgoto. Entretanto, ficou conhecida a partir da idade média, quando se originou a crença de que ela cortaria a mão de quem mentisse.

Bocca della Verità

Interior da Igreja Santa Maria in Cosmedin

Fragmento de mosaico grego do séc. VIII

Nosso passeio continuou pelas margens do Rio Tibre e passando pela ponte Fabricio, construída em 62 a.C. chegamos à Isola Tiberina, uma ilha com construções medievais muito charmosas.

Isola Tiberina

Ponte Fabrício

No quinto dia em Roma, visitamos a igreja de Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, local onde antigamente fora os Banhos de Diocleciano, posteriormente foi transformado em Igreja sob projeto de Michelangelo e sofreu algumas outras reformas para se converter no que é hoje. A igreja é imensa, mas o fiéis são pouquíssimos, não chegam a preencher o saguão em frente ao altar. Quem vê sua fachada, jamais diria que trata-se de uma igreja.

Igreja de Santa Maria degli Angeli e dei Martiri - antigo banho Romano

Piazza della República e a Fontana delle Naiadi

Interior da Igreja de Santa Maria degli Angeli

Para terminar nosso passeio em Roma, visitamos a cripta de Santa Maria della Concezione, construída em 1624, onde estão os restos mortais de 4 mil monges capuchinhos. Os monges acreditavam na ressureição da carne, e por isso enterravam e preservavam seus corpos para a vida pós ressureição. Com a afirmação da igreja católica de que a ressureição era do espírito e não da carne, a tradição foi se perdendo com o passar dos tempos, não sem antes uma pequena insistência por parte desses monges. Um dos líderes era parente do Papa em questão nessa época, e este conseguiu permitir a manutenção dos corpos sob aquela igreja. Eles aceitaram a decisão da igreja, mas preferiram manter pelo menos partes dos corpos, em respeito aos que morreram e caso precisassem no futuro. E aí foram criadas 5 capelas com os restos mortais dos monges, formando adornos, colunas, candelabros e altares, todos de ossos empilhados, alguns até com os corpos dos monges inteiros, ainda vestidos com suas vestes originais. A mais perturbadora de todas as capelas é a que contém os pequenos corpos de duas crianças, sobrinhas do monge em questão. A entrada nessa cripta é gratuíta, mas eles aceitam doações e vendem cartões postais para arrecadar fundos para manutenção. Uma boa opção para os turistas, já que não é possível fotografar o recinto. É um daqueles locais que a gente vê em programas de tv e tem até a curiosidade mórbida de ver de perto. Mas garanto que não é tão prazeroso assim.

Uma da capelas da Cripta dos Capuchinhos (digitalizado de postal)

 

Outra capela da Cripta dos Capuchinhos (digitalizado de postal)

Nossos últimas horas em solo Romano foram de compras, mais um jantar no Hard Rock Café, descanço no hotel e muuuito aeroporto.

Ups! quase ia esquecendo de um outro país

No dia 07 de maio, visitamos outro país (ou Cidade Estado): o Vaticano!

Antes de sair do Hotel, naquele dia de manhã, perguntei ao Caio: é hoje que iremos visitar o Vaticano? e isso me soou tão surpreendente! Foi um desses momentos que eu parei para refletir sobre o que estava acontecendo e quão importante era tudo isso. Eu estava a quase 1 mês viajando pela Europa, conhecendo não só um, mas 4 (ou 5) países. Demorou 30 anos para eu conhecer pessoalmente aquilo que antes só via através da mídia. E aquilo era real, eu estava ali, e a simples frase: “hoje vamos visitar o Vaticano” sendo dita como algo concreto, verdadeiro, próximo, possível de realizar, a alguns minutos de uma viagem de metrô, me fez dar conta de tudo o que tinha vivído nos últimos dias. E que um sonho como esse não é impossível de realizar. Não que o Vaticano fosse o principal motivo de nossa viagem, nem que fosse o mais esperado local para eu conhecer. Mas para mim, o local sempre me pareceu tão distante e inacessível que eu nunca pensei em realmente estar lá. E aí me fez pensar também como os Europeus são tão sortudos por nascerem na Europa, não? O que para nós é algo quase como sonho, para eles é trivial.

Mas enfim. Esse foi o dia em que passamos horas numa fila imensa na praça São Pedro para visitar a Basílica de San Pietro – aliás, você sabia que os restos do apóstolo Pedro estão comprovadamente enterrados sobre a Basílica?  Estive frente a frente com a Pietá, de Michelangelo. Vi os túmulos suntuosos de alguns Papas e admirei de perto o Baldaquino e a Cúpula da Igreja. Comprei souvenirs católicos dentro da Basílica. Visitei o Museu do Vaticano. E vislumbrei, com respeito e admiração, uma das maiores maravilhas da Renascença, a Capela Sistina.

Pude ver de perto a Guarda do Vaticano (Guarda Suiça), cujos trajes foram desenhados pelo próprio Michelangelo. Fiquei impressionada com as quantidade de obras pagãs (estátuas de outros deuses, por exemplo, gregas e romanas) que fazem parte do acervo do Museu do Vaticano.

Após essa visita, caminhamos até o Castelo de Santo Ângelo, também conhecido como o Mausoléo de Adriano, que se liga ao Vaticano pelo muro que o cerca, há uma “passagem secreta” dentro do muro, por onde, inclusive, o Papa Clemente VII fugiu em ocasião do Saque de Roma, em 7 de maio de 1527. Mas obviamente, a tal passagem não é acessível ao público.

Andamos ao longo do rio Tibre, descobrindo em cada quadra alguma ruína de tempos remotos. Fomos até a Piazza del Popolo, passando pela famosa Via del Corso, com muitas lojas de grifes. Subimos até Villa Borghese, de onde se tem uma vista linda da cidade e do Vaticano, e depois descemos pela Piazza di Spagna, local frequentadíssimo pelos romanos e turistas, principalmente aos sábados, dia do nosso passeio.

Estátuas sobre os prédios da Piazza San Pietro

Piazza San Pietro e a Basílica

Pietá, de Michelangelo

Dentro da Basílica

Túmulo (ou Cenotáfio) de um dos Papas (João XXIII)

O Baldaquino e uma parte da nave central

A Guarda Suiça com seus uniformes desenhados por Michelangelo

Muros da Cidade Estado

Dentro do Museu do Vaticano

Estátuas (de outros deuses?)

Jardins do Vaticano

Escadaria/rampa em espiral, para sair do museu

Castelo de Santo Ângelo

Rio Tibre

Igrejas gêmeas de Santa Maria del Popolo

Vista do Vaticano, a partir do mirante de Villa Borghese

Piazza di Spagna

PS: Por uma questão de respeito e preservação, não é permitido tirar fotos da Capela Sistina, por isso não há nenhuma foto da nossa visita aqui. Mas, para quem quiser ter uma idéia de como ela é por dentro, tridimensionalmente, só clicar aqui e admirar um pouco. Nada se compara a estar lá pessoalmente, mas isso chega muito perto.

Overdose Romana

Tá com paciência e vontade de saber um pouco mais sobre Roma? Então senta que o post é grande. Vem comigo. 

No dia 06 de maio, saímos para conhecer um pouco mais de Roma. Nosso primeiro destino foi a Igreja Santa Maria Maggiore, que dizem ser a mais fina igreja de Roma, em função da grande quantidade de ouro provinda do Novo Mundo (oi? somos nós?) e dos seus vitrais. Segundo nosso guia (livro), há nessa igreja uma réplica da manjedoura de Cristo, abaixo você poderá conferir a foto…

Dali seguimos novamente em direção à Cidade Antiga. Visitamos o Circo Massimo, que era uma arena próxima ao Coliseu onde, naquele tempo, se realizavam corridas de biga. Atualmente é uma grande área aberta com gramado, onde alguns jovens casais de namorados vem passar as tardes sob as árvores.

Teto da Igreja de Santa Maria Maggiore, adornado com o ouro do Novo Mundo

Réplica da mangedoura de Cristo, identico não?

Circo Massimo

Como disse anteriormente, tentamos usar nossos ingressos para visitar o que faltava do Foro Romano, o que não foi possível, pois o voucher é válido para 1 dia somente e achamos que não valeria a pena comprar os ingressos novamente. Então circulamos os muros do Foro Romano (pobre? haha) mas dali já deu pra ver muita coisa interessante e muitas ruinas, inclusive o local que fora prisão dos apóstolos Pedro e Paulo. – Na verdade Roma é um grande sítio arqueológico, tem diversas ruinas espalhadas pela cidade, é impressionante de ver. Por isso não existem muitas linhas de metrô em Roma, a cada escavação, se encontra algo. Pensando por esse lado, pagar para ver ruinas é bem coisa para turista.

O tempo não colaborou muito conosco nesses dias e começou uma garoa fina. É sempre bom levar guarda-chuva na mochila. Queríamos visitar a Igreja San Clemente, ainda nessa região. O interessante dessa igreja é que no seu piso inferior, existe ainda um antigo templo mitraico e um altar com a imagem de Mitras em um ritual matando um touro. Há ainda ruas de 1900 anos, restos de edifícios e um córrego subterrâneo que, acredita-se, ser o antigo sistema de esgoto de Roma. Vale a pena a visita, mas nós não conseguimos entrar. Pois na hora em que ali chegamos estava acontecendo um velório. Resolvemos primeiro ir almoçar e voltar mais tarde. Só que quando voltamos o velório estava realmente terminando, o corpo saindo para o sepultamento e tal, e foi só o corpo sair, as portas da Igreja foram fechadas, ou melhor, trancadas por assim dizer.

Foro Romano - ruínas

Prisão dos apóstolos Pedro e Paulo

Mais um pouquinho da cidade antiga

Dali seguimos para o centro. Passamos ainda por algumas igrejas e uma loja que nos chamou a atenção, trajes e acessórios para padres, bispos e outros membros da igreja. Tem de tudo ali: mantos, camisas, sapatos, chapéus (me desculpem, não sei os termos corretos para essas vestimentas) até anéis, crucifixos e kits para algo como benzimento ou exorcismo. Isso sem falar nos preços, coisas como a capa de um “lecionário” em prata e basalto, esculpido a mão, por 970 euros.

Visitamos também a Igreja de Santa Maria sopra Minerva – mais um exemplar de Igreja Católica construído sobre um antigo templo ao culto de um deus romano: nesse caso, Minerva. – Dentro, mais uma obra de Michelangelo, Cristo Ressucitado. E o túmulo de Santa Catarina de Siena. Eu achei as rosáceas dessa igreja mais bonitas que a da Santa Maria Maggiore.

Loja de roupas sacras

Mais da vitrine

Santa Maria sopra Minerva, interior da igreja

Cristo Ressucitado, de Michelangelo

E então, chegamos ao Pantheon, mais um local destinado ao culto de outros deuses antigos romanos, foi construído sobre o templo de Marcus Agripa, pelo Imperador Adriano, em 118 a.C. Sua cúpula ainda é considerada a maior cúpula de concreto não armado do mundo, tem 43,3 metros de diâmetro. Atualmente ele pertence também a Igreja Católica, e serve de túmulo para grandes personalidades como Rafael e reis italianos (Vittore Emanuele II e Umberto I). A fachada estava em reforma e sua área externa é muito simples. Mas é impressionante estar dentro dele. A sua abertura central nem parece tão grande, mas tem 9 metros de diâmetro. Se não fosse tão cheio de turistas, com certeza seria um convite à meditação.

Logo ali tem a Piazza Navona, antes uma antiga pista de corrida romana, hoje é uma praça muito agitada, frequentada e cheia de cafés, artistas e turistas. Ali também se encontra a embaixada do Brasil, e foi onde paramos para tomar um sorvete italiano, delícia! A praça é muito linda, mas acredito que no verão deva ser insuportavelmente quente, pois é puro concreto, pedras e cimento, sem nenhuma sombra de árvore.

Lateral externa do Pantheon

Fachada em reforma

Cúpula com a abertura no topo

Interior do Pantheon - nenhuma foto consegue capturar a dimensão do local

Embaixada do Brasil

Artistas na Piazza Navona

Sorveteeee italiano, hmm!

O dia resolveu colaborar e abriu um restinho de sol. Mais uma pernada e chegamos a Fontana de Trevi, a mais famosa das fontes romanas, e a mais romântica. Abarrotada de turistas, ficou quase difícil de tirar alguma foto, e onde eu fiz a tradicional simpatia, de costas, jogar 1 moeda para voltar pra Itália, 2 para voltar pra Roma. A Fontana é muito linda, as águas tão límpidas e frescas, dá mesmo vontade de tomar um banho, como fizera Anita em La Dolce Vita.

E então, para fechar esse overdose de Roma no segundo dia, jantamos no Hard Rock Café, por incrível que pareça, um dos lugares com melhor custo x benefício em termos de refeições na cidade. Claro que é comida americana, se você procura algo tradicionalmente italiano, tem que ir nos restaurantes e cantinas italianas, mas já adianto que o preço é caro! Hard Rock é bom no preço e na comida, mas mais divertido ainda é ver de perto algumas relíquias dos astros do rock.

Fontana di Trevi

Fontana di Trevi

E a multidão em frente a Fontana

Hard Rock Café Roma

Interior do Hard Rock, e uma jaqueta do Elvis emoldurada na parede. Detalhe para o céu angelical.

E por fim…

Por fim, estivemos na cidade onde tudo começou. O berço da nossa civilização. O um dos maiores impérios da antiguidade. E talvez a cidade mais antiga de toda a Europa: Roma!

Roma foi nosso último destino na viagem. Chegamos no dia 05 de maio e nos hospedamos no Hotel Cesare Balbo Inn. Um hotel modesto mais muito acolhedor. Café da manhã no quarto e um recepcionista que mal sabia falar inglês. E o que mais as pessoas querem ver em Roma? O Coliseu, óbvio. Nosso Hotel ficava a algumas quadras do Coliseu, e esse foi nosso primeiro destino.

Para mim foi realmente a realização de um sonho. Conhecer pessoalmente o Coliseu, passear pelos seus corredores, seu museu com as réplicas das roupas dos gladiadores, nas diversas fases da história, dar a volta sobre suas arquibancadas e vê-lo sobre os mais diversos ângulos, foi uma experiência que recomendo a todos que gostam de história, lutas, antropologia, arquitetura e hollywood. Um detalhe que eu não sabia e que me deixou bastante surpresa é que o Coliseu está hoje ligado à Igreja Católica e a via Sacra da Sexta Feira Santa é concluída no Coliseu. (um lugar tão cheio de mortes e crueldade, irônico né?)

Depois disso, fomos visitar o Foro Romano. Uma relíquia histórica incrível, uma viagem no tempo. Ver aquela cidade com mais de 2 mil anos ainda preservada e andar por ela, é realmente fascinante. O que eu mais lamento na visita à Roma, foi ter gasto tempo demais na visita ao Coliseu e não conseguir ver tudo no Foro Romano. Compra-se um ticket que dá direito a visitar as duas obras. Mas a visita só é permitida até as 17h (ou 18h) e por isso não conseguimos ver tudo naquele dia, tivemos que sair antes. E ninguém nos avisou que o ingresso era válido por só um dia.

Mas o pôr do sol daquele fim de dia renderam fotos e lembranças incríveis.

Firenze, a cidade dos grandes mestres da Renascença

Florença foi nosso penúltimo destino na Itália. Passamos somente duas noites na cidade que foi o berço do Renascimento Italiano. Mas valeu a pena cada segundo.

Florença é uma cidade no meio da Toscana, a maior da Região. Mas ainda preserva seu aspecto de cidade histórica. Por ela passaram os gênios da pintura: Michelangelo, Leonardo da Vinci, Giotto, Botticelli, Rafael Sanzio e Donatello. O casarão dos Médici, família que governou a região durante muito tempo, a Sinagoga (Tempio Maggior), considerada uma das mais belas da Europa, a Ponte Vecchio, a catedral Santa Maria del Fiore, são algumas das atrações que visitamos.

Sinagoga

Infelizmente nos dias de nossa visita o tempo não estava tão bom, mas ainda assim acho que as fotos ficaram bonitas e isso não deixou a cidade menos linda para mim. Andamos muito pela cidade, a pé, que considero o melhor jeito para visitar qualquer cidade e se sentir um pouco parte dela.

Uma das primeiras coisas que fizemos ao sair do Hostel, foi caminhar até o rio Arno e ver a Ponte Vecchio, que eu achei fascinante. Casarios construídos sobre a ponte (antes mercadores, hoje lojas de artigos turísticos e de luxo) dão uma característica única e impressionante à construção. Vê-la de fora é mais interessante do que passar por ela.

Lojas sobre a ponte Vecchio

Visitamos também a Basílica de Santa Croce, e me perdoem os que gostam dessa igreja, mas eu achei pura enganação (ou falta de informação da minha parte). Há fila para entrar na tal igreja, e você precisa pagar para entrar, pois supostamente contém os túmulos de personalidades famosas como Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, Machiavelli, etc.. e que, no fim, são só Cenotáfios – Monumento fúnebre erigido à memória de alguém, mas que não necessariamente contém os restos mortais desse. Em compensação, a Igreja é um grande sarcófago, onde estão enterradas centenas de pessoas (padres, bispos, famílias nobres, algumas personalidades de época, provavelmente, etc). Não há sequer bancos na igreja, o chão é todo cheio de túmulos. E as laterais, de cenotáfios, mausoléus e jazigos.

Cenotáfio de Michelangelo

Homenagem a Leonardo Da Vinci

Átrio da Basílica de Santa Croce

Visitamos Santa Maria del Fiore, a basílica cujo Duomo impressiona, principalmente internamente, acho que passei alguns minutos olhando para os afrescos (e rachaduras) que o compõem. E então subi até o último nível do Campanário di Giotto, que tem quase 85 metros de altura. Por escadas estreitas e ultra cansativas. Mas a vista de lá é recompensante, dá pra ver a cidade inteira e a região da toscana em volta, com seus campos, montanhas e vilarejos vizinhos. Para mim, subir pelas escadarias da torre me pareceu uma viagem no tempo, ao tempo de sua construção (séc. XIV).

Campanário de Giotto

Escadaria da Torre

Dentro da Torre

Cúpula - clique para ver maior

Basílica de Santa Croce

Lá no morro tem uma das 3 estátuas de Davi que existem em Firenze

Os arredores da Cidade

Adoro esse romantismo inocente das cidades européias

Uma cópia da estátua de Davi, obra de Michelangelo, na Piazza della Signoria era uma das coisas que eu fazia questão de ver, e vi. A praça estava lotada, dizem que é o coração de Florença, e palco das principais manifestações culturais da cidade.  Nessa praça me lembro do filme Hanibal, em que ele enforca seu delator no terceiro filme da série.

Davi

Passamos também pela casa onde morou Dante Alighieri, pela Galleria degli Uffizi – museu que abriga as principais obras do Renascimento Italiano, entre elas, o Nascimento de Venus. E pela feirinha de artesanato e couro no centro antigo, maravilhosa! Fechando com uma caneca de Guiness num pub local, minha primeira experiência com a cerveja.

Casa de Dante Alighieri

Outra característica marcante de Florença é o número de igrejas (católicas) por metro quadrado, acho que é uma das maiores concentrações no mundo, só na quadra do nosso hostel haviam 4! Na estação ferroviária, enquanto esperávamos o trem para Roma, fiz uma das fotos mais significativas e fortuitas da nossa vida.

Casa - trabalho, trabalho - casa. É hora de mudar o itinerário.

Florença é linda! Uma cidade romântica e inesquecível. Cheia de arte, história e locais para conhecer. Me deu saudades dela agora escrevendo o post. É uma cidade que merece ser visitada.

Estivemos em Florença nos dias 3, 4 e 5 de Maio de 2010.

A famosa Torre de….

Depois de sair de Veneza, pegamos um trem para Florença (Firenze). E isso me faz lembrar de uma das primeiras aulas de italiano. “Io vado a Firenze.” Na viagem de trem pudemos conferir um pouco das maravilhosas paisagens da Toscana.

Nos instalamos em Florença, mas no dia seguinte cedo pegamos um trem para Pisa, que fica a cerca de 1 hora de Florença. Cortada pelo rio Arno, a comuna de Pisa é pequena e tem aquele jeito típico italiano, com casarios antigos cor de ocre, terracota e cinza. O principal ponto turístico, como todos sabem, é a Torre de Pisa e para lá que fomos.

Descobri mais tarde que foram descobertos resquícios arqueológicos sob a estação ferroviária, que remetem a um importante porto pluvial da época do império Romano. E isso me fez querer estar lá novamente, para ver de perto as embarcações encontradas pelos arqueólogos.

Torre de Pisa

A Torre de Pisa  – que na verdade é um campanário da Catedral de Pisa – é um das obras mais fotografados e conhecidos do mundo e já foi considerada uma das 7 maravilhas. Por isso, não vou entrar em detalhes da Torre em si, mas vou falar nesse post sobre o que há ao redor da Torre e outras curiosidades sobre o local.

Existem centenas de turistas tirando fotos. E a criatividade para aparentar estar escorando a torre, vai muito além do trivial.

Poses pra foto - tem que ser criativo

Uma vista que poucos tiram fotos é desse ângulo aqui. Acho que é por esse lado que chegam os orientais, pois haviam mais indianos nesse lado, como podem ver abaixo:

Do outro lado da torre - mais poses

Base

Junto à Catedral

Como todo ponto turístico, há sempre centenas de camelôs vendendo souvenirs (de gosto duvidoso) e sempre tem alguém querendo ganhar um troquinho com os turistas vislumbrados, como andar de charrete pela cidade, por exemplo. Não experimentamos, mas eu achei bonitinho o chapeuzinho do cavalo.

Gostei do chapeuzinho de crochê

Como não há muito o que ver em Pisa além da Torre, passeamos um pouquinho pela cidade, e degustamos mais um maravilhoso sorvete italiano antes de voltar a Firenze.

La Serenissima

Quando estávamos fazendo o roteiro da viagem, eu insisti em conhecer Veneza. Afinal, uma cidade tão exótica e que corre o risco de deixar de existir (por causa do aquecimento global, enfim…), precisava ser visitada. Veneza é, sem dúvida, um dos lugares mais lindos, singulares e interessantes em que já estivemos.

Pegamos 2 dias de tempo nublado na cidade, o que foi uma pena, pois tudo ficaria ainda mais lindo com sol. Mas, como o Caio já me havia dito anteriormente, chove muito em Veneza, então, foi uma sorte não pegar chuva. Não andamos de gôndola, o que realmente pareceu muito romântico. Mas é categoricamente um passeio para turistas, dispostos a pagar o preço. Nós preferimos se perder pelos labirintos de ruelas estreitas, pontes e becos e nos surpreender a cada esquina ao encontrar recantos lindos e paisagens dignas dos melhores sonhos europeus.

Isso é uma rua.

Isso também é uma rua, e tem até nome

Andamos algumas vezes de vaporetto pelo grande canal, e isso é uma experiência que recomendamos, pois você tem uma visão de dentro dos canais para os casarões que os margeiam. Lindas construções históricas, pitorescas e com os “pésinhos na água”.


Outras coisas interessantes que vimos, ao andar pelas ruelas, foram lojas de máscaras e fantasias do carnaval de Veneza, muitas lojas que vendiam cristais de murano muitos falsificados e outras com doces maravilhosos na vitrine.

Visita a Piazza San Marco, e subida no Campanário da Basílica de San Marcos – só eu subi, pois o Caio já havia subido na visita anterior dele à cidade – e de lá consegui fazer umas fotos estilo paparazzi dele… A vista de lá vale muito a pena, dá pra ver Veneza inteira, as ilhas ao redor e o continente.


Outras coisas singelas que me fazem lembrar da cidade/ilha:
– O sino da igreja próxima ao hotel, que tocava pontualmente de 1 em 1 hora, todas as badaladas referente àquela hora.
– Água do canal que inundava parte da recepção do hotel
– O janelão de uns 2,5 metros de altura do nosso quarto.
– Boutiques de marcas famozérrimas (Ferrari, Gucci, Dolce & Gabbana)

E gente, pode ser que era por causa do tempo sem sol, mas não senti nenhum cheiro ruim no ar, como já ouvi falar. Tenho só mais uma coisa a dizer: saudades de Veneza…

Siamo andati a Venezia.

Dia 01 de maio de 2010, dia do trabalho, chegamos a Veneza, nossa primeira cidade na Itália. (sim, na Itália também era Dia do Trabalho, vai ver que por isso alguns funcionários do aeroporto e do vaporeto estavam para pouca
conversa.)

Depois de ter passado mais uma deliciosa noite em Paris num hotel muito digno, com DUAS camas de casal no quarto e vista para a Torre Eiffel (tá, era nas proximidades do aeroporto, mas ainda dava pra ver a Torre). Tivemos um
daqueles dias demoraaaaados onde gastamos mais tempo no aeroporto e em viagem do que em qualquer outro passeio. Mas finalmente, no final da tarde, chegamos a Veneza. Nossa sorte é anoitecer tarde na Europa nesse período do ano.

O traslado do aeroporto Marco Polo até as ilhas, pode ser feito de táxi barco, ou de vaporetto. Fizemos a opção mais barata, vaporeto, um barco ônibus coletivo. E foi ótimo. Passamos pelos canais entre as ilhas da região, como Murano e Burano, e por isso conseguimos ver um pouco dessas belas localidades.

Nosso hotel ficava perto da ponte de Rialto, uma das principais estações do Grande Canal, mas não foi lá que descemos, descemos na Piazza San Marco, bem ali, do lado das gôndolas ancoradas e a essa hora, cobertas e devidamente protegidas.

Minha primeira impressão de Veneza foi ótima, um labirinto de ruelas estreitas, nenhum carro, moto ou bicicleta, só pedestres nas ruas, e barcos ou gôndolas nos canais. Andar por lá a noite, foi como estar num filme.

Depois de devidamente instalados no nosso hotelzinho na beira de um canal, fomos procurar um restaurante. E acabamos jantando numa cantina tipicamente italiana. O que comemos?? Pizza! Lógico!

Depois disso, ligação pra família no alto da ponte de Rialto, especialmente para meu pai, de família italiana, para quem eu prometi que um dia iria conhecer a Itália pessoalmente, e lá estava eu, falando da Itália com meu pai no Brasil. Foi um momento inesquecível. (Obrigada, amor! ♥)