Mais alguns últimos desejos na Cidade Luz

{21 de abril de 2012.}

Nós, meu irmão e minha cunhada tínhamos desejos diferentes sobre Paris, para nós, era a segunda e terceira vez que estávamos por lá, para eles, era a primeira. Por isso havia coisas que eles queriam ver que já tínhamos visto. E por isso nos dividimos na maioria dos dias. Mas no sábado de manhã, queriamos ver uma coisa em comum, as Catacumbas de Paris.

Fomos até o local, e descobrimos que não éramos os únicos que tiveram a brilhante ideia! Tinha mais umas centenas de pessoas ansiosos por visitar as Catacumbas, a fila dava a volta na praça e estávamos a uns bons 100 metros da entrada. Demos uma chance ao destino e aguardamos por cerca de 1 hora, na qual devemos ter andado coisa de 3 metros… Como era nosso último dia em Paris e a tarde já iríamos embora, decidimos não perder mais tempo ali naquela fila e deixar as Catacumbas para uma próxima vez…

Nos separamos, eu e Caio fomos ver outro ponto da cidade que eu prometi a mim mesma que não deixaria de ver essa vez, os Canais de St. Martin, aquele onde a Amelie Poulain joga as pedrinhas *—* – como não amar? O canal é longo e foi construído em 1802 a mando de Napoleão, para suprir a necessidade de água para uma então população crescente na cidade. Como não é trajeto natural da água, ele foi construído com uma serie de eclusas para compensar os desníveis. Existe um passeio que se faz a bordo de um barco, para turistas, mas nós, mochileiros que somos, optamos por fazer o trajeto a pé mesmo e foi lindo da mesma forma.

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Se eu joguei pedrinha? Não.. não tive coragem. Parecia que estaria cometendo um vandalismo. Mas devia ter jogado…

De lá fomos até o bairro mais intelectual de Paris, Saint-Germain-des-Prés, onde vimos a igreja de mesmo nome, a mais antiga de Paris ainda de pé. Mas não fomos lá para isso, a verdade é que eu queria realizar um último desejo a respeito da cidade, comprar e provar os legítimos macarons, e tinha que ser na Ladurée, a mais tradicional fabricante do doce no mundo (eu já tinha comido os macarons em Paris na nossa passada por ali quanto viajávamos de Rouen para Brugges, mas era do McDonalds, não vale). Na nossa última visita, eu lembrava de ter passado por uma loja deles nesse bairro, ficava numa esquina. E eu queria encontrá-la novamente, mas no mapa que tínhamos em mãos ela não estava sinalizada e veja bem, nesse ano ainda não tinhamos smartphones para nos ajudar (o mundo até já tinha, mas nós ainda não). Por isso andamos um tempão por diversas ruas, mas finalmente comecei a reconhecer o lugar e voilá! lá estava ela, na mesma rua, mesma esquina e com a mesma vitrine maravilhosa. Fiquei orgulhosa da minha capacidade de memorização espacial e muito dividida na hora de selecionar os 8 sabores de macarons que minha caixa tinha direito. 🙂

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E com isso acabaram nossos passeios em Paris dessa vez. Voltamos para o Hostel onde nos reencontramos com nosso casal padrinhos de casamento e companheiros da viagem, e pegamos um taxi para o aeroporto, onde fizemos um último micro tour pela cidade ao som de Michel Teló “Ai se eu te pego”!!! (sim, o sucesso chegou em Paris).

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Ao sair de lá e agora, reescrevendo nossa trajetória nesse blog, me pego pensando em como Paris oferece coisas para visitar e conhecer, ela é linda e fascinante sob diversos aspectos, e mesmo que eu morasse uma vida inteira lá, ainda teria coisas para conhecer, ou mesmo rever sob outros ângulos, que sempre acabam nos surpreendendo, como ao decolar do aeroporto ao anoitecer, onde vi uma das mais belas visões da minha vida, a Cidade Luz vista do céu. Uma pena que nenhuma foto que eu tenha tirado conseguiu retratar, de fato, o que eu vi.

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Nossa viagem de volta para casa não teve nenhum imprevisto dessa vez. Quando chegamos em Curitiba, a primeira coisa que fizemos foi almoçar numa churrascaria, para matar a saudade de comer carne e comida brasileira. E assim terminou nossa segunda viagem juntos para a Europa.

Visita especial em Paris

20 de abril de 2012.

Nesse dia, fomos novamente até Roland Garros, eu e Caio. Ao lado de Roland Garros tem um parque muito bonito, um Jardim Botânico (o Jardin des Serres D’Auteuil). E enquanto o Caio foi lá comprar os ingressos e aguardar o início da visita, eu fiquei passeando ali pelo Jardim. Existem diversas estufas, simulando diversos ambientes e florestas ao redor do mundo, resolvi entrar em uma delas pra ver o que tinha e adivinhem qual era? Floresta tropical! Ri sozinha. Tantas florestas que existem no mundo e a pessoa entra num exemplar do que ela tem na própria região onde mora. Estava friozinho em Paris, mas dentro da estufa estava bem aquele clima quente e úmido que a gente conhece muito bem!! Não, não chegou a dar saudades, mas me senti em casa.

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Depois, finalmente, a tão aguardada visita a Roland Garros. Para quem é fã de Tênis é uma visita que vale muito a pena. Eles te mostram praticamente tudo do Philippe-Chatrier Court, a quadra principal, desde o fosso onde ficam os fotógrafos, até o passeio dentro da própria quadra, passando pelas salas dos jornalistas, o vestiário masculino, os armários oficiais do grandes jogadores (Federer e Nadal <3), a sala de entrevista coletiva, onde você pode se sentar no lugar dos jogadores, o “hall da fama” onde os vitoriosos assinam as paredes, e a visita dentro da quadra oficial. Muito legal mesmo! Dava para ver o brilho nos olhos de alguém. Mais legal que isso, só ver um jogo ao vivo dos ídolos ali, infelizmente estava fora da temporada de qualquer campeonato.

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Eu queria muito visitar a Praça da Bastilha, por causa da grande importância histórica desse lugar para a França (se quiser conferir mais sobre o assunto, clique aqui), e lá fomos nós, de metrô (não é perto), até a tal da Praça, que me decepcionou bastante. Lógico que eu não esperava ver a Bastilha, mas algo um pouco mais bonito que uma rotatória com um mastro no meio, já que estávamos em Paris.

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O restante do dia foi para andar sem pressa por Paris, estava nublado e ameaçando chover. Andamos até o Pantheon, que só vimos por fora, tinha que comprar ingresso para entrar, e como dessa vez não investimos no Paris Museum Pass, optamos por não entrar. Encontramos meu irmão e minha cunhada num McDonalds perto do Jardim de Luxemburgo, olha que legal, encontrar a família em Paris, foi engraçado. E depois gastamos um tempinho fazendo umas comprinhas de última hora, com direito a visita à Galeries Lafayette, maravilhosamente linda.

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Voilá Paris!

{19 de abril de 2012}

Chegamos em Paris no dia 18 de abril, mas chegamos tarde e só descansamos no hotel aquela noite. Fizemos a reserva no mesmo Hostel que ficamos hospedados em 2010, 2 anos depois ele não mudou muita coisa… aliás, parece sim que estava a mesma coisa, se não um pouco mais judiado pelo uso de gente meio sem educação. Nosso quarto não foi tão bom quanto da outra vez. Mas quem se importa com isso quando se está em Paris?!

Nosso principal objetivo dessa nova oportunidade em Paris era ver os locais que havíamos deixado passar na vez anterior, além de rever nossos locais favoritos. Um dos primeiros destinos foi umas das famosas estações de metrô desenhada por Hector Guimard, que são um dos grandes marcos do estilo Art Nouveau que eu tanto estudei na faculdade. Para nossa sorte, uma das 2 estações clássicas com telhado de vidro ainda conservadas, ficava a poucas quadras do nosso Hostel, ali mesmo, no Montmartre, na estação Abbesses, que ainda por cima era a estação de uma das cenas do filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” (meu xodó). Mas como em Paris você chega a qualquer lugar de metro, resolvemos ir de metrô mesmo. Estação do Guimard (checked).

Estação Abbesses Estação Abbesses

Aí foi a vez do Caio escolher sua atração “faltante”: nada menos que Roland Garros. Aí a pernada é longa… além de vários quilômetros de metrô, mais algumas quadras a pé e você chega à Roland Garros, mas você estará quase saindo de Paris. Chegando lá, surpresa: estava fechado! Tudo bem, decidimos voltar no dia seguinte, para pegar a visita guiada.

Roland Garros fechado

Partindo dali, demos aquela passada básica e necessária no Campo de Marte / Torre Eiffel / Trocadero, que sempre é lindo, que sempre vale a pena, que não é uma visita a Paris se não visitar a Torre, que você perde o fôlego e se emociona, que você não se acredita em estar novamente ali…. enfim. Eu não tinha visto ainda a Torre a partir do Trocadero, e nem visto o show das águas dali (Caio sim, eu não). E por ali devemos ter ficado, de boa, umas duas horas, pelo menos, pegamos até uma chuvinha. Ficamos ali só curtindo a vista, sem pressa, como dois apaixonados um pelo outro, e pela cidade. Torre Eiffel vista do Trocadero (checked).

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Depois disso, fomos caminhando até o Arco do Triunfo, atração que deixei de lado da primeira vez, por não achar tão importante… e que valeria ser visitado numa segunda visita. Mas não subimos nele não, não dessa vez, fica para uma terceira visita… Arco do Triunfo (checked)

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Na sequência, passeio clássico em Paris, descer a Champs-Elysées, sim, nós já havíamos andado por ela na vez anterior, mas foi da altura do Petit Palais em direção ao Louvre, dessa vez, foi desde o Arco do Triunfo, até o Louvre novamente. Muitas lojas, muitas grifes, muito glamour, muitos cafés, muitas tentações, muitos gritinhos de euforia e muitos suspiros… Descer a Champs Elysées (checked).

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Passamos pelo Obelisco (Praça da Concórdia) e adentramos ao Jardim das Tulherias que amamos de paixão e sempre vale a pena uma visita. Tão Paris, tão charmoso, tão bonito… Demos aquele ‘oisinho’ de fora para o Louvre (dessa vez não entramos não, mas a tentação era grande) e fomos em direção ao Rio Sena. Passamos pela Pont des Arts e não nos lembramos dos cadeados <3, nem de passar por cima dela… Estava tão focada em ver a Pont Neuf nessa visita, que nem me lembrei da Pont des Arts, tão romântica. A Pont Neuf foi a primeira ponte de Paris sobre o Rio Sena, sua construção começou em 1578 e foi concluída em 1607. Pont Neuf (checked).

Praça da Concórdia Jardim das Tulherias Jardim das Tulherias Arco du Carrousel Pont des Arts Pont Neuf Pont Neuf

Estando na Ile de La Cité, passamos novamente por um local que adoramos e que pouca gente comenta, uma espécie de mercado de flores que tem ali pelo meio, com vários artigos lindos e exclusivos para quem ama jardinagem. É de morrer de amores.

Mercado de flores Mercado de flores

Para completar a caminhada, paramos em frente a Notre Dame e a enamoramos por algum tempo, observando o sol se abrir depois da chuva e vendo as cores da fachada mudando conforme o sol se abria novamente. Tivemos a grande sorte de pegar ela aberta por ocasião de uma missa que estava acontecendo, e com isso pudemos visitá-la novamente por dentro, sem ter que pagar por isso, além de ver uma missa linda em francês. Deus é muito bom com a gente!

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Olha a gente já de olho nos bebês…

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Paris e seu fim de tarde conseguem sempre nos surpreender, mesmo com o dia chuvoso e nublado que pegamos, no final do dia (lá pelas 21h), ainda conseguimos pegar aquele lindo pôr-do-sol que é mágico na cidade luz. Nos encontramos novamente com meu irmão e minha cunhada para levá-los até o Moulain Rouge, que dessa vez, vimos à noite, com seus neons de cabaré ligados.

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Viu quanta coisa da para se fazer em Paris num dia só? E grande parte a pé, a outra parte de metrô. Com custo praticamente zero e você tem toneladas de inspiração e visões lindas.

 

Caímos de amores por Bruges

{17 e 18 de abril de 2012}

Nossa primeira manhã na casa da Maria foi uma atração à parte. Ela nos preparou um café da manhã delicioso e caprichado, escolhendo especialmente os pães e a louça. Degustamos um omelete saboroso, café ou chá a nossa escolha, ao som de Je T’Aime (de Serge Gainsbourg), e nos embalos suaves dos quadris da simpática senhora ao preparar nossos omeletes. Depois do café, hora da nossa anfitriã nos indicar onde ir na cidade. Não pedimos, mas ela prontamente nos auxiliou, indicando o melhor roteiro, chocolaterias, cafés e restaurantes. Foi de uma gentileza imensa e extremamente útil, já que nosso guia (livro) não tinha informações tão boas quanto as dela.

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E então saímos para conhecer Bruges. Saindo da nossa casinha no Colettijnenhof passamos pelo Minnewaterpark, que estava todo florido com tulipas. Um belo lugar de passeio e com um lago charmoso.  Fomos em direção ao Begijnhof, local com casas históricas do século 13, que abrigava freiras. Visitamos a pequena igreja do local, onde acendemos uma vela em homenagem a uma outra Maria, nossa avó, que havia falecido 5 dias antes.

Dali em diante, “nos perdemos” pelas ruelas, vias e pontes sobre os canais da cidade, até chegar a Praça Burg. “Nos perder” é uma coisa que adoramos fazer nas cidades que visitamos. Sempre encontramos coisas especiais pelo caminho, é como aguardar uma surpresa a cada esquina, e assim também foi em Bruges, essa cidade medieval, linda e conservada. Com suas lojas de rendas, charretes, aldravas, pontes, canais, prédios e lojas de chocolate (nhami!)

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Visitamos o Markt, o Belfort (a torre do sino, onde foi filmada a cena final do filme “Em Bruges”), passamos pelas lojas de souvenir, pelas chocolaterias e nos deliciamos com o legítimo chocolate belga.  Por fim, voltamos a dar uma passadinha no Cambrinus, para jantar e conhecer mais algumas cervejas belgas.

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Achamos a cidade tão linda e tão agradável, que tivemos dó de ficar somente um dia para conhê-la. Decidimos ficar. Cancelamos nosso passeio em Bruxelas no dia seguinte, para aproveitar um pouco mais da cidade, e da hospitalidade da Maria.

A café da manhã do segundo dia na casa da Maria foi acompanhado do seu relato de como ela deixou de ser uma viajante para ser uma hospedeira de viajantes. Como ela perdeu seu amado esposo e companheiro, e como chegamos naquele dia ali, Brasileiros, hospedados na casa de uma Belga. Foi tão emocionante que eu chorei.

Aproveitamos a manhã desse dia para comprar as passagens de trêm para voltar à Paris. Demos mais algumas voltas pela cidade e andamos por um dos trechos mais bonitos, o Canal Steenhouwersdijk e Gronerei. Fomos ainda até os moinhos, que não são lá tão interessantes como os Holandeses. E na nossa volta até o Burg, caiu uma super chuva com vento que não deixou inteiro um só guarda-chuva de qualquer turista. Aí o negócio pegou, esfriou muito mesmo! A temperatura despencou, baixou de uns 5 ou 6 graus para abaixo de zero. Tentamos nos aquecer em bares e cafeterias, mas acabamos voltando para casa da Maria,  para nos agasalhar melhor antes de sair novamente para jantar a noite.

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Para saber um pouco mais de Bruges e algumas dicas do que visitar, recomendamos esse link aqui.

 

Das coisas que acontecem pelo caminho

{16 de abril de 2012}

De Rouen, pegamos um trêm para Paris, que era conexão para Bruges. Após uma espera gelada na estação de Rouen, chegamos a Paris na Gare de Lyon, e precisamos fazer uma conexão dessa estação à Estação Gare du Nord. Na hora de comprar os tickets do metrô, fomos abordados por um pedinte pedindo dinheiro. Falava francês, mas quando respondemos em português que não estávamos entendendo, ele repetiu a pergunta em inglês… (mendigo europeu, outro nível…).

Paris estava parecendo mais suja do que da vez anterior que estivemos ali. Ao pegar o metrô, outra desagradável surpresa. Uma mulher com uma garrafa de bebida alcóolica (cana, pinga, birita, 51? no baby, Champagne…) na mão e visivelmente embriagada, cantava e cambaleava no vagão. Lá pelas tantas, resolveu sair na estação onde o metrô parou, mas não saiu totalmente, ficou com metade do corpo pra fora, a outra metade pra dentro (pernas pra fora, cabeça pra dentro). E o metrô deu o sinal de partir e fechar as portas, nessa hora bateu o desespero em alguns passageiros, uns ficaram apavorados e começaram a gritar para a mulher sair, outros gritavam dizendo para deixá-la, que se virasse, outros já estavam prestes a apertar o botão de emergência… {Minuto de tensão!} Por fim, ela saiu do vagão cambaleando de costas, o metrô seguiu viagem e nós ficamos com aquela cara de susto olhando um para o outro.

Ao esperar o trem na Gare du Nord, resolvi dar uma passada no McDonalds que ficava bem próximo e comprei alguns macarons (McDonalds francês, fino….)
E então, finalmente, pegamos o trêm com destino a Bruges.

A viagem foi agradável e tranquila. Chegamos em Bruges por volta das 21h, já estava escuro. Mas resolvemos ir a pé mesmo até o nosso B&B. O local era perto, mas tivemos que passar por um parque, que em circunstâncias iguais no Brasil, jamais teríamos coragem de passar, escuro, a noite e sem policiamento. Mas lá foi tranquilo.

Parque que atravessamos para chegar no B&B, só que a noite.

Havíamos feito a reserva no Het Colettientje, um Bed & Breakfast comandado por uma senhora chamada Maria. Gostamos das referências encontradas sobre o local, por ser uma casa, e pela hospitalidade. Ao encontrarmos a casa, que ficava numa ruazinha parecida com  um condomínio fechado (mas sem ser fechado) de casas geminadas, avistamos um bilhete na porta. O bilhete dizia assim:

bilhete da Maria

“Olá Caio, eu não estou em casa. A chave está sobre o buxinho à esquerda. Seus quartos são no primeiro piso (as portas estão abertas). Eu retorno às 10h esta noite. O café da manhã é as 9h. Desculpe, Maria.”

Ficamos tão de cara com a confiança dela que começamos a rir (segurança européia, invejável…). E nessa ela nos ouviu e abriu a porta, já havia voltado do seu compromisso.

O condomínio onde ficava nosso B&B

O condomínio onde ficava nosso B&B

A Maria foi a pessoa mais marcante da nossa viagem. Uma pessoa gentil e acolhedora. Mas com uma personalidade forte, de quem já viveu muito e tem muita autoconfiança e autoridade. Falava muito, numa mistura de idiomas: inglês, francês, italiano e holandês. Ela literalmente mandava na gente, como se fosse nossa mãe: “agora vocês vão lá comer!”, “agora vocês vão sair”, “passem lá nessa cervejaria e tomem uma cerveja por mim!”, “saiam, saiam”, “sentem aqui agora”, “limpem o banheiro depois de tomar banho”, “não batam a porta” e assim por diante.

Mas ela foi uma ótima anfitriã e cicerone. Nos indicando restaurantes, chocolaterias e cervejarias, fora do eixo turístico, tudo através do mapinha que ela tinha em mãos, anotando tudo a caneta enquanto tagarelava sem parar.

Mapa com as orientações da Maria

A Maria.

Sua primeira indicação foi um sucesso entre a gente, e voltamos lá algumas vezes durante nossa estadia em Bruges. A cervejaria Cambrinus, um local com mais de 200 tipos de cervejas belgas e comida farta e saborosa.

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Na ida até o Cambrinus, atravessamos o pequeno centro histórico e praça central da cidade, e já ficamos impressionados com a beleza do local. Os prédios históricos iluminados e os canais nos deixaram encantados. Poucas cidades que já visitamos valorizam tão bem seus monumentos e prédios históricos a noite como Bruges.

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Nossa intenção era passar o dia seguinte em Bruges e no outro dia, seguir para Bruxelas. Mas depois das valiosas dicas da Maria, além do que vimos e adoramos na cidade, resolvemos passar mais um dia lá e dispensar o visita à Bruxelas.

Place du Vieux-Marchée

A cidade onde morreu Joana D’Arc

{15 de abril de 2012}

Chegamos em Rouen (se fala Ruan) no final da tarde, era domingo e infelizmente a cidade estava toda fechada e quase vazia. Mas ficamos impressionados com sua beleza.

É uma grande cidade industrial e portuária às margens do rio Sena, é a capital francesa da Alta Normandia.

Rouen não é pouca coisa não, segundo o wikipédia, ela foi fundada na época do imperador romano Augusto (27 a.C – 14 d.C), já foi um assentamento romando, já foi invadida pelos vikings, já pertenceu a Inglaterra, sofreu com a Guerra dos Cem Anos e com a peste negra na Idade Média, foi um importante porto na época dos descobrimentos, porta de entrada do pau-brasil na Europa e foi praticamente destruída por bombardeios na década de 40, durante o domínio nazista.

Igreja em ruínas Ruinas dos bombardeios da II Guerra Edifício Histórico de onde Monet pintou a Catedral

A Cathédrale Notre-Dame é um dos marcos da cidade, que é vista de longe, uma belíssima catedral no estilo gótico. A igreja foi começada em 1145 e terminada apenas no século XVI. Felizmente, é um dos monumentos que passou intacto aos ataques nazistas.

Cathédrale Notre-Dame

Na parte histórica da cidade, onde se encontra a Catedral, há casas medievais normandas de pedra e madeira (muito semelhantes às que vimos em Dinan), com suas paredes tortas e irregulares, lindo de ver. Passamos em uma das ruas onde haviam vários antiquários. E esses foram os antiquários mais antigos que eu já vi, eram peças de decorações e móveis originalmente medievais, dignas de cenografia de filmes sobre castelos, uma pena estarem fechados, eu teria perdido horas ali.

Casa medieval em estilo normandoCasas medievais em estilo normandoAntiquário sonhoAchei essa foto antiga dessa rua. Antes e depois.. nada mudouRuas da cidade antiga

Placas medievais das lojas

Outro local famoso para se visitar em Rouen é a Place du Vieux-Marchée, uma praça ladeada por casarios muito antigos e ruinas de tempos remotos, são coisas belas e singulares, ricas em história e um privilégio em termos de conservação cultural, mas infelizmente é um espaço sujo e mal cuidado, decepciona um pouco.

Place du Vieux-Marchée

Essa praça é onde foi queimada a mártir e Santa Joana D’Arc. O local exato de sua execução está representando por uma simples plaquinha – até aí tudo bem, por que exaltar uma morte tão grotesca não é mesmo?  Em sua homenagem foi erguida uma Igreja. É, assim, no meio da praça… bem, questão de gosto, mas eu achei uma verdadeira aberração arquitetônica esquisita. 

Plaquinha para indicar o local onde Joana D'Arc foi queimada

Igreja em homenagem a Joana D'Arc

Igreja na praça do Vieux-Marchée

Você não pode ir a Rouen e deixar de passar sobre o arco do Gros Horloge, é um dos marcos da cidade. Trata-se de um relógio astronômico em estilo gótico, construído em 1389. Fica numa rua exclusiva para pedestres, com prédios antigos, lojas elegantes e cafés. 

Gros Horloge

Há também alguns museus interessantes para visitar, caso você disponha um pouco mais de tempo em sua visita. Como o Museu da Joana D’Arc ou o Museu do Gros Horloge. Mas não foi o nosso caso. Achamos que a cidade por si já é um museu a céu aberto, incrivelmente repleta de monumentos e prédios antigos, muito mesmo. Apesar de ter passado mais de 60 anos, há dezenas de prédios em ruinas, resultadas dos bombardeios da II Guerra, chega a ser banal em Rouen, para os moradores, não para nós, que ficávamos impressionados com cada ruina que encontrávamos. E em geral, elas estão assim, simplesmente jogadas, com o mato crescendo, pixadas, abandonadas… 

Concluímos que é uma cidade muito bonita, poderia ser quase Paris, tem muita coisa que lembra Paris, o Rio Sena inclusive, mas parece que os governantes ali não estão muito interessados nisso, nem em todo o potencial turístico da cidade, ela nos pareceu por assim dizer, uma cidade relaxada…

Pizza em metro - olha a cara de 'quem gostou' da pessoa

Além disso, foi difícil encontrar um restaurante aberto no centro histórico de Rouen no domingo a noite. Acabamos comendo pizza em metro [oi?]. Partimos de lá no dia seguinte. Antes abastecemos o carro que alugamos, com o que tivemos uma certa dificuldade, já que lá você tem que se virar sozinho negão. Essa história de frentista acho que é coisa de brasileiro. Entregamos o carro na estação de trem. E por falar nisso, cuidamos do carro com todo zelo o caminho todo, como se fosse o carro emprestado do sogro. Porque, afinal, qualquer arranhão poderia ser cobrado na fatura que viria direto no cartão de crédito. Mas eis que justamente na hora em que estacionamos e abrimos o porta malas, ele simplesmente deu uma batidinha no TETO do estacionamento, que parecia ser feito de propósito para esse fim. Grito coletivo. Mas não deu nada, ninguém foi verificar na hora e também não veio cobrado na fatura, foi só um susto mesmo.

Só para finalizar, Rouen + mês de abril = muuuuuuuuuuuuito frio! Estação de trêm com calefação? Que frescura é essa?? Passamos um super frio enquanto esperávamos nosso trêm para Paris.

Cemitério Americano e Étretat

{15 de abril de 2012}

No nosso terceiro dia na Normandia, saímos logo cedo para visitar o Cemitério Americano, local que ficou faltando no dia anterior. Dessa vez demos sorte e pegamos o local aberto com bem poucos visitantes. – Para quem assistiu ao filme O Resgate do Soldado Ryan, é o mesmo cemitério que aparece no início e no final do filme.

A entrada no local é rigorosa, raio X, soldados americanos controlando os visitantes, enfim… Perguntei a uma das funcionárias sisudas se havia uma máquina de café ali, pois estava frio pra caramba, e ela enfaticamente me lembrou: “é claro que não, isso aqui é um cemitério!”. Antes de visitar o cemitério, propriamente dito, você passa pelo Museu do local, que já te deixa impressionado, pelas instalações, vídeos e efeitos sonoros em homenagem aos soldados mortos nas batalhas. Já é de enxer os olhos de lágrimas (se você tiver um pouco de sensibilidade…).

Após caminhar por um belo jardim, digno de um parque florestal, à beira do mar, você chega na área do cemitério mesmo. Uma gigantesca área verde e plana, com gramado aparado e milhares de cruzes brancas a perder de vista, seguindo uma distância rígida e milimetricamente calculada entre uma e outra, ora são cruzes, ora são Estrelas de Davi, para os judeus.

Acervo do museu Jardim que leva ao Cemitério Americano Visão geral do Cemitério Americano Túmulos de judeus Muro com o nome dos soldados mortos em batalha

O silêncio e a imensidão desse cemitério são impressionantes, um dos locais mais bonitos e tristes que visitamos nessa viagem. Toda as manifestações de alegria e vibração que tivemos nos locais por onde passamos até então, deram vez a um sentimento de respeito e reverência pelas jovens vidas perdidas tão brutalmente por causa da Guerra. Ali a consequência das batalhas saltam aos olhos: a morte. Você sente uma vontade imensa de orar pelas almas dessas pessoas, que deram a vida por causa de uma guerra estúpida.

Morto no dia D

Soldado desconhecido DSC_0343Memorial do Cemitério

A maioria dos túmulos tem a data de falecimento em 6 de junho de 1944. E há cruzes sem nomes, mas com os restos mortais de algum soldado “desconhecido, mas reconhecido por Deus”. Estão enterrados ali 9.387 soldados americanos.

Partindo dali, fomos em direção a Étretat. E viva o GPS, pois passando por Le Havre percebemos o quão essencial ele foi para não se perder. Le Havre fica no caminho entre Paris e Caen, é uma cidade portuária, e por isso, tem centenas de viadutos, auto estradas, pedágios e pontes, se o seu caminho passar por essa cidade, esteja preparado com o GPS.

Étretat é uma cidade litorânea ainda na Alta Normandia. Famosa por suas falésias, e por hospedar durante alguns anos, ninguém menos que Monet. Sabe aquelas fotos que você vê pela internet com um daqueles títulos “Lugares fantásticos para se conhecer”? Então, essa foi a foto que me inspirou a conhecer Étretat:

Stitched Panorama

Quando eu descobri que isso estava em nosso caminho na Normandia, eu fiz questão de colocar no roteiro, por mais complicado ou corrido que pudesse ficar, e quer saber? Valeu totalmente a pena.

Claro que no dia em que visitamos era primavera e não tinha essa neve aí não. Mas independente disso, a paisagem é incrível e inédita para nós, sul brasileiros, além do mais, com sol o local fica ainda mais lindo. A cidadezinha fica numa parte que tem acesso a uma pequena praia de seixos redondos, e em ambos os lados as falésias se extendem por quilômetros. Entretanto, a parte mais bonita da falésia, que forma essa espécie de tromba de elefante até a água, fica do lado esquerdo da praia, mas subir para o lado direito, te privilegia com uma vista ainda mais bonita dessa formação rochosa.

Falésias de Étretatlado esquerdolado direitoPanorâmica da cidade Vista sobre as colinas do lado direito da praiaQue areia branquinha?! o negócio aqui é pedra.

Tem que ter perna e tem que ter fôlego para subir os dois lados na mesma tarde, e mais ainda se atravessar a praia pelas pedrinhas… ainda mais com uma certa pressa que estávamos, mas a vista é compensadora, eu faria tudo de novo. Se o seu estilo de viagem é mais relacionado à natureza, Étretat é um daqueles lugares naturais lindos de se ver e de se perder pelo menos algumas horas. No dia em que fomos, era domingo de sol, e achamos curioso ver tantos jovens deitados nos gramados das colinas, conversando e passeando, como se ali fosse um parque. Outra curiosidade é o campo de golf do lado da falésia principal… privilégio para poucos.

Monet Tentei tirar a foto do mesmo ângulo que a foto que me inspirou.. não deu muito certo. DSC_0492 Outras visões das falésias

Nosso destino saindo dali foi Rouen, onde passamos a noite e muito frio.

O Dia D – 3/3

{14 de abril de 2012}

E finalmente, chegamos a Point Du Hoc. O local é um penhasco a beira mar, no forma de uma lança, acabou sendo local estratégico de defesa para os alemães, que já haviam ocupado a França, no período da Segunda Guerra Mundial. A esquerda desse local, está a praia de Utah, e a direita, a praia de Omaha Beach. Era uma área extremamente fortificada, com diversas casamatas e locais de armazenamento de artilharia pesada, principalmente canhões.

Vista aérea de Point du Hoc. Pointe du Hoc. Omaha Beach, pocked by D-Day bombardment. On June 6th. 1944, five Normandy beaches were stormed by British, Canadian and American troops to free Europe from the German occupation. Ever since, each year on June 6th, Normandy coast lures veterans and pilgrims. (Ph: Alexandra BOULAT)

No Dia D, o local foi atacado pelas tropas aliadas, que chegaram em 3 frentes: pelo mar, através de disparos de canhões dos navios, pelo ar, através de bombardeiros, e por terra, com soldados escalando as falésias que circundam a área. O resultado disso é uma área semelhante ao solo lunar: repleto de crateras profundas.

Foto tirada da área sendo bombardeada no Dia D.

As crateras e os restos das construções são de deixar qualquer um alucinado. Principalmente para quem curte a história da Segunda Guerra Mundial. Nossa reação foi de euforia a cada cratera encontrada, nem o vento gelado e constante tirou nossa empolgação. É um local onde o Dia D permanece muito vivo e memorável, com certeza vale a pena ser visitado.

Primeiras crateras na entrada do local.

Vista parcial da entrada

Uma das maiores crateras encontradas, logo no começo da visita.Uma das casamatas DSC_0192 Por dentro da casamata. Ruinas Várias crateras Ruínas Um dos locais mais legais. Ali ficava um dos canhões alemães. Essa construção fica na ponta mais extrema, possivelmente usado também por soldados com metralhadoras e coisas do gênero. Praia de Omaha Beach Praia de Utah Beach Ruínas Evandro está ali no meio, dá pra ver?

Atualmente, Point du Hoc pertence ao governo americano. Que o mantém muito bonito e super bem cuidado. Ficamos admirados.

Vista geral da área. A falésia e ponto extremo do Point du HocVista do terreno.

E com essa visita, terminamos o dia D na Normandia. Ficou devendo o Cemitério Americano, que visitamos no dia seguinte, antes de pegar a estrada novamente.

O dia D (parte 2/3)

{14 de abril de 2012}

Continuando nosso Dia D, saímos de Arromanches com destino ao Cemitério Americano. Impossível não falar das estreitas estradinhas asfaltadas da Normandia, que têm uma beleza à parte. Ladeadas de casas e pequenos castelos construídos de pedras e cobertos com telhas de ardósia, e cercadas por imensas plantações de canola, que nesta época estão floridas com um amarelo intenso.

Na época do ano em que fomos (primavera), anoitece às 9h da noite na Europa. E isso confunde um bocado a noção das horas. Eram pontualmente 17 horas quando chegamos nos portões do Cemitério Americano. E esse é exatamente o horário em que ele fecha. Meu charminho brasileiro e carinha de pidona não conquistaram o soldado americano fardado e armado que guardava a entrada do Cemitério. Tudo bem, nem tudo é perfeito, decidimos voltar no dia seguinte, pois não poderíamos deixar de ver o Cemitério uma vez que estávamos tão próximos.

Deixamos o carro no estacionamento, ali mesmo, e fomos até um monumento logo perto que tinha acesso pela estrada, através de uma cerca de arame farpado. Dali, prevíamos, no mínimo, ver um pouco mais da praia. Mas quando chegamos próximo ao monumento, vimos do que se tratava. Era o local onde houve o ataque da Primeira Divisão de Infantaria da força aliada, na praia de Omaha Beach. Um dos primeiros pelotões em terra a atacar as forças alemãs e um dos mais tradicionais pelotões do Exército Americano. Não teve como não lembrar da cena marcante do começo do filme “O Resgate do Soldado Ryan”. Várias casamatas e bunquers estavam escondidos pela gramado que desce até a praia, além dos abrigos de canhões e artilharia anti-aérea. Foi um dos primeiros contatos que tivemos com os esse tipo de ruínas, com marcas de tiros e bombardeio, impossível resistir a entrar numa ou noutra casamata. Andar pelo terreno e encontrar esses bunquers ou construções militares nos fez sentir como arqueólogos descobrindo tesouros históricos. Mesmo sendo mulher, fiquei entusiasmada. Evandro e Caio então…

Aliás, você leitor(a) desse blog, me desculpe a falta de termos apropriados e descrições históricas corretas ou aprofundadas a respeito do assunto. Apesar de me interessar muito pela Segunda Guerra Mundial, meu conhecimento específico sobre artilharia, exércitos e estratégia militar são muito pequenos e se baseiam muito no que eu vi de perto e aprendi nessa viagem (e em filmes do tema), ok? Ficarei agradecida se você tiver alguma contribuição ou correção a fazer. 

Saindo dali, descemos pela estrada até a outra parte da praia de Omaha Beach. Onde eu fazia questão de visitar o monumento de Les Braves, erguido em homenagem aos soldados que lutaram e perderam a vida no dia da invasão. Estava bastante frio na praia, como aliás, em toda essa região litorânea nesse dia.

Por muitos lugares nessa região, você encontra museus a céus abertos com equipamentos de guerra. Você olha para as falésias a beira da praia e encontra casamatas. Há locais com mais pontes militares expostas como se fossem monumentos. E até mercearias ou pequenas vendas, cuja entrada é “enfeitada” com pequenos canhões da II Guerra. Parece que todos os moradores por ali tem um “souvenir” do Dia D em seus quintais.

Dali, nosso destino era Point Du Hoc, e já estava começando a ficar tarde. Resolvemos dar uma parada ligeira para ver um museu na beira da estrada, que valeu a pena. Um dos Museus a céu aberto mais legais por onde passamos, as fotos seguem abaixo. Tratava-se de um pátio onde se encontram diversos canhões, aqueles barcos nos quais desciam os soldados, um bunquer alemão de ferro fundido incrível e até um motor de avião com as hélices retorcidas. Um local imperdível! E o melhor de tudo, gratuíto. Claro que existe uma parte aparentemente paga, coberta, qua parecia até um hangar, mas que já estava fechada.

Point Du Hoc, um dos locais mais legais para visitar nessa região, ficará para o próximo post.

O dia D (parte 1/3)

{14 de abril de 2012}

Nosso Dia D foi em 14 de abril [o real foi em 06 de junho de 1944], foi o dia em que partimos para Caen logo cedo e programamos os passeios e visitas aos principais pontos de chegada dos aliados ao território francês. – O Dia D foi o que deu início ao fim da Segunda Guerra Mundial, por isso ele foi tão importante para a humanidade. Em nenhuma de nossas viagens anteriores, estivemos tão próximos a vestígios da Segunda Guerra Mundial. Um dos nossos maiores motivadores para incluir esse local no roteiro, confesso, foi meu irmão, que estava sedento por conhecer um dos palcos da Guerra em sua primeira visita a Europa. Mas esse acabou sendo um dos dias mais incríveis da nossa viagem desse ano, para todos nós, não só para meu irmão, que logicamente, pirou também com a aventura.

Em nossas pesquisas pré-viagem, descobrimos que a região fica bastante próxima a Paris, coisa de poucas horas de trem, e que esse trajeto pode ser feito até Caen tranquilamente, e é o que geralmente faríamos. Mas como as diversas praias, museus e pontos relacionados ao Dia D ficam muito espalhados pela região, teríamos as opções: A. Pagar por um “D Day Tour” e seguir o roteirinho dos turistas, ou B. Alugar um carro, e fazer nosso próprio roteiro. Por essa razão, optamos acertivamente pela segunda alternativa. Nada mais prático, rápido e cômodo do que isso. (Claro que não foi uma decisão de última hora, já havíamos feito a reserva do carro antes de ir, aqui no Brasil mesmo).

Nossa primeira parada foi no Memórial de Caen (ou Memorial da Segunda Guerra). Um prédio recentemente inaugurado, com uma grande exposição relacionada à Segunda Guerra, desde o seu surgimento até seu fim. Seu acervo contempla aviões, uniformes, suplementos dos soldados, artefatos de guerra, bombas e armamentos diversos, artefatos nazistas, maquetes do plano de invasão dos aliados, vestígios de tiroteios, reconstrução de uma vila francesa após a guerra, vídeos diversos, uma sala acústica muito bacana, discursos nazistas em áudio no decorrer do percurso e o que mais me causou náusea e angústia: a parte dos vestígios e atrocidades contra os judeus. O museu é realmente uma viagem pela II Guerra e vale uma visita antes de ir para as praias. Sua entrada não é lá tão cara não, e ainda há a opção de audioguides.

Segunda parada, Arromanches-Les-Bains. A praia onde foram instalados os portos artificiais (ou “Porto Winston”), para desembarques dos equipamentos e veículos dos aliados após a tomada da região dos nazistas. Os vestígios dos portos estão lá ainda, desde a praia, onde, dependendo da maré, você pode até tocá-los, até onde seus olhos alcançarem no horizonte. É uma visão realmente incrível, uma viagem no tempo. Eles estão lá, há quase 70 anos, desde que mudaram a paisagem da pacata cidadezinha de praia. Há um mirante do lado direito da cidade, onde se pode ver do alto a gigantesca instalação dos portos feita em 1944. Tanques de guerra, pontes militares, e até aquelas balsas onde desembarcavam os soldados (como os que aparecem no início do filme O Resgate do Soldado Ryan) estão espalhados próximo ao Museu do Desembarque, nessa praia e podem ser vistos de perto. O Museu do Desembarque, que fica em Arromanches também tem um acervo interessante, mas estava um pouco mais salgado, e nesse caso, só meu irmão entrou, disse que valeu a pena!

Para não ficar extenso demais, vou dividir esse dia em 3 postagens. Acompanhe o resto da aventura no próximo post.