O dia em que quase nos perdemos na Europa.

Saímos super cedo de Amsterdã, as ruas ainda estavam bem vazias, com exceção de algumas pessoas montando suas barraquinhas de brechó nos melhores pontos (esquinas e pontes) das ruas centrais. Pelo que ouvimos, essas barraquinhas são tradicionais no Queen’s Day.

Os moradores de Amsterdã são muito queridos e receptivos, os funcionários do metrô estavam inconformados com nossa partida justamente no Dia da Rainha. E nos recomendavam retornar a Amsterdã no futuro. Adoramos a simpatia.

A viagem de volta foi demorada, mas bem mais confortável, pois o ônibus estava praticamente vazio. Um episódio que marcou nossa volta foi a paradinha para o lanche no horário do almoço.

O motorista do ônibus parou num posto de beira de estrada e simplesmente saiu em direção a lanchonete, sem dar aviso nenhum. Os passageiros olharam uns para os outros, sem entender, e resolveram descer também, inclusive nós. Ótimo para comprar um lanchinho e dar uma passadinha no banheiro. Detalhe número 1, todos desceram do ônibus e deixaram suas bolsas e bagagens lá, inclusive nós, o que confesso, não foi nem um pouco confortável para mim, que fiquei angustiadíssima em saber que nossas câmeras fotográficas, ipods, e diversas outras coisas de valor ficaram lá, disponíveis para algum batedor de carteira ou cleptomaníamo que estivesse passando por perto. Mas pelo que vi, para os europeus, não há problema nenhum em abandonar os seus pertencer a própria sorte. Por que afinal, cada um respeita o seu limite e não sai roubando as coisas alheias por puro prazer (mesmo que seja um objeto perdido).

Continuando, até sermos atendidos e entendidos pela funcionária do estabelecimento, já havia passado uns 10 minutos. Muitos resolveram comer seus lanches por ali mesmo, inclusive meu marido, mas eu não, aquela sensação de perder nossas coisas no ônibus não saia da minha cabeça e isso serviu para alguma coisa. Decidi voltar. Cheguei no ônibus e verifiquei às pressas se as coisas continuavam por lá. Por sorte estavam. Mas eis que o motorista ligou o ônibus e começou a andar! Aaaah bonito! Recupero as câmeras fotográficas e perco o marido num posto de estrada em algum lugar entre Amsterdã e Bruxelas??? Corri até o motorista e pedi para ele esperar um minutinho pois meu marido ainda não havia voltado… e fiquei naquela situação: “desço pra buscá-lo e corro o risco de perder toda a nossa bagagem, ou espero e torço para o motorista ter paciência?”

Por muita sorte, lá veio o Caio, com mais um casal de “atrasados”. Foi só o tempo do último colocar o pé dentro de ônibus que o motorista partiu, ficamos chocados e começamos a reparar nos acentos em volta para conferir se todos os nossos companheiros de viagem estavam por lá. Demos por falta de pelo menos dois deles, dois homens que pareciam turcos. Que assim como todos os outros, deixaram seus pertences dentro do ônibus e que a essa altura, ainda estavam lá… Chocados elevados ao cubo! O motorista simplesmente foi embora, não avisou ninguém, não contou, não conferiu se estavam todos ali. Ninguém se manifestou. E lá se foram, duas bolsas viajando sozinhas entre dois países. E dois extrangeiros perdidos na estrada.

Chegando em Bruxelas, houve a troca de motoristas. O motorista deu uma passada geral pra conferir os passageiros e encontrou as bolsas perdidas. Só então perguntou de quem eram. E algumas pessoas, eu inclusive, muito indignada, falei que eram dos “dois pobres coitados que você deixou na estrada!” (Não falei exatamente assim, mas gostaria de ter falado!) E ele recolheu as bolsas.

O segundo motorista então continuou a viagem até Paris. E aí eu me pergunto até hoje: e as possíveis bagagens dos indivíduos que estavam no porta malas do ônibus, foram até Paris?? E os caras conseguiram recuperar essas bagagens? E o que eles fizeram quando perceberam que o ônibus havia partido? E O QUE A GENTE FARIA SE EU NÃO TIVESSE VOLTADO ANTES PARA O ÔNIBUS?

Essa história se passou em 30 de abril de 2010.


					

Véspera do Queens Day

No nosso terceiro dia em Amsterdã, visitamos museus e perambulamos livremente pela cidade. O céu não estava tão aberto como no dia da visita ao Keukenhof, mas ainda assim a temperatura estava agradável e o dia foi maravilhoso.

Fomos ao museu do Van Gogh, e pudemos ver de perto as grandiosas obras do artista. Alguns quadros do acervo do museu estavam emprestados para exposições temporárias em outros países da Europa. O que foi uma pena. Ainda assim, é maravilhoso ver uma obra de Van Gogh de perto. Lojinha de souvenirs no final do circuito e comprinha básica de uma reprodução de uma das obras do artista, a qual tratamos com o maior cuidado até chegar em Joinville.

Também visitamos o museu da cervejaria Heineken, mas não fizemos a visita guiada, fomos só na lojinha de souvenirs, que já nos deixou eufóricos. Diferente das cervejarias de Santa Catarina – que não sei por que teimam em preservar o colonial, tradicional, e ultrapassado estilo germânico nas marcas que tem só uns 10 anos de existência e nasceram no Brasil – os objetos, roupas e produtos com a marca da Heineken tem design original, de bom gosto e muita criatividade.

Mais casinhas tortas, muito tortas.

Taxicletas.. (inventei o nome), mas eram mesmo bicicletas adaptadas para o transporte de passageiros.

Ciclovias.

Mictórios públicos nas calçadas.

Uma feira de flores e bulbos.

Choppinho no fim do dia.

Em Amsterdã também tem Madame Tussaud… não sei se vale a pena, pois não entramos. Na janela circular, a família real holandesa.

E a noitinha demos uma volta na Roda Gigante da Dam Square, de onde tivemos esse visual privilegiado e panorâmico da cidade.

Nesse fim de dia, mais duas coisas nos marcaram: a melhor pizza da viagem, em um restaurante italiano que fica exatamente nessa rua que dá pra ver na foto acima. E a cidade mega agitada, lotada e toda vestida de laranja para o feriado de Queen’s Day, que seria no dia seguinte. Como era feriado, os jovens se uniram para festar em todas as ruas próximas a Dam Square. Todos se vestem de laranja (cor da bandeira da Holanda) – para ver mais imagens, clique aqui. No hostel onde ficamos havia uma festa, que varou a madrugada. E antes que nos perguntem, não.. não consumimos nada ilícito, mas dormimos com a maior maresia das nossas vidas.

Keukenhof, finalmente

Pra quem acompanha o blog a tempos, deve ter lido (aqui) que em nossa pesquisa de viagem descobrimos uma exposição de flores na Holanda, qua acontecia exatamente no período em que visitaríamos o País. Uma espécie de Festa das Flores (para quem é de Joinville e região), mas pelo menos 100 vezes maior, a céu aberto e sem nenhuma orquídea. Em compensação mais de 4 milhões de bulbos de Tulipas preenchem os canteiros desse espetáculo de beleza, chamado Keukenhof.

Keukenhof é um parque em Lisse, na Holanda, e fica bem próximo a Amsterdã. Ele fica aberto somente 2 meses por ano, entre março e maio, meses da primavera na Europa, o melhor período de florescência das Tulipas. Para um casal de apaixonados por plantas como nós, nada mais necessário ao visitar a Holanda. Por sorte (e um certo planejamento) tivemos a felicidade de visitá-la exatamente nesse período.

Há pequenas excursões que saem de Amsterdam até o Keukenhof, mas elas saem super cedo, é bom comprar os tickets no dia anterior. A viagem até lá dura cerca de 40 minutos, e o passeio inclui visitação de plantações de Tulipas – pensa no deleite da pessoa aqui e de seu marido.  Aqueles campos gigantes, cobertos por um colorido vibrante, com plantações a perder de vista… A exportação de bulsos e flores é a principal atividade econômica Holandesa, que é inclusive, a maior exportadora de flores do mundo.

A excursão dura o dia todo, mas você é deixado numa das entradas do parque e fica por sua conta, o que é muito melhor, na minha opinião. O tema de 2010 foi Rússia, isso significa várias estátuas, painéis e brinquedos relacionados à Russia espalhados pelo parque.

O mais belo jardim do mundo

Mas o que realmente impressiona no Keukenhof são os jardins, a cada curva, você se surpreende com a beleza do local. Há sempre uma espécie diferente, uma combinação perfeita de cores, um lago, uma ponte, um moinho. E há muito outras flores além de Tulipas, há narcisos, jacintos, cerejeiras, amores perfeitos, lírios, azaléias, margaridas e tantas outras flores que nunca vimos na vida, mas igualmente encantadoras.

Diz-se que o Keokenhof é o local mais fotografado do mundo. E eu não tenho dúvidas disso, só nossas câmeras capturaram quase 700 imagens desse lugar. E ainda assim nenhuma consegue captar a beleza do que vimos ao vivo. Algumas delas (foi difícil selecionar poucas), você pode conferir aí embaixo – recomendo clicar na foto para ampliar e melhorar a resolução.

Foi uma das visões mais belas do nosso passeio, um dia de sol, temperatura agradável e imagens inesquecíveis.

Super recomendamos a visita. Esse ano (2011) já começou a nova edição do Keukenhof, para saber mais detalhes você pode clicar aqui.

Passeio por Amsterdã

Voltamos no fim da tarde do Parque (Keukenhof), mas como nesse período do ano anoitece só as 21 horas, ainda conseguimos aproveitar bastante o dia e passear para conhecer um pouco mais da cidade de Amsterdã, dessa vez durante o dia.

Amsterdã é uma cidade linda, muito diferente do que estamos habituados a ver. É uma cidade com uma identidade muito própria, seus prédios de 4 a 6 andares, estreitinhos, colados um no outro, inclinados, muito inclinados, hora pros lados, hora para frente. Eu fiquei intrigada com os prédios, todos eles tem uma roldana em seu ponto mais alto. Esse recurso, descobrimos depois, foi criado no início da urbanização da cidade, quando os móveis e mercadorias chegavam de barco pelos canais, e precisavam ser içados para dentro das casas, a inclinação é proposital, para que esses objetos não arranhassem a fachada. Atualmente, isso virou tão comum nas casas de Amsterdã, que tem até lei municipal relativa a inclinação máxima da fachada. E os prédios novos, construídos bem longe dos canais, ainda mantem a tal roldana na parte de cima.

As cores dos prédio estão geralmente entre o marrom escuro e preto, em função do barro encontrado na região, que é usado para produzir os tijolos que ficam aparentes na maioria das construções. Janelões altos completam a arquitetura. A cidade é toda rodeada por canais, que fora antigamente, um dos principais meios para o transporte. Os canais são artificiais e foram construídos no início do século XVII. São 4 canais principais, os canais residenciais, e mais um, para defesa (na época em que foram construídos). Eles são concêntricos e se originam a partir do Rio Amstel, que deu nome a cidade. (Amstel, é o nome do rio – Dam, significa barragem em holandês).

A capital holandesa – que nem de longe se compara à nossa capital – possui em torno de 3000 casas barcos, que dão um charme exclusivo a cidade, e que nem Veneza possui. Eles também são loucos por gatos (adoramos!) e você encontra os bichanos por tudo, nas casas barco, na sorveteria, nos restaurantes e até nos hoteis.

Amsterdã é lotada de bicicletas, para todos os lados, usada por todo mundo, e ‘ai’ de você se tentar atravessar as ciclovias no momento errado. Leva businada e um bom chingamento! A prefeitura faz campanha para o uso de bicicletas, o que eu achei um exemplo de consciência ambiental e incentivo cultural.

Outra curiosidade são os mictórios públicos, espalhados pelas ruas – isso eu estava curiosa pra ver.

Nesse dia também encontramos duas casas famosas em Amsterdã: a casa da Anne Frank  – que só vimos por fora – E a casa mais estreita de Amsterdã, com 1,20m de largura e 2 andares.

A conclusão? Adoramos a cidade!

Vista aérea dos 5 canais

Vista aérea dos 5 canais

Abrigo para gatos em casa barco

Casa Barco com jardim

Mictório público

Casa mais estreita, é aquela branquinha, com uma floreira, ali no meio.

Au revoir Paris… goede nacht Amsterdam

No dia seguinte (27 de abril) saímos de Paris com destino a Amsterdam. Pra resumir bastaaaaaaaaaaaaante o assunto, esse dia era antevéspera do Queen’s Day, o maior feriado Holandês, cuja maior comemoração é em Amsterdam – e não sabíamos disso quando planejamos o roteiro -. Junte-se a isso o fato das cinzas do vulcão ainda estarem sobre a Europa e com isso, caos aéreo. Resultado: sem vôo, trens lotados ou fora das datas que previmos passar na Holanda, e a preços absurdamente caros. Logicamente não decidimos como iríamos naquele dia exato, já estávamos correndo atrás disso desde quando pisamos em Paris. Chegamos a cogitar mudar os planos e ir para a EuroDisney ao invés de ir para Amsterdam. Mas graças a Deus deu certo e conseguimos ir para Amsterdam no dia exato que planejamos, e foi uma das nossas cidades favoritas. Só que fomos de ônibus :/

Whatever, ir de ônibus na Europa tem lá suas desvantagens… o ônibus não é confortável, equivalentes aos nossos ônibus intermunicipais de curta distância – ou seja, joelho colado no banco da frente – os motoristas não usam uniformes e mal falam inglês, eles também CORREM muito, e freiam! O ônibus foi lotado, tivemos que sentar naquele banco do fundo, bem no meio, 1 pessoa do meu lado e mais 2 do lado do Caio. Só aliviou depois que paramos em Bruxelas. E olha, a viagem de-mo-rou… foram cerca de 8 horas de viagem.

O que compensou foram as paisagens! Lindas! Além de passarmos por dentro de Bruxelas, na Bélgica, e em cidades holandesas como Eindhoven, pela qual ficamos encantados.

Algumas horas depois, com os pés inchados e ouvindo um casalzinho de adolescentes brasileiros literalmente baterem boca para decidir quem iria lavar a louça e dobrar o edredon se caso eles dividissem o apartamento, chegamos a cidade mais alternativa de nosso circuito. Como eu disse, nosso motorista não falava inglês, só francês ou holandês. Sabe como tivemos certeza? Pelas bicicletas!

Por sorte, começa a anoitecer depois das 21 horas… Então deu tempo de dar uma circulada pela cidade, pela Dam Square, a Central Station e o Red Light District.

Nossa primeira impressão foi realmente ótima. O clima da cidade é muito alto astral, muito agito, muita simpatia. Mesmo dos funcionários do metrô e dos recepcionistas do Hostel. A noite, Amsterdam é muito linda e charmosa com aqueles canais atravessando a cidade. O Red Light District vale uma visita. Não há nada de promíscuo no lugar, é como uma galeria de mulheres em vitrines. Interessantíssimo o contraste entre prostituição e cisnes nadando no canal. Tinha até uma excurssão da terceira idade visitando o local. É, no mínimo, divertido.

Ali começa o Red Light District

Não há mais fotos do Red Light District pois é proibido tirar fotos lá.

Para fechar a noite, jantamos num autêntico restaurante Argentino, para matar a saudade de comer um suculento pedaço de carne.

Estava uma noite fresca e agradável. Ficamos felizes por chegar em Amsterdam.

Roteiro de viagem

Serão 30 dias de viagem. Nesses dias, passaremos por 5 países e 12 cidades. Esse é o roteiro que planejamos para essa viagem:

1. PORTUGAL:
(12.04 a 17.04 ) Lisboa – 3 dias/ 5 noites
Sintra – 1 dia
Cascaes – 1/2 dia
Estoril – 1/2 dia

2. ESPANHA:
(17.04 a 21.04) Barcelona – 3,5 dias / 4 noites

3. FRANÇA:
(21.04 a 27.04) Paris – 6 dias / 6 noites

4. HOLANDA:
(27.04 a 30.04) Amsterdã – 2,5 dias / 3 noites
b. Lisse – Parque Keukenhof – 1 dia

(30.04 a 01.05) aqui passamos mais 1 dia em Paris (eba!)

5. ITÁLIA:
(01.05 a 03.05) Veneza – 1,5 dias / 2 noites
(03.05 a 05.05) Florença – 2 dias / 2 noites
Pisa – 1/2 dia
(05.05 a 10.05) Roma – 5 dias / 5 noites

Nem todas essas cidades passaremos a noite, algumas delas, como Pisa, Lisse, Sintra, Cascaes e Estoril, são viagens de ida e volta, para passar o dia e dormir na cidade próxima, como Florença, Amsterdã e Portugal, pois são cidades que tem somente 1 parque ou atrativo que queremos ver. Tirando essa cidades, as demais passaremos pelo menos 2 noites.

O importante, quando se planeja uma viagem para o exterior, é considerar o tempo de deslocamento entre uma cidade e outra, essas transições podem comprometer o tempo de estadia na cidade destino. É bem comum chegar só a tarde, ou a noite na cidade, por isso é sempre bom considerar um pouco mais de tempo, pelo menos um dia inteiro na cidade, pra você poder realmente aproveitar o local que você vai visitar, até porque, em se tratando de Europa, com certeza 1 dia vai ser muito pouco para qualquer cidade. O importante é ter bem claro o que você quer conhecer e se planejar muito bem antes de ir.

A foto aí de cima é do Parque Keukenhof, em Lisse, na Holanda, o famoso Parque das Tulipas, que fica aberto somente 2 meses por ano, durante a Primavera, e olha que sorte a nossa, estará aberto entre os dias 18 de março a 16 de maio, exatamente no período em que estaremos pela Holanda. Portanto, se preparem, essa foto não é nossa, mas teremos muitas fotos do parque para mostrar em breve.