Viagem de trem para principiantes

{12 de abril de 2012}

Um fato engraçado ocorreu na nossa saída de Londres para Portsmouth, o trem que partiu de Londres tinha 2 destinos, um deles era o nosso. Como não havia marcação de poltrona nem de vagão, entramos no primeiro vagão que encontramos, pois nos sentimos levemente atrasados, já que lá as coisas são extremamente pontuais. Pegamos ótimos lugares, acomodamos a bagagem e começamos a fazer um lanchinho, enquanto o trem partia. Ninguém estava dando bola para os avisos sonoros e na telinha na frente do vagão. Até que o Caio resolveu prestar atenção. O aviso dizia que o trem iria se separar em determinada cidade, que os vagões 1 a 4 iriam para Portsmouth, enquanto os de 5 a 8 iriam para outro lugar. E onde estávamos? No vagão 8! Foi aquela correria para colocar tudo novamente dentro da mochila, pegar as diversas malas que tínhamos e sair andando pelo vagão estreito. Decidimos nos separar para facilitar a locomoção, já que estávamos com muitas malas. Jali e Evandro foram na frente, com as mochilas de mão e mais uma mala cada um, enquanto eu e Caio ficaríamos aguardando até a volta.

O trem parou na próxima estação, e sempre quando ele parte, ele já vai falando qual será a próxima parada. Aí aconteceu o pior: o Caio escutou que a próxima parada era aonde o trem se separava! Pânico! As paradas entre uma estação e outra estavam acontecendo muito rápido, e não fazíamos ideia de quanto tempo iria demorar para chegar a próxima estação. Não pensamos duas vezes, mesmo com todas as nossa bagagens, mais uma mala do Evandro, seguimos desesperados pelos vagões para tentar alcançar aquele que parecia o mais distante vagão de todos, o quarto, onde estaríamos “a salvo”.

Andávamos esbarrando nas pessoas (sem querer, óbvio!) e suando de aflição. A passagem era muito pequena, entre um banco e outro, nossas malas emperravam, e nada de o Evandro voltar para nos ajudar. Pensávamos que, pela demora, o quarto vagão devia estar realmente muito a frente. Com muita dificuldade, conseguimos atravessar o oitavo e o sétimo vagão, e a próxima parada foi anunciada, estávamos muito próximos. Finalmente o Evandro apareceu a nossa frente, e mesmo não estando a salvos, ficamos um pouco mais aliviados, pelo menos era uma ajuda a mais com as malas. Ele estava tranquilo, pois não tinha ouvido que a próxima parada era onde o trem se separava. Mas quando falamos pra ele, o desespero tomou conta, afinal, a esposa dele estava lá e iria sozinha para Portsmouth se não chegássemos a tempo!

Entramos no sexto vagão, e ali estava a comissária de bordo, vendendo guloseimas… espera…. espera… espera… até ela terminar de passar pelo vagão, oferecer para todos, servir para os compraram… porque ao invés de ela vir para a frente e desbloquear o caminho que o carrinho ocupava (coisa que seria muito mais rápida, já que ela estava no começo desse vagão), ela continuou seu trabalho tranquilamente, indo para trás. Nessa hora já estávamos pensando em sair, caso o trem parasse, e correr por fora para alcançar o vagão correto.

Finalmente a tia da guloseima desbloqueou o corredor, e pudemos passar, alcançando o quinto vagão. O trem estava diminuindo a velocidade. Mais cabeças atingidas pelas malas, mais olhares feios para a gente, mais suor escorrendo. Foi os 50 metros com obstáculos mais difíceis que já fizemos. No último segundo, conseguimos alcançar o quarto vagão, e o trem parou. A vontade foi de berrar de alegria.

Tremendo pelo susto e morrendo de cansados, conseguimos nos acomodar nos lugares (meia boca) que sobraram do vagão. Jogamos as malas em qualquer canto, pra depois arrumar espaço pra elas. Um casal para um lado, outro para o outro. O trem partiu novamente e continuou seu trajeto, agora com 8 vagões. Sim 8, por que não foi ali que ele se separou, nem ali, nem na próxima estação, mas cerca de quase 1 hora depois!

* Esse meu marido é um amor né gente?! E olha que foi ele que pediu pra eu contar essa história aqui no blog. Porque ele acha engraçada… o.O rs *

O importante é que chegamos juntos e com todas as bagagens no destino correto: Portsmouth. Sinta o drama aí na foto abaixo.

London – We hope to see you soon.

{11 de abril de 2012}

No nosso penúltimo dia em Londres, nos dividimos novamente, eu e Caio fomos ao Museu de História Natural – o segundo dos muitos museus que eu tinha programado para visitar. E o último. – Como eu disse, tem tanta coisa pra fazer em Londres que mesmo quem mora lá a uns dez anos, como um amigo nosso, ainda não conheçe todas as atrações da cidade. O Museu de História Natural é encantador, e se eu tivesse filhos e morasse na Inglaterra, com certeza seria um programa garantido nos fins de semana. Além de ter os melhores exemplares desde os dinossauros, até nossa fauna brasileira, a entrada é GRATUÍTA! (alô, Aquário de São Paulo!!) Eu mesma, se não tivesse outras coisas pra conhecer em Londres, teria passado o dia vasculhando as salas desse Museu, que só de ficar na fila pra entrar já é uma visita interessante por causa da sua curiosa fachada. Dali, fomos até a Abadia de Westminster, e de lá, pegamos um dos famosos ônibus vermelhos de dois andares. Como não sabíamos qual pegar, pegamos o primeiro mais vaziosinho que passou. E demos sorte, pois ele foi em direção ao Piccadilly Circus, onde nos encontramos novamente com meu irmão e minha cunhada, meio sem querer. Para fechar a noite, fomos a um pub, onde saboreamos o tradicional Fish and Chips e mais algumas pints.

Detalhes da fachada do Museu de História Natural

Museu de História Natural

No último dia em Londres, uma notícia triste. Minha avó, em coma a mais de um mês, havia falecido. Foi no dia 12 de abril. Tristeza por nunca mais vermos aquelas bochechas rosadas e ter o abraço apertado e embalado que era só dela, com os seus olhinhos cheios de brilho, cada vez que nos via. Tristeza por estarmos tão longe e nem poder consolar nossa mãe, que sofria com a perda.

Mas a viagem seguia, e ainda nem havíamos experimentado o famos English Breakfast. Chegara a oportunidade. Dali, já partimos, com muitas malas a mais, para a Estação Vitória, onde nos despedimos também de Londres e começamos a segunda parte de nossa viagem.

🙂

London – Mind the gap.

{10 de abril de 2012}

Quarto dia. Finalmente sol! Primeira parada, Tower Bridge. Meu irmão é fascinado por máquinas antigas, então, não tinha como não conhecer por dentro essa ponte, construída a mais de um século. Sem contar que a vista lá de cima é incrível. O “mais novo mais alto prédio da Europa Ocidental”, o Shard, estava lá, em fase final de construção e inevitavelmente atraía os olhares, por mais fora do contexto que pareça. – Mas assim também era a Torre Eiffel para Paris, nos primeiros meses (talvez anos) de sua existência. Vai saber… Dali, nos separamos, o Caio foi visitar o stádio do Chelsea, enquanto nós fomos conhecer a Towers of London. Visita imperdível para quem gosta da idade média. Um verdadeiro castelo, com todos os apetrechos, móveis, masmorras, armaduras e relíquias que um legítimo castelo real poderia ter. O preço é um pouco salgado, mas vale muito a pena a visita. Dali combinamos de nos encontrar com o Caio em frente a London Eye. Chegando lá, o tempo fechou novamente e novamente nos separamos, Evandro e Jali foram para a fila comprar ingressos para a London Eye. E eu fui tentar encontrar meu marido, que simplesmente não recebia mais mensagens minhas, ou eu que não recebia as dele. Quase uma hora depois, finalmente nos encontramos naquela multidão incrível de turistas.

Fato curioso: enquanto eu e Caio fomos conhecer o Palácio de Buckingham (só de fora, obviamente), e tirar fotos dos famosos guardinhas de chapeus pretos. Evandro e Jali se divertiram tirando fotos da London Eye enquanto estavam na fila. E eis que, quando finalmente entraram na roda-gigante e ela começou a subir, acabou a bateria da câmera, tiveram que se contentar com umas poucas fotinhas tiradas do celular :(. (But hey, doesn’t matter, this is London!)

E então, a gente estava lá, apreciando o Palácio de Buckingham, quando de repente começou a chover. Resolvemos sentar num muro, que dava entrada ao Green Park, para esperar a chuva passar. Sorte que tínhamos guarda-chuvas. A chuva se tornou intensa e o clima cada vez mais frio. Quando percebemos, estava chovendo gelo! Não eram pedras de gelo, era gelo em flocos, mas também não era neve… era macio e pesado ao mesmo tempo. Demorou uns 10 minutos. Depois disso, a chuva cessou e deu lugar a um dos ventos mais gelados que pegamos na cidade. E logo depois, novo sol, agora bem fraquinho. Dali ainda visitamos o Hyde Park, a Harrods e Chinatown a noite. O dia foi realmente longo.

na Tower Bridge

Tower Bridge

Estádio do Chelsea

Buckingham Palace

Portões de acesso ao Green Park

o Green Park depois da chuva de gelo

Hyde Park

Sempre sonhei com uma foto minha num parque assim.

Lago Serpentine, no Hyde Park

E, pra fechar o dia, Chinatown!!

We love London

{8 de abril de 2012}

Passamos mais 4 dias (e meio) em Londres. Nosso plano inicial era usar um desses dias para ir até Stonehenge, mas tivemos dois fatores decisivos para mudarmos de ideia: 1. o tempo frio e chuvoso que não dava trégua; 2. as milhares de coisas que ainda queríamos conhecer em Londres em tão pouco tempo.

Por isso, eu recomendo, se você pretende viajar para Londres para conhecer pelo menos um pouco dessa maravilhosa cidade, planeje-se para, no mínimo, uma semana.

Nesses 4 dias que se seguiram tivemos a oportunidade de conhecer alguns dos lugares mais famosos da cidade, mas nem metade daquilo que eu havia planejado.

No segundo dia conhecemos o Covent Garden, chegamos bem cedo, a ponto de ver as barracas sendo montadas nesse antigo e charmoso mercado da cidade. Visitamos a St. Paul Church, a simpática igreja anglicana construída em 1633 pelo arquiteto Inigo Jones. Era domingo de páscoa, mas é engraçado como lá não se celebra a páscoa da forma que comemoramos aqui. Não vimos uma única vitrine enfeitada com os tradicionais ícones pascoais. O máximo que vimos foi uma exposição de ovos gigantes que haviam sido trabalhados por diversos artistas e seriam leiloados para arrecadar fundos para instituições de caridade. – Ovos de chocolate??? Oi? O que é isso? Em Londres, isso não tem saída. Ou a saída é tão rápida que nem vimos. – Dali fomos a Candem Town, o bairro mais descolado, alternativo e entusiasmante da cidade. Pessoas diferentes, lojas que vendem de tudo o que você imagina e o que não imagina. Coisas novas, velhas, usadas, cibernéticas, punks, góticas, burlescas, militares, souvenirs, decorativas, alternativas, underground, muitos brechós, muita diversidade. O resto do dia foi pouco para curtir ali. Chegamos em casa podres, mas totalmente felizes com o que vimos e, lógico, com as compras.

{9 de abril de 2012}

Terceiro dia, chuva, starbucks, H&M (adoro!), British Museum, almoço thailandês, Wimbledon para mim e Caio, Museu da Guerra para Evandro e Jali. Não dá pra fazer muita coisa com chuva. Acho que foi nesse dia que decidimos não ir pra Stonehenge.

Gauleses, Normandos e outros povos do passado

Esses dois aí de cima são o Asterix e o Obelix (aliás, o Obelix está segurando o mascote Ideafix), como a maioria deve saber. Esses personagens tão famosos das histórias em quadrinhos são guerreiros gauleses, cujas histórias se passam por volta do ano 50 a.C. Eles moram numa aldeia situada na península Armórica, ao norte da antiga Gália.

Gália, é o termo antigo usado para designar o atual território francês e Armórica é a região que constitui a atual península Bretanha. A Bretanha fica no noroeste da França, banhada pelo Canal da Mancha e o Oceano Atlântico. Uma das cidades dessa região banhadas pelo Canal da Mancha, é Saint-MaloSaint-Malo é uma comuna francesa na região da Bretanha, é quase divisa com a região da Normandia.

Normandia também fica no noroeste da França, colonizada pelos Normandos, é uma região conhecida pela II Guerra Mundial, a Batalha do Dia D, pelo queijo Camembert e pelos lindos castelos e cidades medievais, campos e falésias.

E aí você se pergunta: “Tá, e daí?”. E então eu te respondo: Saint Malo é a nossa porta de entrada para a Normandia, nosso destino de viagem em 2012. Sim, vamos para o tão lindo e almejado interior da França, onde maravam Asterix e Obelix.

Mas nem só isso, vamos começar por Londres, Stonehenge, e depois passamos pela Bélgica, em duas cidades e fechamos com a nossa querida Cidade Luz, que sempre vale a pena visitar.

A viagem desse ano será mais curta, só 15 dias. Mas será em dobro, com meu irmão e minha cunhada para nos fazer companhia.

Portanto, esteja de olho nos próximos posts, porque a aventura vai recomeçar.

 

Pin It
<script type="text/javascript"