Aprenda a estacionar com os Romanos

Antes que essa nossa vigem acabe, faltou falar de uma peculiaridade a mais a respeito de Roma.

Não pudemos deixar de notar o jeito caprichoso dos Romanos na hora de dirigir. Os carros são impecáveis, nenhum arranhão, muita paciência no trânsito e muita habilidade na hora de estacionar. São realmente exemplares. Como vocês poderão notar abaixo. #sendoirônica

Mesmo assim, a gente ama Roma!

🙂

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Só mais um pouquinho

No nosso quarto dia em Roma, o tempo já estava bem melhor, deu até um calorzinho. Fomos para a zona sul de Roma, em direção à Trastevere. Descemos até o Teatro di Marcello, em ruinas, e logo depois, até o Tempio di Vesta e o Tempio della Fortuna Virilis.

Teatro di Marcello

Tempio della Fortuna Virilis

Tempio di Vesta

Fomos então à Igreja Santa Maria in Cosmedin, que é a uma antiga igreja medieval e que contém os restos de um antigo templo grego do século VIII, além dos possíveis restos mortais de São Valentim. O local é bastante singelo, mas o que mais atrai os turistas é a famosa Boca della Veritá, uma pedra esculpida com o deus do mar Oceanus. A escultura fica no pórtico da Igreja, é possivelmente do primeiro século da antiga Roma quando, na verdade, tratava-se de uma tampa de esgoto. Entretanto, ficou conhecida a partir da idade média, quando se originou a crença de que ela cortaria a mão de quem mentisse.

Bocca della Verità

Interior da Igreja Santa Maria in Cosmedin

Fragmento de mosaico grego do séc. VIII

Nosso passeio continuou pelas margens do Rio Tibre e passando pela ponte Fabricio, construída em 62 a.C. chegamos à Isola Tiberina, uma ilha com construções medievais muito charmosas.

Isola Tiberina

Ponte Fabrício

No quinto dia em Roma, visitamos a igreja de Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, local onde antigamente fora os Banhos de Diocleciano, posteriormente foi transformado em Igreja sob projeto de Michelangelo e sofreu algumas outras reformas para se converter no que é hoje. A igreja é imensa, mas o fiéis são pouquíssimos, não chegam a preencher o saguão em frente ao altar. Quem vê sua fachada, jamais diria que trata-se de uma igreja.

Igreja de Santa Maria degli Angeli e dei Martiri - antigo banho Romano

Piazza della República e a Fontana delle Naiadi

Interior da Igreja de Santa Maria degli Angeli

Para terminar nosso passeio em Roma, visitamos a cripta de Santa Maria della Concezione, construída em 1624, onde estão os restos mortais de 4 mil monges capuchinhos. Os monges acreditavam na ressureição da carne, e por isso enterravam e preservavam seus corpos para a vida pós ressureição. Com a afirmação da igreja católica de que a ressureição era do espírito e não da carne, a tradição foi se perdendo com o passar dos tempos, não sem antes uma pequena insistência por parte desses monges. Um dos líderes era parente do Papa em questão nessa época, e este conseguiu permitir a manutenção dos corpos sob aquela igreja. Eles aceitaram a decisão da igreja, mas preferiram manter pelo menos partes dos corpos, em respeito aos que morreram e caso precisassem no futuro. E aí foram criadas 5 capelas com os restos mortais dos monges, formando adornos, colunas, candelabros e altares, todos de ossos empilhados, alguns até com os corpos dos monges inteiros, ainda vestidos com suas vestes originais. A mais perturbadora de todas as capelas é a que contém os pequenos corpos de duas crianças, sobrinhas do monge em questão. A entrada nessa cripta é gratuíta, mas eles aceitam doações e vendem cartões postais para arrecadar fundos para manutenção. Uma boa opção para os turistas, já que não é possível fotografar o recinto. É um daqueles locais que a gente vê em programas de tv e tem até a curiosidade mórbida de ver de perto. Mas garanto que não é tão prazeroso assim.

Uma da capelas da Cripta dos Capuchinhos (digitalizado de postal)

 

Outra capela da Cripta dos Capuchinhos (digitalizado de postal)

Nossos últimas horas em solo Romano foram de compras, mais um jantar no Hard Rock Café, descanço no hotel e muuuito aeroporto.

Overdose Romana

Tá com paciência e vontade de saber um pouco mais sobre Roma? Então senta que o post é grande. Vem comigo. 

No dia 06 de maio, saímos para conhecer um pouco mais de Roma. Nosso primeiro destino foi a Igreja Santa Maria Maggiore, que dizem ser a mais fina igreja de Roma, em função da grande quantidade de ouro provinda do Novo Mundo (oi? somos nós?) e dos seus vitrais. Segundo nosso guia (livro), há nessa igreja uma réplica da manjedoura de Cristo, abaixo você poderá conferir a foto…

Dali seguimos novamente em direção à Cidade Antiga. Visitamos o Circo Massimo, que era uma arena próxima ao Coliseu onde, naquele tempo, se realizavam corridas de biga. Atualmente é uma grande área aberta com gramado, onde alguns jovens casais de namorados vem passar as tardes sob as árvores.

Teto da Igreja de Santa Maria Maggiore, adornado com o ouro do Novo Mundo

Réplica da mangedoura de Cristo, identico não?

Circo Massimo

Como disse anteriormente, tentamos usar nossos ingressos para visitar o que faltava do Foro Romano, o que não foi possível, pois o voucher é válido para 1 dia somente e achamos que não valeria a pena comprar os ingressos novamente. Então circulamos os muros do Foro Romano (pobre? haha) mas dali já deu pra ver muita coisa interessante e muitas ruinas, inclusive o local que fora prisão dos apóstolos Pedro e Paulo. – Na verdade Roma é um grande sítio arqueológico, tem diversas ruinas espalhadas pela cidade, é impressionante de ver. Por isso não existem muitas linhas de metrô em Roma, a cada escavação, se encontra algo. Pensando por esse lado, pagar para ver ruinas é bem coisa para turista.

O tempo não colaborou muito conosco nesses dias e começou uma garoa fina. É sempre bom levar guarda-chuva na mochila. Queríamos visitar a Igreja San Clemente, ainda nessa região. O interessante dessa igreja é que no seu piso inferior, existe ainda um antigo templo mitraico e um altar com a imagem de Mitras em um ritual matando um touro. Há ainda ruas de 1900 anos, restos de edifícios e um córrego subterrâneo que, acredita-se, ser o antigo sistema de esgoto de Roma. Vale a pena a visita, mas nós não conseguimos entrar. Pois na hora em que ali chegamos estava acontecendo um velório. Resolvemos primeiro ir almoçar e voltar mais tarde. Só que quando voltamos o velório estava realmente terminando, o corpo saindo para o sepultamento e tal, e foi só o corpo sair, as portas da Igreja foram fechadas, ou melhor, trancadas por assim dizer.

Foro Romano - ruínas

Prisão dos apóstolos Pedro e Paulo

Mais um pouquinho da cidade antiga

Dali seguimos para o centro. Passamos ainda por algumas igrejas e uma loja que nos chamou a atenção, trajes e acessórios para padres, bispos e outros membros da igreja. Tem de tudo ali: mantos, camisas, sapatos, chapéus (me desculpem, não sei os termos corretos para essas vestimentas) até anéis, crucifixos e kits para algo como benzimento ou exorcismo. Isso sem falar nos preços, coisas como a capa de um “lecionário” em prata e basalto, esculpido a mão, por 970 euros.

Visitamos também a Igreja de Santa Maria sopra Minerva – mais um exemplar de Igreja Católica construído sobre um antigo templo ao culto de um deus romano: nesse caso, Minerva. – Dentro, mais uma obra de Michelangelo, Cristo Ressucitado. E o túmulo de Santa Catarina de Siena. Eu achei as rosáceas dessa igreja mais bonitas que a da Santa Maria Maggiore.

Loja de roupas sacras

Mais da vitrine

Santa Maria sopra Minerva, interior da igreja

Cristo Ressucitado, de Michelangelo

E então, chegamos ao Pantheon, mais um local destinado ao culto de outros deuses antigos romanos, foi construído sobre o templo de Marcus Agripa, pelo Imperador Adriano, em 118 a.C. Sua cúpula ainda é considerada a maior cúpula de concreto não armado do mundo, tem 43,3 metros de diâmetro. Atualmente ele pertence também a Igreja Católica, e serve de túmulo para grandes personalidades como Rafael e reis italianos (Vittore Emanuele II e Umberto I). A fachada estava em reforma e sua área externa é muito simples. Mas é impressionante estar dentro dele. A sua abertura central nem parece tão grande, mas tem 9 metros de diâmetro. Se não fosse tão cheio de turistas, com certeza seria um convite à meditação.

Logo ali tem a Piazza Navona, antes uma antiga pista de corrida romana, hoje é uma praça muito agitada, frequentada e cheia de cafés, artistas e turistas. Ali também se encontra a embaixada do Brasil, e foi onde paramos para tomar um sorvete italiano, delícia! A praça é muito linda, mas acredito que no verão deva ser insuportavelmente quente, pois é puro concreto, pedras e cimento, sem nenhuma sombra de árvore.

Lateral externa do Pantheon

Fachada em reforma

Cúpula com a abertura no topo

Interior do Pantheon - nenhuma foto consegue capturar a dimensão do local

Embaixada do Brasil

Artistas na Piazza Navona

Sorveteeee italiano, hmm!

O dia resolveu colaborar e abriu um restinho de sol. Mais uma pernada e chegamos a Fontana de Trevi, a mais famosa das fontes romanas, e a mais romântica. Abarrotada de turistas, ficou quase difícil de tirar alguma foto, e onde eu fiz a tradicional simpatia, de costas, jogar 1 moeda para voltar pra Itália, 2 para voltar pra Roma. A Fontana é muito linda, as águas tão límpidas e frescas, dá mesmo vontade de tomar um banho, como fizera Anita em La Dolce Vita.

E então, para fechar esse overdose de Roma no segundo dia, jantamos no Hard Rock Café, por incrível que pareça, um dos lugares com melhor custo x benefício em termos de refeições na cidade. Claro que é comida americana, se você procura algo tradicionalmente italiano, tem que ir nos restaurantes e cantinas italianas, mas já adianto que o preço é caro! Hard Rock é bom no preço e na comida, mas mais divertido ainda é ver de perto algumas relíquias dos astros do rock.

Fontana di Trevi

Fontana di Trevi

E a multidão em frente a Fontana

Hard Rock Café Roma

Interior do Hard Rock, e uma jaqueta do Elvis emoldurada na parede. Detalhe para o céu angelical.

E por fim…

Por fim, estivemos na cidade onde tudo começou. O berço da nossa civilização. O um dos maiores impérios da antiguidade. E talvez a cidade mais antiga de toda a Europa: Roma!

Roma foi nosso último destino na viagem. Chegamos no dia 05 de maio e nos hospedamos no Hotel Cesare Balbo Inn. Um hotel modesto mais muito acolhedor. Café da manhã no quarto e um recepcionista que mal sabia falar inglês. E o que mais as pessoas querem ver em Roma? O Coliseu, óbvio. Nosso Hotel ficava a algumas quadras do Coliseu, e esse foi nosso primeiro destino.

Para mim foi realmente a realização de um sonho. Conhecer pessoalmente o Coliseu, passear pelos seus corredores, seu museu com as réplicas das roupas dos gladiadores, nas diversas fases da história, dar a volta sobre suas arquibancadas e vê-lo sobre os mais diversos ângulos, foi uma experiência que recomendo a todos que gostam de história, lutas, antropologia, arquitetura e hollywood. Um detalhe que eu não sabia e que me deixou bastante surpresa é que o Coliseu está hoje ligado à Igreja Católica e a via Sacra da Sexta Feira Santa é concluída no Coliseu. (um lugar tão cheio de mortes e crueldade, irônico né?)

Depois disso, fomos visitar o Foro Romano. Uma relíquia histórica incrível, uma viagem no tempo. Ver aquela cidade com mais de 2 mil anos ainda preservada e andar por ela, é realmente fascinante. O que eu mais lamento na visita à Roma, foi ter gasto tempo demais na visita ao Coliseu e não conseguir ver tudo no Foro Romano. Compra-se um ticket que dá direito a visitar as duas obras. Mas a visita só é permitida até as 17h (ou 18h) e por isso não conseguimos ver tudo naquele dia, tivemos que sair antes. E ninguém nos avisou que o ingresso era válido por só um dia.

Mas o pôr do sol daquele fim de dia renderam fotos e lembranças incríveis.