Mais alguns últimos desejos na Cidade Luz

{21 de abril de 2012.}

Nós, meu irmão e minha cunhada tínhamos desejos diferentes sobre Paris, para nós, era a segunda e terceira vez que estávamos por lá, para eles, era a primeira. Por isso havia coisas que eles queriam ver que já tínhamos visto. E por isso nos dividimos na maioria dos dias. Mas no sábado de manhã, queriamos ver uma coisa em comum, as Catacumbas de Paris.

Fomos até o local, e descobrimos que não éramos os únicos que tiveram a brilhante ideia! Tinha mais umas centenas de pessoas ansiosos por visitar as Catacumbas, a fila dava a volta na praça e estávamos a uns bons 100 metros da entrada. Demos uma chance ao destino e aguardamos por cerca de 1 hora, na qual devemos ter andado coisa de 3 metros… Como era nosso último dia em Paris e a tarde já iríamos embora, decidimos não perder mais tempo ali naquela fila e deixar as Catacumbas para uma próxima vez…

Nos separamos, eu e Caio fomos ver outro ponto da cidade que eu prometi a mim mesma que não deixaria de ver essa vez, os Canais de St. Martin, aquele onde a Amelie Poulain joga as pedrinhas *—* – como não amar? O canal é longo e foi construído em 1802 a mando de Napoleão, para suprir a necessidade de água para uma então população crescente na cidade. Como não é trajeto natural da água, ele foi construído com uma serie de eclusas para compensar os desníveis. Existe um passeio que se faz a bordo de um barco, para turistas, mas nós, mochileiros que somos, optamos por fazer o trajeto a pé mesmo e foi lindo da mesma forma.

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Se eu joguei pedrinha? Não.. não tive coragem. Parecia que estaria cometendo um vandalismo. Mas devia ter jogado…

De lá fomos até o bairro mais intelectual de Paris, Saint-Germain-des-Prés, onde vimos a igreja de mesmo nome, a mais antiga de Paris ainda de pé. Mas não fomos lá para isso, a verdade é que eu queria realizar um último desejo a respeito da cidade, comprar e provar os legítimos macarons, e tinha que ser na Ladurée, a mais tradicional fabricante do doce no mundo (eu já tinha comido os macarons em Paris na nossa passada por ali quanto viajávamos de Rouen para Brugges, mas era do McDonalds, não vale). Na nossa última visita, eu lembrava de ter passado por uma loja deles nesse bairro, ficava numa esquina. E eu queria encontrá-la novamente, mas no mapa que tínhamos em mãos ela não estava sinalizada e veja bem, nesse ano ainda não tinhamos smartphones para nos ajudar (o mundo até já tinha, mas nós ainda não). Por isso andamos um tempão por diversas ruas, mas finalmente comecei a reconhecer o lugar e voilá! lá estava ela, na mesma rua, mesma esquina e com a mesma vitrine maravilhosa. Fiquei orgulhosa da minha capacidade de memorização espacial e muito dividida na hora de selecionar os 8 sabores de macarons que minha caixa tinha direito. 🙂

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E com isso acabaram nossos passeios em Paris dessa vez. Voltamos para o Hostel onde nos reencontramos com nosso casal padrinhos de casamento e companheiros da viagem, e pegamos um taxi para o aeroporto, onde fizemos um último micro tour pela cidade ao som de Michel Teló “Ai se eu te pego”!!! (sim, o sucesso chegou em Paris).

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Ao sair de lá e agora, reescrevendo nossa trajetória nesse blog, me pego pensando em como Paris oferece coisas para visitar e conhecer, ela é linda e fascinante sob diversos aspectos, e mesmo que eu morasse uma vida inteira lá, ainda teria coisas para conhecer, ou mesmo rever sob outros ângulos, que sempre acabam nos surpreendendo, como ao decolar do aeroporto ao anoitecer, onde vi uma das mais belas visões da minha vida, a Cidade Luz vista do céu. Uma pena que nenhuma foto que eu tenha tirado conseguiu retratar, de fato, o que eu vi.

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Nossa viagem de volta para casa não teve nenhum imprevisto dessa vez. Quando chegamos em Curitiba, a primeira coisa que fizemos foi almoçar numa churrascaria, para matar a saudade de comer carne e comida brasileira. E assim terminou nossa segunda viagem juntos para a Europa.

Visita especial em Paris

20 de abril de 2012.

Nesse dia, fomos novamente até Roland Garros, eu e Caio. Ao lado de Roland Garros tem um parque muito bonito, um Jardim Botânico (o Jardin des Serres D’Auteuil). E enquanto o Caio foi lá comprar os ingressos e aguardar o início da visita, eu fiquei passeando ali pelo Jardim. Existem diversas estufas, simulando diversos ambientes e florestas ao redor do mundo, resolvi entrar em uma delas pra ver o que tinha e adivinhem qual era? Floresta tropical! Ri sozinha. Tantas florestas que existem no mundo e a pessoa entra num exemplar do que ela tem na própria região onde mora. Estava friozinho em Paris, mas dentro da estufa estava bem aquele clima quente e úmido que a gente conhece muito bem!! Não, não chegou a dar saudades, mas me senti em casa.

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Depois, finalmente, a tão aguardada visita a Roland Garros. Para quem é fã de Tênis é uma visita que vale muito a pena. Eles te mostram praticamente tudo do Philippe-Chatrier Court, a quadra principal, desde o fosso onde ficam os fotógrafos, até o passeio dentro da própria quadra, passando pelas salas dos jornalistas, o vestiário masculino, os armários oficiais do grandes jogadores (Federer e Nadal <3), a sala de entrevista coletiva, onde você pode se sentar no lugar dos jogadores, o “hall da fama” onde os vitoriosos assinam as paredes, e a visita dentro da quadra oficial. Muito legal mesmo! Dava para ver o brilho nos olhos de alguém. Mais legal que isso, só ver um jogo ao vivo dos ídolos ali, infelizmente estava fora da temporada de qualquer campeonato.

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Eu queria muito visitar a Praça da Bastilha, por causa da grande importância histórica desse lugar para a França (se quiser conferir mais sobre o assunto, clique aqui), e lá fomos nós, de metrô (não é perto), até a tal da Praça, que me decepcionou bastante. Lógico que eu não esperava ver a Bastilha, mas algo um pouco mais bonito que uma rotatória com um mastro no meio, já que estávamos em Paris.

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O restante do dia foi para andar sem pressa por Paris, estava nublado e ameaçando chover. Andamos até o Pantheon, que só vimos por fora, tinha que comprar ingresso para entrar, e como dessa vez não investimos no Paris Museum Pass, optamos por não entrar. Encontramos meu irmão e minha cunhada num McDonalds perto do Jardim de Luxemburgo, olha que legal, encontrar a família em Paris, foi engraçado. E depois gastamos um tempinho fazendo umas comprinhas de última hora, com direito a visita à Galeries Lafayette, maravilhosamente linda.

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Voilá Paris!

{19 de abril de 2012}

Chegamos em Paris no dia 18 de abril, mas chegamos tarde e só descansamos no hotel aquela noite. Fizemos a reserva no mesmo Hostel que ficamos hospedados em 2010, 2 anos depois ele não mudou muita coisa… aliás, parece sim que estava a mesma coisa, se não um pouco mais judiado pelo uso de gente meio sem educação. Nosso quarto não foi tão bom quanto da outra vez. Mas quem se importa com isso quando se está em Paris?!

Nosso principal objetivo dessa nova oportunidade em Paris era ver os locais que havíamos deixado passar na vez anterior, além de rever nossos locais favoritos. Um dos primeiros destinos foi umas das famosas estações de metrô desenhada por Hector Guimard, que são um dos grandes marcos do estilo Art Nouveau que eu tanto estudei na faculdade. Para nossa sorte, uma das 2 estações clássicas com telhado de vidro ainda conservadas, ficava a poucas quadras do nosso Hostel, ali mesmo, no Montmartre, na estação Abbesses, que ainda por cima era a estação de uma das cenas do filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” (meu xodó). Mas como em Paris você chega a qualquer lugar de metro, resolvemos ir de metrô mesmo. Estação do Guimard (checked).

Estação Abbesses Estação Abbesses

Aí foi a vez do Caio escolher sua atração “faltante”: nada menos que Roland Garros. Aí a pernada é longa… além de vários quilômetros de metrô, mais algumas quadras a pé e você chega à Roland Garros, mas você estará quase saindo de Paris. Chegando lá, surpresa: estava fechado! Tudo bem, decidimos voltar no dia seguinte, para pegar a visita guiada.

Roland Garros fechado

Partindo dali, demos aquela passada básica e necessária no Campo de Marte / Torre Eiffel / Trocadero, que sempre é lindo, que sempre vale a pena, que não é uma visita a Paris se não visitar a Torre, que você perde o fôlego e se emociona, que você não se acredita em estar novamente ali…. enfim. Eu não tinha visto ainda a Torre a partir do Trocadero, e nem visto o show das águas dali (Caio sim, eu não). E por ali devemos ter ficado, de boa, umas duas horas, pelo menos, pegamos até uma chuvinha. Ficamos ali só curtindo a vista, sem pressa, como dois apaixonados um pelo outro, e pela cidade. Torre Eiffel vista do Trocadero (checked).

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Depois disso, fomos caminhando até o Arco do Triunfo, atração que deixei de lado da primeira vez, por não achar tão importante… e que valeria ser visitado numa segunda visita. Mas não subimos nele não, não dessa vez, fica para uma terceira visita… Arco do Triunfo (checked)

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Na sequência, passeio clássico em Paris, descer a Champs-Elysées, sim, nós já havíamos andado por ela na vez anterior, mas foi da altura do Petit Palais em direção ao Louvre, dessa vez, foi desde o Arco do Triunfo, até o Louvre novamente. Muitas lojas, muitas grifes, muito glamour, muitos cafés, muitas tentações, muitos gritinhos de euforia e muitos suspiros… Descer a Champs Elysées (checked).

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Passamos pelo Obelisco (Praça da Concórdia) e adentramos ao Jardim das Tulherias que amamos de paixão e sempre vale a pena uma visita. Tão Paris, tão charmoso, tão bonito… Demos aquele ‘oisinho’ de fora para o Louvre (dessa vez não entramos não, mas a tentação era grande) e fomos em direção ao Rio Sena. Passamos pela Pont des Arts e não nos lembramos dos cadeados <3, nem de passar por cima dela… Estava tão focada em ver a Pont Neuf nessa visita, que nem me lembrei da Pont des Arts, tão romântica. A Pont Neuf foi a primeira ponte de Paris sobre o Rio Sena, sua construção começou em 1578 e foi concluída em 1607. Pont Neuf (checked).

Praça da Concórdia Jardim das Tulherias Jardim das Tulherias Arco du Carrousel Pont des Arts Pont Neuf Pont Neuf

Estando na Ile de La Cité, passamos novamente por um local que adoramos e que pouca gente comenta, uma espécie de mercado de flores que tem ali pelo meio, com vários artigos lindos e exclusivos para quem ama jardinagem. É de morrer de amores.

Mercado de flores Mercado de flores

Para completar a caminhada, paramos em frente a Notre Dame e a enamoramos por algum tempo, observando o sol se abrir depois da chuva e vendo as cores da fachada mudando conforme o sol se abria novamente. Tivemos a grande sorte de pegar ela aberta por ocasião de uma missa que estava acontecendo, e com isso pudemos visitá-la novamente por dentro, sem ter que pagar por isso, além de ver uma missa linda em francês. Deus é muito bom com a gente!

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Olha a gente já de olho nos bebês…

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Paris e seu fim de tarde conseguem sempre nos surpreender, mesmo com o dia chuvoso e nublado que pegamos, no final do dia (lá pelas 21h), ainda conseguimos pegar aquele lindo pôr-do-sol que é mágico na cidade luz. Nos encontramos novamente com meu irmão e minha cunhada para levá-los até o Moulain Rouge, que dessa vez, vimos à noite, com seus neons de cabaré ligados.

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Viu quanta coisa da para se fazer em Paris num dia só? E grande parte a pé, a outra parte de metrô. Com custo praticamente zero e você tem toneladas de inspiração e visões lindas.

 

Das coisas que acontecem pelo caminho

{16 de abril de 2012}

De Rouen, pegamos um trêm para Paris, que era conexão para Bruges. Após uma espera gelada na estação de Rouen, chegamos a Paris na Gare de Lyon, e precisamos fazer uma conexão dessa estação à Estação Gare du Nord. Na hora de comprar os tickets do metrô, fomos abordados por um pedinte pedindo dinheiro. Falava francês, mas quando respondemos em português que não estávamos entendendo, ele repetiu a pergunta em inglês… (mendigo europeu, outro nível…).

Paris estava parecendo mais suja do que da vez anterior que estivemos ali. Ao pegar o metrô, outra desagradável surpresa. Uma mulher com uma garrafa de bebida alcóolica (cana, pinga, birita, 51? no baby, Champagne…) na mão e visivelmente embriagada, cantava e cambaleava no vagão. Lá pelas tantas, resolveu sair na estação onde o metrô parou, mas não saiu totalmente, ficou com metade do corpo pra fora, a outra metade pra dentro (pernas pra fora, cabeça pra dentro). E o metrô deu o sinal de partir e fechar as portas, nessa hora bateu o desespero em alguns passageiros, uns ficaram apavorados e começaram a gritar para a mulher sair, outros gritavam dizendo para deixá-la, que se virasse, outros já estavam prestes a apertar o botão de emergência… {Minuto de tensão!} Por fim, ela saiu do vagão cambaleando de costas, o metrô seguiu viagem e nós ficamos com aquela cara de susto olhando um para o outro.

Ao esperar o trem na Gare du Nord, resolvi dar uma passada no McDonalds que ficava bem próximo e comprei alguns macarons (McDonalds francês, fino….)
E então, finalmente, pegamos o trêm com destino a Bruges.

A viagem foi agradável e tranquila. Chegamos em Bruges por volta das 21h, já estava escuro. Mas resolvemos ir a pé mesmo até o nosso B&B. O local era perto, mas tivemos que passar por um parque, que em circunstâncias iguais no Brasil, jamais teríamos coragem de passar, escuro, a noite e sem policiamento. Mas lá foi tranquilo.

Parque que atravessamos para chegar no B&B, só que a noite.

Havíamos feito a reserva no Het Colettientje, um Bed & Breakfast comandado por uma senhora chamada Maria. Gostamos das referências encontradas sobre o local, por ser uma casa, e pela hospitalidade. Ao encontrarmos a casa, que ficava numa ruazinha parecida com  um condomínio fechado (mas sem ser fechado) de casas geminadas, avistamos um bilhete na porta. O bilhete dizia assim:

bilhete da Maria

“Olá Caio, eu não estou em casa. A chave está sobre o buxinho à esquerda. Seus quartos são no primeiro piso (as portas estão abertas). Eu retorno às 10h esta noite. O café da manhã é as 9h. Desculpe, Maria.”

Ficamos tão de cara com a confiança dela que começamos a rir (segurança européia, invejável…). E nessa ela nos ouviu e abriu a porta, já havia voltado do seu compromisso.

O condomínio onde ficava nosso B&B

O condomínio onde ficava nosso B&B

A Maria foi a pessoa mais marcante da nossa viagem. Uma pessoa gentil e acolhedora. Mas com uma personalidade forte, de quem já viveu muito e tem muita autoconfiança e autoridade. Falava muito, numa mistura de idiomas: inglês, francês, italiano e holandês. Ela literalmente mandava na gente, como se fosse nossa mãe: “agora vocês vão lá comer!”, “agora vocês vão sair”, “passem lá nessa cervejaria e tomem uma cerveja por mim!”, “saiam, saiam”, “sentem aqui agora”, “limpem o banheiro depois de tomar banho”, “não batam a porta” e assim por diante.

Mas ela foi uma ótima anfitriã e cicerone. Nos indicando restaurantes, chocolaterias e cervejarias, fora do eixo turístico, tudo através do mapinha que ela tinha em mãos, anotando tudo a caneta enquanto tagarelava sem parar.

Mapa com as orientações da Maria

A Maria.

Sua primeira indicação foi um sucesso entre a gente, e voltamos lá algumas vezes durante nossa estadia em Bruges. A cervejaria Cambrinus, um local com mais de 200 tipos de cervejas belgas e comida farta e saborosa.

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Na ida até o Cambrinus, atravessamos o pequeno centro histórico e praça central da cidade, e já ficamos impressionados com a beleza do local. Os prédios históricos iluminados e os canais nos deixaram encantados. Poucas cidades que já visitamos valorizam tão bem seus monumentos e prédios históricos a noite como Bruges.

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Nossa intenção era passar o dia seguinte em Bruges e no outro dia, seguir para Bruxelas. Mas depois das valiosas dicas da Maria, além do que vimos e adoramos na cidade, resolvemos passar mais um dia lá e dispensar o visita à Bruxelas.

Gauleses, Normandos e outros povos do passado

Esses dois aí de cima são o Asterix e o Obelix (aliás, o Obelix está segurando o mascote Ideafix), como a maioria deve saber. Esses personagens tão famosos das histórias em quadrinhos são guerreiros gauleses, cujas histórias se passam por volta do ano 50 a.C. Eles moram numa aldeia situada na península Armórica, ao norte da antiga Gália.

Gália, é o termo antigo usado para designar o atual território francês e Armórica é a região que constitui a atual península Bretanha. A Bretanha fica no noroeste da França, banhada pelo Canal da Mancha e o Oceano Atlântico. Uma das cidades dessa região banhadas pelo Canal da Mancha, é Saint-MaloSaint-Malo é uma comuna francesa na região da Bretanha, é quase divisa com a região da Normandia.

Normandia também fica no noroeste da França, colonizada pelos Normandos, é uma região conhecida pela II Guerra Mundial, a Batalha do Dia D, pelo queijo Camembert e pelos lindos castelos e cidades medievais, campos e falésias.

E aí você se pergunta: “Tá, e daí?”. E então eu te respondo: Saint Malo é a nossa porta de entrada para a Normandia, nosso destino de viagem em 2012. Sim, vamos para o tão lindo e almejado interior da França, onde maravam Asterix e Obelix.

Mas nem só isso, vamos começar por Londres, Stonehenge, e depois passamos pela Bélgica, em duas cidades e fechamos com a nossa querida Cidade Luz, que sempre vale a pena visitar.

A viagem desse ano será mais curta, só 15 dias. Mas será em dobro, com meu irmão e minha cunhada para nos fazer companhia.

Portanto, esteja de olho nos próximos posts, porque a aventura vai recomeçar.

 

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Le Flâneur – stop motion de Paris

Esse é um vídeo de Paris, feito com a técnica de stop motion. O autor é um estudante da American University of Paris, chamado de Luke Shepard.

Um trabalho belíssimo feito com 2 mil fotografias, uma Nikon D90 e um tripé.

Perfeito para ver Paris de um outro ângulo, ou rever do mesmo jeito que você viu quando esteve lá. A primeira cena, por exemplo, foi feita a partir dessa escadaria aqui, pela qual passamos. E de lá tiramos uma foto da Torre Eiffel. Adorei!

Luxemburgo, Père Lachaise e Moulin Rouge

Cimetière du Père Lachaise

No dia seguinte, 26 de abril, fomos ao Cemitério do Père Lachaise, o terreno do cemitério foi comprado em 1803 por Napoleão, e se tornou morada eterna das grandes celebridades de Paris, como Honoré de Balzac, Frédéric Chopin, Allan Kardec, Edith Piaf, Oscar Wilde, Delacroix e o cantor Jim Morrison, só pra citar alguns.

Allan Kardec

Balzac

Chopin

Delacroix

O cemitério é deslumbrante, claro que sombrio como se você estivesse num filme de terror, mas os túmulos são tão trabalhados arquitetônicamente, que merecem uma visita e você, de quebra, leva belas fotos.

O mais chinfrim, cá entre nós, é mesmo o túmulo do Jim Morrison.

Jim Morrison

Quando você entra no cemitério, há alguns jovens vendendo mapas para você localizar os túmulos das celebridades, o preço é irrisório, e o mapa é extremamente útil para você não passar um dia inteiro perdido no cemitério.

De lá, voltamos para o centro de Paris e caminhamos até os Jardins de Luxemburgo. Ficamos sentandos um tempo, apreciando a movimentação e as crianças brincando com os barquinhos a vela no lago do centro do Jardim. Vou te falar, crianças em Paris são lindas e fofamente vestidas.

Tulipas, no Jardim de Luxemburgo

Jardins de Luxemburgo

Depois de uns dias, folhando o tal livro que comprei no Museu d’Orsey, descobri que o lance dos barquinhos a vela com que as crianças brincam no Jardim de Luxemburgo, não é necessariamente algo novo…

Jardim de Luxemburgo, 1880.

Detalhe da foto

Andamos pelas ruas da cidade e tive a oportunidade de bisbilhotar as vitrines com os maravilhosos e lindos doces franceses.

Por fim, a noitinha fomos até o Moulin Rouge tirar umas fotos, que eu não iria deixar de ver em Paris de jeito nenhum.

Voulez-vous coucher avec moi?

E aí, no caminho para o “moinho vermelho” me deparei com um outro lugar muito conhecido, pouco falado.
Quem nunca viu esse cartaz aqui?

Eis aqui o tal Bistrot, no Montmartre.

Chat Noir

Jardins de Versailles

Entrada para o Palácio de Versailles

Dia 25 de abril, foi o dia em que acordamos “cedo” e pegamos o trem em direção a Versailles, para visitar o Château de Versailles, o enorme palácio real construído por Luix XIV, o Rei Sol, e utilizado como residência real até Luiz XVI, com a queda da monarquia francesa.

e essa cerca dourada?

A fila para comprar os ingressos é gigante e você pode demorar horas nela. Assim que saimos do trêm, agentes de turismo que ficam esperando na estação nos recomendam comprar as entradas de antemão no posto de informações turísticas localizado logo em frente a estação. Foi o que fizemos, e com isso garantimos entrada imediata. O nosso Paris Pass não incluia a entrada aos Jardins de Versailles, só ao Chateau. De qualquer forma, foi uma enorme vantagem comprar no posto turístico em frente a estação ferroviária, pois a fila para comprar os ingressos no próprio local estava desanimadora.

Se você for ao Palácio de Versailles, é bom reservar um dia inteiro para aproveitar bem a visita. O Palácio é maravilhoso, e você pode conferir de perto o verdadeiro estilo Luis XV. Camas suntuosas, espelhos, candelabros, obras de arte, vasos, papéis de parede e cortinas de veludo pertencentes a algumas das mais fomosas famílias reais francesas podem ser conferidos na visita.

Luxo e História, essas são as melhores palavras para descrever o Palácio. O que mais me chamou a atenção? Pode parecer bobo, mas foram 3 coisas: 1. portinholhas discretas (mas não imperceptíveis) nos cantos dos quartos, provavelmente passagens “secretas” entre os cômodos e por onde fugiu Maria Antonieta por ocasião da invasão do Palácio de Versailles na época da Revolução Francesa. 2. o quarto da Rainha, que era a “quilômetros” do quarto do Rei (oi? por que eles dormiam separados?) e 3. o quarto da Rainha onde ela dava a luz a seus rebentos na presença ilustre de toda a corte…

interior do Palácio

Um dos murais em homenagem ao rei (acho que era o Luis XV)

Galeria de Espelhos, onde foi assinado o Tratado de Versailles.

Quarto de Maria Antonieta

Porta "secreta" na lateral do quarto de Maria Antonieta

Móveis Luis XV

Mais um móvel Luis XV autêntico

Mais uma das camas reais com o tradicional glamouroso dossel

Para saber um pouco mais sobre o Palácio numa leitura rápida, recomendo o wikipédia.

E aí, finalmente, o famoso Jardim de Versailles, era domingo e muitos parisienses resolveram também passar pelos jardins, como um passeio de fim de semana (q invejinha). O dia estava lindo, e deu pra passear em boa parte do jardim. Ele é gigantesco! Austero, simétrico, quase só verde, poucas flores, muitas estátuas e chafarizes. O imenso lago ao fundo – onde pessoas passeiam em românticas canoas – ladeado por árvores podadas em topiaria, é uma paisagem quase irreal. Toca-se música clássica o tempo todo, e no final da tarde (não tenho mais certeza desse horário) há o aguardado show das águas, quando todos os chafarizes entram em funcionamento.

Vista a partir do Palácio de Versailles

Um dos labirintos do jardim

Um dos jardins secretos de Versailles

Uma das alamedas, com as árvores em topiaria, todas retinhas

Caio na multidão de visitantes.

O lago, enorme, e seus barquinhos.

No jardim há restaurantes e barraquinhas para você almoçar ou fazer um lanche, pode acreditar!

Vista do Palácio, a partir do Jardim

Show das águas, no principal chafariz

No fim da tarde voltamos para Paris, e resolvemos pegar a filinha (menor) para subir nas torres da Notre Dame.  Foi muito divertido e interessante. Os sinos tocaram bem na hora em que estávamos exatamente ao lado da torre. Ver as gárgulas de perto não tem preço. E a vista da cidade daquele ponto, eu diria que chega a ser mais bonita do que a vista que se tem da Torre Eiffel, pois de lá se tem a vista da Torre, do Rio Sena, da Sacre Coeur, e da La Defense e centenas de outros telhados, torres e pontos famosos ou simplesmente bonitos.

Degraus para subir as torres da Notre Dame.

Gárgulas e Sacre Coeur ao fundo

Gárgulas e telhado da Notre Dame

Gárgula e Torre Eiffel ao fundo

La Defense, num super zoom

Sino da Notre Dame

Vista da Ilha de Sant Louis

Panorâmica a partir das torres da Notre Dame

Por baixo da ponte da Rue de La Cite de Notre Dame

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Pro jantar, Subway em frente a Notre Dame.

Oi Louvre!

No dia seguinte, 24 de abril, foi o dia da tão esperada visita ao Museu do Louvre. Eu queria MUITO ir visitar o Louvre. Uma das primeiras coisas que eu quis, foi encontrar a tal pirâmide invertida suspensa no teto, cujo vértice está sobre uma outra pequena pirâmide no chão. O museu é muito, mas muito muito grande, e quem já foi sabe que é humanamente impossível visitá-lo num dia só. Portanto, selecionamos o que mais tínhamos curiosidade de ver e fomos direto ao ponto. No nosso caso, Egito, Renascentismo, Pinturas Holandesas e Vênus de Milo. Apesar de poder tirar fotos lá dentro, não vou postá-las aqui, por que eu acredito que nenhuma foto substitui o fascínio de ver de perto e com os próprios olhos. Por conta disso, não vou estragar a espectativa de quem pretende visitar o museu um dia. Digamos que vou deixar de surpresa. Só algumas fotinhos de curiosidades abaixo. Detalhe foi receber a ligação de meu querido irmão no momento em que estava prestes a entrar na sala onde se localiza a obra mais famosa do museu, a Monalisa. Posso dizer que ele viu por tabela a Monalisa ao vivo. Depois do Louvre, mas ali no mesmo pátio, fomos ao Museu de Artes Decorativas. Além de seu acervo de mobiliário que datam desde a época medieval até os clássicos do design contemporâneo, ele abriga mostras itinerárias, como a mostra de Playmobil que estava rolando. Eu estava muito ansiosa para ver de perto uma exposição tão completa de um dos brinquedos preferidos da minha infância. Tinha lá os famosos forte apache, ambulância e policiais, mas também muita novidade que me deixaram impressionada com a variedade de cortes de cabelos, barbas, bigodes, figurinos e tantos outros detalhes dos playmobils atuais. Ali também visitei o acervo de mobiliário – minha paixão – passando por autênticos móveis de art nouveau, art déco, anos 40 e 60, além de peças ousadas de design que só tive a oportunidade de ver em livros, como essa cadeira aqui ó: Saindo dali, já no final da tarde, nosso objetivo era o centro George Pompidou. Mas encontramos, por acaso, uma galeria de design de embalagem que eu tinha visto antes pela internet, nas minhas pesquisas sobre Paris, mas que com o decorrer das últimas semanas, com o casamento e outros planejamentos da viagem, havia esquecido completamente. Foi por pura sorte. O endereço da web é esse aqui: Design Pack Gallery. Finalmente chegamos ao centro George Pompidou, repleto de arte contemporânea, quadros surrealistas, dadaísmo, construtivismo, modernismo, Kandinskys, Dalis, Duchamps, Pollocks e Picassos. Eu assim, realizei mais um sonho. E pra brindar o fim do dia, um daqueles pôr-do-sol de tirar o fôlego.

Pôr-do-sol vista de uma das salas do terraço do George Pompidou

La Defense

Nós e Paris

Continuando nossa estadia em Paris, no dia 23 de abril, pegamos o metrô e descemos na região da Ille de la Cité, por alí havia uma loja que me deixou maluca. Repleta de artigos de jardinagem e decoração para jardins.

Depois disso, nossa primeira visita foi ao interior da Catedral de Notre Dame. Os vitrais da catedral são incríveis, e isso me fez recordar uma das aulas mais marcantes que tive de História da Arte, quando minha professora (Berenice) nos contou com emoção sobre o maravilhoso espetáculo de luz e cores que a Notre Dame proporciona a quem está dentro dela. Isso foi por volta de 1998, e eu tinha a certeza que um dia eu veria esses vitrais com meus próprios olhos. Esse foi o meu dia.

Interior da Notre Dame

Interior da Notre Dame

A inundação de turistas e a lojinha vendendo rosários de cristais Swarovski a 700 euros, tiram um pouco da aura sagrada da igreja, mas não diminui a grandeza de sua arquitetura. A catedral de Notre Dame foi construida onde antes havia sido uma catedral merovíngea. Sua pedra inaugural foi colocada em 1163 e sua construção durou cerca de 200 anos. A catedral foi construída no estilo gótico. E desde 1991 ela está inscrita no Patrimônio mundial da Unesco.


Jardins ao lado da Notre Dame

Isso é Paris.

Dali, caminhamos pelo Jardin des Tuileries até alcançar o Musée de l’Orangérie. O Museu de l’Orangérie é onde está a famosa série de quadros Nymphéas, obra-prima do pintor francês Claude Monet, pintados no jardim de sua casa em Giverny. Além disso, no andar de baixo se localizam obras-primas de outros mestres da pintura impressionista que eu tive o prazer de conhecer de perto – e Caio o deleite de rever ao vivo. Cézanne, Renoir, Picasso, Matisse, Modigliani, entre vários outros. Nossa visita foi simultâna à visita de uma turma de teens acompanhados de professores. Pelo que percebi, a missão deles era sentar-se em frente a uma das telas (em absoulto silêncio) e analisá-la. Aí me peguei pensando, eles devem estar achando isso um saco, mas como eles são privilegiados… no meu tempo de estudante, eu tinha que analisar essas telas a partir de uma foto impressa numa transparência, ampliada na parede através de um retroprojetor (se você nunca ouviu falar nisso, joga no google), o que significa que, pequena como a Monalisa ou enorme como as telas dos jardins de Monet, elas ficavam basicamente do mesmo tamanho.

The crow...

Um "cãozinho" com seu dono, no Jardim das Tulherias.

Um senhor encalorado

Uma das telas de Monet

Henri Matisse - Odalisque in Red Trousers, c.1924-1925

Saímos do Musée de l’Orangérie e fomos até o Musée d’Orsay. Outrora fora uma estação de trem e à partir de 1986 transformado em museu, essa esplêndida construção já é incrível por si só. Infelizmente não pudemos tirar fotos lá dentro. A coleção de obras de arte que ele possui são de valor incalculável. Para quem aprecia a arte, é uma visita obrigatória. Foi cerca de 1 hora e meia de visita somente, não conseguimos visitar nem metade do acervo, mesmo assim, consegui ver mais obras de grandes pintores do que já pude ver em minha vida inteira. Foi simplesmente incrível, de uma beleza sem explicação. Na saída, passadinha rápida pela lojinha do museu e uma inevitável compra de dois livros fantásticos sobre Paris, que nos garantiram um bom peso a mais na bagagem até o fim da viagem (e ainda faltava uns 20 dias).

Uma visão ao longe da Catedral de Notre Dame

Ao fundo, a Assembleia Nacional

Acho essas estátuas tão bizarras, e elas são super comuns em Paris.

Bem, como bom brasileiros, resolvemos dar um pulinho na Galeries Lafayette pra fechar o dia.

E assim terminou mais um dia em Paris, regato a vinho de Bordeaux e queijo brie.